
Cascalense de 25 anos antecipou a O JOGO a segunda presença no Rali Dakar, agora na equipa de Sébastien Loeb, depois de se ter revelado na estreia
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Uma das sensações portuguesas na última edição do Rali Dakar, ao ser segundo na categoria Challenger (T3) e melhor rookie, Gonçalo Guerreiro, de 25 anos, regressa à Arábia Saudita para uma segunda participação na maior prova de todo-o-terreno do mundo, a partir de 3 de janeiro.
O cascalense partiu anteontem e o entusiasmo é grande, pois, após uma estreia brilhante ao serviço da equipa júnior da Red Bull (este ano ausente), vai integrado na equipa Loeb FrayMédia Motorsport, do nove vezes campeão mundial de ralis, correndo com um Polaris RZR Pro. "É um projeto que tem vários nomes, primeiro Loeb, depois Cédric Fray e a Polaris. O convite chegou pelo facto de estar associado à Polaris desde 2023. Vão ser cinco pilotos apoiados pela equipa de fábrica, três oficiais, eu, o Brock [Heger] e o Xavier [De Soultrait]. É um carro idêntico ao que eu coloco no campeonato nacional, que está lá em baixo", conta o jovem a O JOGO, referindo-se ao SSV estacionado no centro da oficina do pai, a JB Racing, localizada em São Domingos de Rana e onde passa a maior parte do tempo quando não está a correr.
Este ano, e já depois do surpreendente segundo lugar no primeiro Dakar, o promissor piloto esteve na equipa de Nasser Al Attiyah na Baja de Aragão e no Rally-Raid Portugal, sagrando-se mais tarde campeão nacional e sendo o primeiro da história a vencer à geral com um SSV. Agora, quer ajudar a Polaris no "tri". "A minha primeira participação correu bastante bem. Obviamente gostaria de erguer o maior troféu. É um projeto super ambicioso e fantástico. Estou contente com a minha escolha, que foi fácil, já que não tinha nada. Foi a marca que venceu nos últimos dois anos, portanto, o carro tem de ser bom", defende Guerreiro, que espera que as alterações regulamentares mal se sintam. "Já não se podem produzir veículos T4, agora só SSV1. São carros mais standardizados para que não se pague tanto dinheiro, mas idênticos. A base é igual", explica. Em contrapartida, a concorrência subiu: "Sei das dificuldades, a categoria está muito competitiva, mais do que em anos passados. Há mais equipas com pilotos de fábrica, mas sabemos do nosso valor", finaliza Guerreiro.
"Estreia trouxe-me coisas novas"
As primeiras memórias de Gonçalo Guerreiro relacionadas com o Dakar remontam às edições em que a prova ainda tinha o destino original e partiu de Lisboa (2006 e 2007). "Lembro-me de ir ver ao Algarve com os meus pais e chovia muito", recorda o piloto, que começou a participar no Campeonato Nacional de Todo-o-terreno em 2018, seguindo-se uma fase de estagnação. A primeira presença no Dakar deu-lhe uma segunda vida. "Trouxe-me coisas novas, diferentes. A minha carreira, com as provas em Portugal, estava viciada. O Dakar permitiu-me aprender várias dinâmicas do todo-o-terreno que desconhecia, como passar por areia, pedras, apanhar temperaturas negativas, altas temperaturas ou dormir num camião...", elenca, considerando os SSV uma boa porta de entrada no grande palco. "São carros fáceis de dirigir, com valores mais em conta, manutenções eficientes e não muito caras", confirma, sem obsessão pela chegada aos Ultimate.
Segurança com novo navegador ao lado
Na segunda presença no Dakar, Guerreiro não vai reeditar a dupla da estreia, com Cadu Sachs, juntando-se, desta vez, ao também brasileiro Maykel Justo, quase duas décadas mais velho (46 anos). O co-piloto estreou-se na competição em 2006, nos camiões, caminhando para a 12.ª participação, a quinta na Arábia Saudita. Também foi navegador nos carros e os melhores resultados em SSV registaram-se em 2021 (quinto) e em 2022 (sexto). "O facto de eu não ter um projeto fixo para o Dakar até agosto fez com que o Cadu tomasse outro rumo, o que é natural. Procurei outro navegador, obviamente um que falasse a mesma língua e surgiu o Maykel Justo. Dada a sua experiência, foi uma ótima escolha. Dá-me segurança", partilha o cascalense sobre o colega com quem vai partilhar o carro número 404 até ao dia 17 de janeiro.
Piloto por influência paterna
Totalmente apaixonado por todo-o-terreno, dizendo não ter muito mais interesses, Gonçalo Guerreiro gosta de passar os dias na JB Racing. "É aqui que estou feliz, a montar peças", relata, sobre o negócio que o pai fundou em 1999 e se tornou a vida de toda a família. Jorge Branco foi piloto e influenciou o filho, em prol de quem deixou de competir. "Chegámos a ir às mesmas provas, mas o meu pai decidiu dar-me a mim a oportunidade, porque não era viável ter os dois a correr", lembra, desejando continuar a fazer o Nacional para promover a marca.

