
Jesus partilhou momentos da sua carreira em entrevista ao canal "Globo"
REUTERS/Ueslei Marcelino
Em entrevista ao canal "Globo", o treinador do Flamengo falou da influência de Johan Cruyff e Rinus Michels no seu trabalho
Na segunda de três partes de uma longa entrevista ao programa "Esporte Espectacular" do canal "Globo", Jorge Jesus falou dos seus tempos de jogador e da sua formação enquanto treinador, realçando a inspiração nos trabalhos de Johan Cruyff no Barcelona e Rinus Michels no Ajax.
Formação como treinador: "Eu sou autodidata. Não leio livros sobre futebol. Todo o meu trabalho de campo fui em que criei e pensei. Acho que um treinador é isso. Claro que há muitas ferramentas que ajudam o trabalho do treinador, mas é preciso ter uma estrutura para proporcionar a sua valorização."
Passagem pelo Al-Hilal: "Na Arábia Saudita, fui-me embora quando a equipa estava na liderança com seis pontos de vantagem sobre o segundo classificado [Al-Nassr, de Rui Vitória]. Saí e não ganharam nada. Fui-me embora porque quis."
Vida nas folgas: "Não desligo (do futebol) e a minha família já sabe disso. Estou sozinho, porque a minha família está em Portugal, mas quando estou lá é igual. Esta é minha vida, a minha profissão e a minha paixão. Tenho que procurar estar atento, e mesmo estando atento há muitas coisas que não consigo ver. Não há outra maneira de olhar para a minha profissão que não seja assim. Há dias que entro às 8h e saio às 20h e isso já aconteceu várias vezes aqui. Quando o prazer está acima de qualquer coisa és um apaixonado pelo que fazes."
Carreira como jogador: "Em Portugal já disse a alguns jogadores que trabalharam comigo: 'Quando joguei, se eu tivesse um treinador que me ensinasse o que eu ensino a você, tinha sido dez vezes mais jogador'.Quando jogava não me ensinaram nada do que eu ensino agora. Eu não era um jogador muito forte psicologicamente e isso é uma característica que, agora como treinador, percebo que é muito importante. Antigamente também não sabiam o que era importante nos momentos do jogo. Era mais importante uma boa condição física. Eu corria, corria, corria, mas bola nada. Quando cheguei a treinador fiz tudo ao contrário e comecei a criar coisas que hoje toda a gente no futebol faz."
Inspirações: "Johan Cruyff. Não só como jogador, mas apaixonei-me pelo futebol holandês na época de (Stefan) Kovács e Rinus Michels no Ajax e, depois, na seleção da Holanda. Eles devoravam todas as equipes com um futebol que surpreendeu a Europa. Depois o Cruyff vira treinador, vai para o Barcelona e inclui, até hoje, as ideias dele em toda o clube. Sempre me identifiquei com a forma como desenvolvem o jogador. Quis perceber um pouco como é que se fazia e fiquei um mês e tal com ele lá em um estágio. Tenho algumas fotografias com ele. Quando eu estava no Benfica ele foi visitar-me."
