
Paulo Fiúza vai ditar notas a Stéphane Peterhansel num dos novos Mini John Cooper da X-Raid
Alinhando no Rali Dakar ao lado do recordista de vitórias, com 13, o navegador não quer traçar planos mas sabe ser dos favoritos. Quando aceitou o desafio, não sabia quem era o piloto...
Paulo Fiúza vai viver, aos 44 anos, o momento mais alto de uma longa carreira como navegador, ao alinhar no Rali Dakar num Mini John Cooper Works da X-Raid ao lado de Stéphane Peterhansel. O francês, conhecido como "Senhor Dakar", vai procurar na Arábia Saudita, entre este domingo e o dia 17, a 14.ª vitória no rali-raide mais duro do mundo e o português poderá ser o primeiro a subir ao degrau mais alto do pódio, depois dos segundos lugares em motos de Paulo Gonçalves (2015) e Rúben Faria (2013). Nos carros nunca um português terminou no pódio - Carlos Sousa foi quarto em 2003 - e Fiúza, com dois quintos lugares ao lado do argentino Orlando Terranova (2013 e 2014), tem um dos melhores registos.
A opção da X-Raid, quando há duas semanas concluiu que a alemã Andrea Peterhansel não poderia alinhar ao lado do marido, por sentir vertigens, foi natural.
Já no Riyadh Rally, entre 28 e 30 novembro, tinha sido Paulo Fiúza a rendê-la e acompanhar o recordista de triunfos no Dakar, terminando em segundo, atrás do Toyota de Yazeed Al Rajhi.
"É o sonho de qualquer navegador poder alinhar ao lado do Senhor Dakar, recordista de vitórias. É um grande prazer e um orgulho", comentou o copiloto de Mafra, que quando foi contactado por Sven Quandt, responsável da X-Raid, soube apenas que iria com o piloto de topo. "Quando me disse, perguntei se era mesmo verdade", confessou Fiúza ao "AutoSport".
Estreando-se no Rali Dakar ainda em África, em 2006, este amante de surf, bicicleta e corrida destacou-se pela primeira vez em 2007, ao ser o melhor amador num carro a diesel - e 44.º da geral - ao lado de Francisco Inocêncio.
Foi depois acompanhando Ricardo Leal dos Santos que começou a trabalhar com a X-Raid - e fez dois sétimos lugares -, iniciando então uma longa ligação e carreira à equipa alemã que faz correr BMW e Mini, pois de seguida navegou Orlando Terranova e o alemão Stephan Schott, tendo pelo meio duas edições com Carlos Sousa, uma delas (2015) terminando em oitavo.
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Stéphane Peterhansel: "A navegação vai ser crucial"
Para Stéphane Peterhansel, francês de 54 anos e com 13 vitórias e 30 participações no Dakar, a corrida deste ano será muito diferente.
O francês já comentou ontem em Jeddah, na Arábia Saudita, o que espera os pilotos. "Será um novo desafio para todos e do que vi na pequena "baja" de Riyadh terá percursos muito diversos, paisagens diferentes e zonas velozes. A navegação será muito complexa e terá um papel crucial. Estou muito contente com o buggy da Mini e eu e o Carlos [Sainz] acreditamos que vamos lutar pela vitória", disse Peterhansel, tranquilo com o colega português, a quem pediu para ditar notas em inglês e algumas em francês.
"Conheço o Paulo Fiúza há muito tempo", rematou um tranquilo "Senhor Dakar".
