"Jogadores? Na Europa é mais complicado, querem ter direitos", diz Jorge Jesus

Jesus falou maravilhas do plantel do Flamengo
REUTERS/Diego Vara
Em entrevista ao canal "Globo", o treinador do Flamengo falou do "grande profissionalismo" do plantel e da forma como o "prazer de trabalhar" dos jogadores ajudou a contrariar ideias pré-concebidas do futebol brasileiro
Em alta no Brasil, Jorge Jesus falou da experiência no Flamengo numa longa entrevista ao programa "Esporte Espectacular", do canal "Globo".
Diferenças entre jogadores brasileiros e europeus: "É mais difícil trabalhar na Europa. Este plantel do Flamengo surpreendeu-me muito no capítulo do profissionalismo e na paixão. Eles têm prazer de trabalhar. Na Europa é mais complicado: eles querem ter direitos e querem sobrepor-se à liderança do treinador. Aqui no Brasil eles têm mais respeito e isso torna tudo mais fácil. Na Europa existe a ideia de que o jogador brasileiro não gosta de trabalhar. Vou partilhar um ditado português: se tens na tua equipa mais de quatro jogadores brasileiros, tens uma escola de samba. Contudo, a minha observação é totalmente ao contrário. São totalmente profissionais e têm consciência do que fazem."
Melhor plantel: "Não tenho dúvida que o plantel do Flamengo é o melhor com que trabalhei. Não se negam a nada. Eu não dou muitas folgas, poderiam vir dizer: 'Mister, dá uma folguinha'. Na Europa, em todos os jogos querem 'folguinhas', mas estes estão sempre interessados em trabalhar. A exigência que coloco no treino, eles absorvem com muita facilidade. Estou muito satisfeito com eles. Futebol é isto: paixão. Se não tiverem prazer no que fazem, vão ter um grande problema, o da pressão. E eles estão num clube onde há pressão todos os dias. Se não tiverem paixão, a pressão vai bloquear a qualidade do jogo deles."
"Não tenho dúvida que o plantel do Flamengo é o melhor com que trabalhei. Não se negam a nada. Eu não dou muitas folgas, poderiam vir dizer: 'Mister, dá uma folguinha'. Na Europa, em todos os jogos querem 'folguinhas', mas estes estão sempre interessados em trabalhar"
Diferenças de idioma: "Há vários termos que são diferentes. Não dizemos torcida, dizemos adeptos. Nós dizemos equipa, vocês, time. Nós falamos malta, e vocês dizem galera. Mas é fácil de identificar. Os jogadores pedem para eu falar 'malta'. Aí digo: 'malta, vamos lá'. Eles gostam. Estão sempre na brincadeira comigo sobre algumas coisas que eu digo, mas não posso dizer agora (risos)."
Torcida do Flamengo: "Quando jogamos no Rio, antes de começar o jogo já estamos a ganhar 1-0. A torcida do Flamengo é vibrante, apaixonada. Há também clubes na Europa que também colocam 65 mil pessoas no estádio. Mas não são vibrantes. Parece que estão em uma ópera. Aqui é completamente diferente."
Estilo no banco: "Eu vejo o jogo e percebo com antecedência o que vai acontecer. Jogo muito, sem jogar. Procuro dar as dicas, orientar, posicionar... Em alguns momentos as equipas desorganizam-se e o futebol não é como no basquetebol, onde o técnico pode pedir um time-out. É preciso ajudar os jogadores. Se não ajuda, é melhor ficar em casa e ver pela TV."
