
António Areia, que leva 14 golos no Europeu, marca frente à Alemanha
EPA
Duelo com a França é fundamental na luta pelas "meias" do Europeu e Martim diz como se jogará. Franceses têm a melhor seleção do século, mas respeitam Portugal e há contas a ajustar dos dois lados. Há um ano bateram-se pelo bronze do Mundial e Areia quer redimir-se do último remate.
A França reparte com a Dinamarca o estatuto de melhor equipa do século - quatro títulos mundiais para cada, três olímpicos dos franceses e dois dos dinamarqueses, quatro europeus para um e dois para o outro -, mas curiosamente tem algumas contas a ajustar com Portugal. A equipa de Guillaume Gille, que está em Herning a defender o título, bateu Portugal há um ano, na luta pelo terceiro lugar do Mundial, mas apenas no prolongamento (35-34); a formação de Paulo Jorge Pereira superou os gauleses no Europeu de 2020 (28-25), remetendo-os ao pior resultado da sua história, o 14.º. Este sábado, a partir das 14h30, quem perder irá praticamente hipotecar as hipóteses de passar às meias-finais.
"É importante relembrar esse tipo de jogos e acontecimentos. Se quisermos falar do último remate, lembrar-me disso porque fez-me crescer e querer voltar a assumir o jogo. Se assim for e a bola vier para mim, está tudo bem. Estamos preparados para que o jogo se decida em detalhes", comentou António Areia, que há um ano, em Oslo, não marcou no último remate, deixando fugir a medalha de bronze. Curiosamente jogador do francês Tremblay, o ponta-direita fará hoje o 23.º jogo num Europeu, novo recorde português (desempata com Carlos Resende) e já 14 golos, um deles eleito pela EHF o melhor da primeira fase. "Será super competitivo, bastante agressivo e disputado e temos de chegar ao fim com o maior discernimento possível. Para passar equipas destas temos de estar focados", completou Areia sobre o embate de hoje.
O duelo, dizem de ambos os lados, será a alta velocidade. "Temos de cumprir na defesa, de conseguir defender tão bem como na primeira parte com a Alemanha e no jogo com a Dinamarca. Eles têm uma das melhores equipas do mundo, com muita velocidade e contra-ataques. Será um jogo de alta velocidade", estima Martim Costa. Do outro lado, o experiente Fabregas concorda: "Eles jogam rápido. As equipas são semelhantes nisso".
"Queremos a final e ser campeões"
"Consegui fazer um pouco o papel dele e houve situações em que ia atrás do banco para ele me dar umas dicas", confessou Gabriel Cavalcanti, revelação no jogo com a Alemanha, ao render o castigado Victor Iturriza na defesa. Hoje o pivô regressa, devendo reduzir o tempo de utilização do jovem lateral, que olha o embate com a França com ambição. "São duas equipas que sonham chegar à final. Queremos a final e ser campeões. Vamos entrar com essa mentalidade", atirou, assumindo a meta que os franceses atribuíram a Portugal.
"Portugal quer o título"
Franceses não hesitam ao catalogar o crescimento dos Heróis do Mar e atribuem-lhes um objetivo que estes não assumiram.
"Já não são um outsider. É uma equipa que pretende claramente o título", atirou Elohim Prandi, lateral-esquerdo do PSG e da França, caracterizando Portugal e fazendo uma revelação: "Não me fio nos resultados passados". Os gauleses venceram dez vezes em 13 jogos, mas perderam metade dos últimos seis. "Têm jovens muito talentosos e já experimentados, como os irmãos Costa ou Salvador. Será um combate, muito físico, muito mental e a decidir-se na capacidade de manter o controlo", completou. O respeito dos campeões europeus é sério e Hugo Descat, ponta-esquerda do Veszprém, diz porquê: "Foram muito tempo outsiders, equipas sem nada a perder. Não o são desde o ano passado e querem assumir esse estatuto. Será uma batalha, talvez mais difícil do que contra a Dinamarca. Quem perder estará praticamente eliminado".
Bronca: e se der empate a três?
O golo de Renars Uscins que deu o 32-30 à Alemanha no último segundo frente a Portugal, tendo dois germânicos ultrapassado a linha de meio campo numa reposição de bola ao centro antes do apito do árbitro, tem dado que falar no mundo do andebol. A federação europeia (EHF) admitiu a ilegalidade do lance, mas o golo continuou válido. "Não sabemos o que perderemos com esse golo. Se a Dinamarca vencer a Alemanha, ficamos todos empatados", alertou logo o técnico português, Paulo Pereira, com razão. Em caso de empate a três o "golo ilegal", como lhe chamou, pode decidir.

