
100 DIAS PARA O MUNDIAL - A iniciar a décima temporada nos Estados Unidos, o extremo luso Pedro Santos considera os "preços absurdos"
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As polémicas envolvendo o Governo de Donald Trump, bem como as tensões que se vivem no México, não estão a influenciar significativamente a perspetiva dos norte-americanos sobre o Mundial. O entusiasmo tem vindo a decair, mas por outra razão, segundo revela a O JOGO Pedro Santos, que vive e joga nos Estados Unidos desde que, em 2017, trocou o Braga pelo Columbus Crew.
"As pessoas estão animadas, até porque nos Estados Unidos vive gente proveniente de inúmeros países, que tem aqui uma oportunidade excelente para poder ver as suas seleções ao vivo. O que está a afastar esse entusiasmo é o preço dos bilhetes para os jogos, que é ridículo. Se eu quiser ir ver um jogo de Portugal com a minha família (somos cinco pessoas), não pago menos de 10 mil dólares: mil dólares por bilhete, mais viagens, mais hotel... É um absurdo", explica o extremo de 37 anos, assumindo acreditar que os preços ainda irão baixar até ao início da prova.
Pedro Santos joga e reside em Loudoun, Virginia (área metropolitana de Washington DC), desde o início de 2025, quando se juntou ao Loudoun United, da USL (segundo escalão do futebol norte-americano), depois de ter passado seis anos no Columbus Crew e dois no DC United, sempre na MLS (campeão em 2023). Em nove anos nos Estados Unidos, garante nunca ter experienciado quaisquer intervenções mais "musculadas" das forças de segurança."Nunca senti assim opressão nem nada do género, faço a minha vida normal. Nunca vi tropas em estádios, por exemplo. Mas acredito que possa acontecer nas cidades mais problemáticas", salienta o antigo internacional jovem luso, desvalorizando também os episódios de tensão que vão sendo noticiados amiúde no país: "Não creio que vá ter algum impacto na organização do Mundial. Acredito que com o aproximar do Mundial tudo o que diz respeito a essas situações vai acalmar e o entusiasmo em relação à competição vai crescer".
Nas últimas semanas têm sido noticiadas desavenças entre Municípios e a administração de Trump sobre questões financeiras. Pedro Santos confia que tudo será resolvido atempadamente e em nada influenciará a organização. "É o nome dos Estados Unidos que está em causa. Há sempre esse tipo jogos, mas todas as cidades que vão receber jogos têm interesse em receber os turistas lá, não vão querer perder essa oportunidade", sentencia o jogador.
O futebol está cada vez mais popular
A ideia pré-concebida de que o futebol (ou "soccer", para distinguir do futebol americano) não é um desporto significativamente popular nos Estados Unidos já deixou de fazer sentido, de acordo com Pedro Santos. Aliás, um recente estudo aponta para uma realidade bem diferente, indicando que cerca de 8,7 % de norte-americanos com 6 ou mais anos praticaram futebol em 2025. Há nove anos, porém, a realidade ia ao encontro do outro estigma."É uma diferença gigante de 2017 para cá. Absurda, mesmo", refere o jogador português. "É verdade que há desportos maiores aqui, mais mediáticos, que movimentam mais dinheiro, mas, por exemplo, nas escolas, há muito mais miúdos a jogar o nosso futebol do que outros desportos. Eu sou treinador de futebol de formação e o meu clube tem mais de 12 mil atletas inscritos! Há parques públicos com 15, 20 ou 30 campos de futebol, vê-se sempre muitas crianças a jogar", explica, considerando que a chegada de Messi pode ter contribuído para o aumento da popularidade de um desporto que "já está a ultrapassar desportos tradicionais, como o basebol, por exemplo", conclui.
