Presidente da federação "chocado" com declarações de Évora: "Não compramos atletas"

Jorge Vieira
Paulo Spranger/Global Imagens
Jorge Vieira explicou ainda os motivos pelos quais a naturalização de Nélson Évora demorou 11 anos.
Jorge Vieira, presidente da Federação Portuguesa de Atletismo (FPA), mostrou-se incrédulo com as declarações de Nélson Évora, que afirmou que Pedro Pablo Pichardo, nascido em Cuba, foi "comprado" para obter resultados no imediato com as cores de Portugal.
"Não compramos atletas, não convidámos nenhum atleta a ser português. Dizer que a federação compra atletas é intolerável. Apoiamos atletas para chegarem à excelência. Dizer que não apoiamos jovens e que apostamos na compra de atletas é de uma injustiça tremenda", afirmou à Rádio Observador.
"A federação não teve sequer uma troca de palavras com o Pedro Pichardo antes de ele estar naturalizado. Não houve qualquer convite da nossa parte, nenhum aliciamento. 'Compra' é um termo que me choca. É impossível consentir uma acusação deste género, porque naturalmente não comprámos nenhum atleta, nunca uma naturalização partiu da federação", vincou, explicando os motivos que levaram a naturalização de Nélson Évora a demorar mais.
"Isso é feito de acordo com a lei portuguesa. Há um regulamento que qualquer pessoa pode consultar, são leis públicas. A lei da nacionalidade, no artigo 24.º, aponta casos especiais, como a situação de atletas, ou noutras áreas, onde os cidadão candidatos à nacionalidade possam prestar serviços relevantes ao estado português, mediante vários requisitos. E em nenhum deles está o esperar 11 anos. Isto é apreciado pelo Governo, pelo Ministério da Justiça, sendo também sustentado por pareceres. Houve um parecer da federação a sustentar que o atleta, ao ser naturalizado, podia prestar serviços ao país", observou. "Houve tratamento diferente. Nelson Évora vem para Portugal com nove anos, não colhia nenhum argumento dentro da lei, não se esperava de uma criança de nove anos ou até ser júnior... Não se poderia alegar neste período qualquer argumento para acelerar a naturalização. Teve de se esperar pela maioridade", disse ainda.
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