
Gondomar Cultural
Artur Machado
Equipa treina no Pavilhão Municipal de Rio Tinto, apenas três vezes por semana e com poucas horas em cada um desses dias. José Santos, que esteve 39 anos na liderança desportiva do ciclismo do Boavista, é também, há 25, o presidente do Gondomar Cultural, clube que quer dinamizar, ver crescer e noutros patamares.
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O Gondomar Cultural, com quase 30 anos de atividade no andebol, precisa, com urgência, de uma casa própria. O Pavilhão Municipal de Rio Tinto tem sido a guarida do clube, mas, note-se, com apenas três dias para treinar: três horas às segundas-feiras; quatro às quartas; e duas às sextas-feiras. Por muito boa vontade que haja - e os Sub-16 até fizeram o milagre de se qualificar para o Nacional. "A quatro jornadas do fim da fase regional, conseguimos o apuramento para o nacional. Com alguma dificuldade, com muito trabalho, mas alcançamos esse feito", aponta Francisco César, treinador do referido escalão e coordenador da formação do Gondomar Cultural -, alcançar objetivos mais ousados é tarefa gigante. "Há alguns anos que andámos nesta ambivalência, de querermos e não podermos. A necessidade de mais espaço para trabalhar é urgente, de tal forma que muitas vezes não temos condições de aceitar mais atletas", alerta José Santos, um nome histórico e de referência do ciclismo nacional, mas presidente do emblema gondomarense.
"Temos de lutar contra as dificuldades, que são comuns a todas as coletividades, não obstante os apoios da câmara na cedência de instalações e em algum auxílio financeiro, mas da parte do tecido comercial e industrial de Gondomar praticamente não há qualquer ligação com o fenómeno desportivo. Percebe-se que não há essa sensibilidade", lamenta. "Por isso, temos algumas dificuldades em sustentar uma formação que queremos catapultar para um patamar maior", explica José Santos.
"Neste momento, entre "babies" (a partir dos quatro anos), manitas (seis anos), bambis (oito/dez), minis (até aos 11), Sub-14 e Sub-16 andamos à volta dos 70/75 atletas masculinos e femininos", revela Francisco César, referindo: "Quanto mais tivermos na base melhor será no futuro, maior a base de recrutamento. Este ano, infelizmente, temos um fosso, por não termos equipas de Sub-18 e Sub-20, mas na próxima época já teremos a de Sub-18, vamos manter a de Sub-16 a funcionar e os restantes escalões para trás também, tudo com a intenção de, dentro de duas temporadas, termos mesmo todos os escalões jovens".

Trabalho com as escolas mais próximas do pavilhão
Para que tal aconteça, o Gondomar Cultural, como muitos outros clubes, faz visitas aos estabelecimentos de ensino. "A nossa dinâmica passa pela ida às escolas mais próximas aqui do Pavilhão de Rio Tinto. Fazemos contacto diretamente com a diretora do agrupamento e depois é tratado com os professores de Educação Física. Alguns dos nossos treinadores dão a aula que supostamente dariam eles. Vamos sinalizando aqueles miúdos que são mais capazes, não só por destreza, mas também a nível de antropometria e a avaliação morfológica [n.d.r.: métodos científicos para medir dimensões físicas, proporções e composição e corporal] que nos levem a indicá-los para virem treinar ao clube", resume César, destacando que "no lote dos Sub-16 há três atletas que nunca haviam tido qualquer contacto com a modalidade".
Nélson Vieira, 44 anos, natural do Porto, é o treinador da equipa principal, que disputa a II Divisão Nacional, o terceiro escalão da modalidade. "O trabalho que se faz na formação é o mais importante e é o menos visível, é o que não está tão exposto, mas é de facto o mais trabalho de todos", sublinha.

Subida à Divisão de Honra no horizonte
"Temos de repensar o andebol, tentarmos subir à Divisão de Honra (segundo escalão). Para mais dois ou três anos é esse o nosso objetivo", assume José Santos relativamente à equipa principal. "Não penso tanto em objetivos a mais longo prazo", defende-se Nélson Vieira, sem, todavia, se desmarcar do repto. "Subir à Divisão de Honra requer muitas coisas, desde logo espaço para termos mais volume de treino. Uma equipa que quer subir, no mínimo, tem de trabalhar quatro dias por semana, mas isso não invalida que, cá dentro, pensemos nisso", declarou.

Diferentes fases
A equipa de Sub-16 masculina do Gondomar Cultural apurou-se para o nacional, o feminino também está a crescer, ainda numa fase embrionária, e os meninos mais jovens, a começar nos quatro anos, divertem-se antes de começar o treino dado por Nélson Vieira.

José Santos, 72 anos, figura do ciclismo, foi um dos fundadores e é presidente do Gondomar Cultural há 25

