
CJ GUNTHER
O "day after" de Angelique Kerber serviu para registar para a posteridade o título no Grand Slam americano, mas também para contar como a lendária Steffi Graf lhe provocou uma oportuna mudança na carreira.
Há 29 anos e 24 dias, uma loira de nariz pontudo destronava, com 18 anos, Martina Navratilova, tornando-se número um do ranking. Stefanie Maria Graf convertia-se também na primeira alemã a liderar a hierarquia feminina - primeiro durante 186 semanas seguidas (recorde que partilha com Serena Williams) e muitas outras em fases distintas de uma carreira, que a levaram a perfazer um total, ainda inatingível, de 377 semanas.
Quando Steffi Graf, qual lenda da modalidade, apareceu pela primeira vez no topo do ranking (17 de agosto de 1987), ainda não tinha nascido a germânica que hoje se estreia na liderança dessa tabela: Angelique Kerber veio ao mundo quase meio ano mais tarde (janeiro de 1988). Ontem, no dia a seguir à conquista do Open dos EUA, a esquerdina de Bremen, com origens polacas e uma academia com o seu nome - na pequena cidade de Puszczykowo (menos de 10 mil habitantes e próxima de Poznan) - onde treina muitas vezes, Angie aprofundou o impacto de Graf numa carreira em que esta temporada disputou quatro das cinco finais mais importantes. Campeã do Open da Austrália, vice em Wimbledon e nos Jogos Olímpicos, falhou em Roland Garros (1.ª ronda), antes de ganhar o US Open, diante da checa Karolina Pliskova.
"[Graf] Tornou-se facilmente na minha jogadora preferida e lembro-me que, ainda criança, ficava impressionada pela forma rápida como resolvia a maioria dos encontros", lembra Kerber, que, mais recentemente, teve o privilégio de cair nas graças da compatriota. "Nos últimos anos tornámo-nos amigas, treinámos juntas, por vezes com o auxílio do Andre [Agassi, marido de Graf], em Las Vegas e não só. Antes da final dos Jogos do Rio, como antes desta em Nova Iorque, recebi mensagens de boa sorte", expôs, orgulhosa, aquela que, aos 28 anos, é a mais velha a estrear-se na liderança do ranking!
