
infantino, líder da FIFA, e Trump, Presidente dos Estados Unidos
AFP
A pouco mais de três meses para o início da competição na América do Norte, são muito mais as dúvidas do que as certezas
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A precisamente 100 dias do início da 23ª edição do Campeonato do Mundo de futebol, a prova está envolta em mais dúvidas do que nunca, devido à situação de instabilidade que se vive no México e nos Estados Unidos da América, dois dos três países que irão organizar a competição. As entidades responsáveis esforçam-se por garantir que o evento irá ser um sucesso e que tudo estará sanado quando chegar a hora do apito inicial, mas as evidências justificam o ceticismo da maioria dos envolvidos.
Nas últimas semanas, os episódios a envolver os dois países têm-se vindo a suceder a uma velocidade vertiginosa. No último sábado, ainda com o México a reerguer-se após a captura e morte de Nemesio "El Mencho" Oseguera Cervantes, líder do cartel de Jalisco Nueva Generación, no domingo anterior, que desencadeou uma onda de violência em Guadalajara (cidade que deverá receber quatro jogos do Mundial), o mundo acordou com as notícias do ataque conjunto de Estados Unidos e Israel ao Irão - e consequente morte do seu líder supremo, Ayatollah Ali Khamenei.A FIFA, que já havia deixado a garantia de que nada iria mudar em relação ao México, apressou-se a esclarecer que o organismo continua focado em realizar um "Mundial seguro, com a presença de todas as equipas" que conquistaram o apuramento. "Todos os que forem ao Mundial estarão em segurança", asseverou Mattias Grafstrom, secretário-geral do organismo que rege o futebol mundial.
Em cima da mesa está a possibilidade de realocar os jogos do Irão para o México e Canadá, ainda que Mehdi Taj, presidente da Federação daquele país, tenha ontem assumido que a presença dos iranianos no Campeonato do Mundo "é improvável". A seleção de Mehdi Taremi (ex-Rio Ave e FC Porto) deveria realizar os seus três jogos da fase de grupos... nos Estados Unidos (em Los Angeles, contra a Nova Zelândia e a Bélgica, e em Seattle, diante do Egito), podendo inclusivamente defrontar a congénere norte-americana logo nos 16 avos de final.
O ataque norte-americano ao Irão fez crescer também os apelos ao boicote ao Campeonato do Mundo, que já se ouviam (ainda que de forma tímida) particularmente devido às polémicas relacionadas com a forma de agir do ICE, a polícia de imigração criada por Donald Trump. Os registos de protestos dessa natureza são raros em Mundiais, mas já aconteceram: em 1934, o Uruguai, vencedor quatro anos antes, não foi a Itália porque várias seleções europeias (entre as quais a italiana) tinham recusado viajar para a América do Sul na primeira edição; em 1966, ano de boas memórias para Portugal (primeira participação, e logo com um terceiro lugar), as seleções africanas recusaram jogar a qualificação em protesto contra a decisão da FIFA em atribuir apenas uma vaga no Mundial para África, Ásia e Oceânia.
Por agora, esse é um cenário que a FIFA nem admite sequer equacionar. Nada garante, porém, que as coisas não possam mudar de forma drástica nestes 100 dias, acima de tudo devido ao caráter imprevisível do Primeiro Prémio da Paz da... FIFA, Donald Trump.
Fan zone cancelada em Nova Jérsia
Em Nova Jérsia, os planos para o Fan Festival no Liberty State Park - centro para projeções ao vivo e eventos comunitários - foram cancelados, apesar de já terem sido vendidos bilhetes para o primeiro jogo no Estádio MetLife. A decisão deveu-se aos "custos proibitivos de gerir grandes multidões, mantendo o acesso para os residentes da área", segundo os responsáveis.
Emirados e Iraque com presença
Uma eventual desistência do Irão pode abrir lugar para outra seleção, ainda que os regulamentos da FIFA não esclareçam qual o critério para encontrar um substituto. O Iraque, que irá disputar o play-off intercontinental, é a escolha mais óbvia, mas os Emirados Árabes Unidos, derrotados pelos iraquianos na final do play-off asiático, estão mais acima no ranking.
