"Morte de Quintana? Foi claramente o pior momento da carreira. Tivemos ajuda profissional"

Alfredo Quintana faleceu a 26 de fevereiro de 2021
Pedro Correia/Global Imagens
ENTREVISTA, PARTE II - Também as equipas de hóquei em patins e de basquetebol, que partilham o Dragão Arena com a de andebol, sentiram bastante a perda. Magnus Andersson diz que não compreende por que razão tal sucedeu.
A dia 22 de fevereiro Quintana sofreu uma paragem cardiorrespiratória enquanto jogava futebol com os companheiros. Dia 26 faleceu, no Hospital de São João, no Porto.
A tragédia que aconteceu com o Alfredo Quintana foi o pior momento da carreira?
-Foi sim, claramente. Eu nunca perdi algum amigo, algum jogador. Nunca vi uma coisa destas acontecer antes. Foi mesmo muito triste e ainda hoje é difícil entender como e por que razão aconteceu. É uma loucura. Às vezes parece um pesadelo. Foi, e é, terrível a perda do Quintana.
Onde é que um treinador despedaçado fui buscar energia para motivar jogadores igualmente despedaçados?
-Essa é mais uma excelente pergunta... (pausa). Para mim, como para toda a gente, foi um choque enorme. O FC Porto deu-nos uma grande ajuda. Creio que a chave foi terem-nos dado ajuda psicológica. O clube tratou disso de forma muito rápida e tivemos ajuda profissional. Além disso, os jogadores ajudaram-se mutuamente. E essa ajuda ainda hoje se mantém. Mas devo sublinhar que o clube deu-nos um grande apoio para tentar ultrapassar o momento da melhor maneira.
Lembra-se como se sentiu no jogo com o Elverum, o primeiro após a morte de Quintana?
-Lembro. Estava muito nervoso, mesmo muito. Não sabia como seria a reação dos jogadores, nem mesmo a minha. Foi extremamente duro. Arranjamos motivação com o Alfredo. Pensamos: "Isto é uma porcaria, mas temos de jogar" e fomos lá para dentro e jogamos pelo Alfredo. Foi um jogo de uma dureza emocional tremenda.
Como era o Quintana como pessoa e como guarda-redes?
-O Alfredo era uma excelente pessoa, sempre muito feliz, era fantástico, de uma alegria imensa, toda a gente gostava dele e tinha um grande respeito por eles. Isso veio a ficar claro. Como guarda-redes era fantástico, salvou-nos várias vezes. Mas é isso, não era apenas o excelente guarda-redes, mas a grande pessoa com um grande coração.
"É difícil não amar este clube"
O Magnus está há três anos no FC Porto, vai para a quarta temporada. Muitas vezes deixa palavras elogiosas para o clube. Como sente o FC Porto?
-É como o Victor disse ao vosso jornal, é difícil não amar este clube. O FC Porto é um clube de grande tradição e eu, quando assinei, não sabia que era um clube assim tão grande. Agora percebo. O andebol tem alguma tradição, eu gosto do clube, dos adeptos, eles são completamente doidos pelo FC Porto. Quando estive na Alemanha eram adeptos de andebol, aqui são adeptos do clube. Eles nasceram para serem adeptos do FC Porto e apoiam de uma forma incrível. Claro que eu já gosto muito do clube também. Depois há pessoas, como o presidente Pinto da Costa, Adelino Caldeira ou António Borges que ajudam muito. Mas toda a gente no clube e aqui no andebol se ajuda bastante.
E a cidade, já deu para a conhecer bem? As pessoas reconhecem-no, tratam bem o Magnus?
-Eu amo a cidade do Porto, é uma cidade fantástica, linda e é mais fácil trabalhar quando o lugar onde estamos é bom. Com a covid não pude sair muito, mas adoro andar pela cidade. Eu vivo em Gaia, vou muitas vezes até à Afurada a pé. E muitas pessoas na rua reconhecem-me e veem dar-me os parabéns. São muito carinhosas e afetivas.
