
Sofia Oliveira
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Sofia Oliveira conquistou título inédito de kickboxing após 20 anos de dedicação
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A programadora informática Sofia Oliveira colocou a vida pessoal em segundo plano nas últimas duas décadas para se dedicar ao kickboxing, tendo sido agora "recompensada" com o primeiro título mundial de sempre em seniores.
"Sabe a recompensa. Depois de tantos treinos, de tudo aquilo que abdicámos em função do kickboxing, termos de deixar a nossa vida de lado para nos dedicarmos a 100% a isto, chegar ao fim e trazer uma medalha de ouro, sabe a recompensa e é um orgulho", afirmou Sofia Oliveira, em declarações à agência Lusa.
A atleta do Desportivo de Guimarães comentava o título de campeã mundial de kickboxing da WAKO (Associação Mundial de Organizações de Kickboxing), na categoria de -60kg, alcançado na sexta-feira, em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos.
Sofia Oliveira, de 27 anos, natural de Vila Nova de Famalicão, pratica kickboxing há cerca de duas décadas, tendo ingressado na modalidade por vontade do pai e com o objetivo de aprender a defender-se, juntamente com a irmã. "Comecei a praticar com seis, sete anos. Os campeonatos regionais e nacionais foram surgindo, inscrevi-me, comecei a ganhar títulos, até que em 2014 entrei para a seleção e, a partir daí, comecei a perceber que podia levar isto um bocadinho mais a sério", explicou.
Sofia Oliveira tornou-se agora na primeira portuguesa de sempre a conquistar uma medalha de ouro em seniores femininos no Campeonato do Mundo de kickboxing, facto que, considera, pode trazer reconhecimento à modalidade e a quem a pratica, sobretudo às atletas. "O kickboxing atrai cada vez mais mulheres, o que me deixa orgulhosa. Quando comecei éramos muito menos, mas agora estão a participar mais, estão a querer desafiar-se, porque é, acima de tudo, um desporto muito complicado, que exige muito esforço físico", afiançou.
A atleta famalicense explicou à Lusa a logística pessoal para conciliar os treinos bidiários com o trabalho como desenvolvedora de SAP, destacando a importância de ter um bom suporte familiar. "Apesar de conseguir trabalhar alguns dias em casa, durante essas oito horas tenho de estar focada. Por norma, saio pelas 6h30 da manhã para treinar, entro às 9h00 no trabalho e, quando saio, às 18h00 ou 19h00, vou outra vez para o ginásio. É muito cansativo, exige muito de nós, sobretudo quando há competições muito seguidas ou um Mundial, em que o foco tem de ser somente o kickboxing", confessou.
Neste contexto, a atleta considera que há "pouquíssimos apoios" para quem pratica a modalidade, alertando para os elevados custos das competições e de todo o trabalho que as antecede, que inclui fisioterapia e nutrição.
Quanto a objetivos futuros, Sofia adiantou que esta pode ter sido a sua última competição a representar a seleção portuguesa em campeonatos europeus e mundiais. "Não sei se daqui a 10 anos vou ter vontade de voltar a estar neste tipo de campeonatos, porque a parte pessoal está em segundo plano já há muito tempo. O meu objetivo agora é ir fazendo uns combates a nível profissional, até porque tenho um [campeonato] em março [de 2026] para disputar", adiantou.
Depois disso, Sofia gostava de abrir uma academia para conseguir criar mais oportunidades e alcançar maior destaque e visibilidade para o kickboxing na região do Minho. "Gostava que as pessoas percebessem que há mais além do futebol e do atletismo, que podemos ser bons em muitos desportos e ter apoios para todos eles seria ótimo. O meu objetivo passa claramente por aí", concluiu.
Sofia Oliveira foi a primeira portuguesa a sagrar-se campeã do mundo na modalidade, antes de Catarina Dias ter chegado ao título em -70 kg, também na sexta-feira.
Além das duas medalhas de ouro, a representação portuguesa nos Emirados Árabes Unidos rendeu mais três bronzes, por Cátia Batista, em seniores, e Emanuel Cortes e Nuno Lopes, ambos na categoria de veteranos.

