
Na época que precede uma nova era, Mundial de ralis (WRC) inicia-se esta quinta-feira, em Monte Carlo, com Sébastien Ogier e Toyota à procura de revalidar os respetivos títulos. Possibilidade de o francês chegar a uma inédita décima conquista, promoção de Oliver Solberg e regresso da lendária Lancia no WRC2 animam um campeonato à procura de melhores dias.
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A já estabelecida sigla WRC27 anuncia a nova era prestes a chegar aos ralis, no próximo ano, com novos regulamentos técnicos que criam uma categoria principal alargada de fabricantes oficiais e preparadores independentes em nome de menos custos e mais flexibilidade. No entanto, antes da revolução, há uma época pela frente com razões de interesse. O Rali de Monte Carlo inaugura esta quinta-feira a 54.ª edição do Campeonato do Mundo, composta por 14 provas, como em 2025, e com passagem por Portugal de 7 a 10 de maio, na sexta ronda.
As saídas de cena dos antigos campeões Kalle Rovanpera (2022 e 2023) e Ott Tanak (2019) constituíram mais um desafio à modalidade em crise, mas as perdas de vulto foram compensadas com a chegada do popular Oliver Solberg a tempo inteiro e da mítica Lancia, de volta aos ralis passadas mais de três décadas para competir na categoria WRC2 com o Ypsilon Rally2 HF Integrale.
Na classe-rainha, a Toyota vai perseguir o "hexa", tendo o campeão do mundo Sébastien Ogier escalado para dez provas, a começar pela "sua" ronda inaugural, num calendário mais do que suficiente para chegar a um inédito décimo título e desempatar com o compatriota Sébastien Loeb. Elfyn Evans, "vice" cinco vezes nos últimos seis anos (em 2025 por meros quatro pontos), é concorrência dentro da equipa, que conta ainda com Takamoto Katsuta, Solberg e Sami Pajari.
Na época transata, o construtor japonês foi esmagador com 12 vitórias, dado que o diretor Juha Kankkunen acha difícil repetir. "A última temporada foi um acontecimento único na vida", considerou, esperando um 2026 "mais apertado" e uma reação forte da Hyundai à campanha atípica. "A equipa andava de um lado para o outro na Alemanha, a iniciar-se na resistência (WEC). Nos últimos meses já comecei a sentir a Hyundai focada nos ralis", expressou o piloto Adrien Fourmaux. O francês mantém-se, tal como Thierry Neuville, sendo o terceiro carro dividido entre Esapekka Lappi, Dani Sordo (campeão de Portugal em 2025) e Hayden Paddon. Este prepara-se para a primeira presença no WRC desde 2018, um outro destaque do novo ano, completo com a semi-privada M-Sport Ford que continuou com Josh McErlean e apostou em Jon Armstrong, "vice" europeu de ralis.
Tempo de descanso aumenta
Ficando as alterações de fundo para 2027, este ano apenas se registam ajustes nas regras, um a ir de encontro às reivindicações dos concorrentes, frustrados quando sujeitos a jornadas longas, como aconteceu no Rali de Portugal de 2025. Ott Tanak causou controvérsia ao dizer que os pilotos foram "tratados como animais" na prova lusa. Agora, à exceção do primeiro dia, o tempo total de repouso, fora do carro, deverá ser, no mínimo, equivalente ao passado no interior, estabelecendo-se como um mínimo de descanso de dez horas a cada 24 - os últimos na estrada devem ter, pelo menos, 12.

