Taremi expressa revolta em silêncio: o protesto do avançado pela situação no Irão

Taremi
Olympiacos FC
Avançado do Olympiacos recuperou forma de protesto que já adotara em 2022, quando representava o FC Porto. Internacional iraniano recusa festejar os golos em solidariedade para com o povo do seu país, que está novamente a sofrer às mãos do regime liderado pelo Aiatolá Ali Khamenei.
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Quatro anos depois, as celebrações de golo de Mehdi Taremi voltam a dar que falar. Ou, no caso, a não celebração: em solidariedade para com o povo iraniano, que sofre com a repressão do regime que vigora no país, o avançado decidiu não festejar os golos que marca pelo Olympiacos, recuperando uma forma de protesto que já havia adotado em 2022, quando atuava no FC Porto.
"As pessoas estão sempre do nosso lado e por isso nós estamos com elas", asseverou, aquando da vitória por 2-0 sobre o Atromitos, no passado sábado, na qual marcou e assistiu para o outro tento. Um protesto que pode ser repetido na próxima partida da equipa, terça-feira, para a Champions, frente ao Leverkusen, caso o iraniano volte a faturar - soma 12 golos em 21 aparições pelo campeão grego, para o qual se transferiu em agosto, após uma época no Inter de Milão.
Taremi tem sido um autêntico porta-voz dos jogadores iranianos na oposição ao regime que lidera o país desde 1979 e que nas últimas semanas tem respondido aos protestos - contra a inflação, colapso económico e falta de liberdades civis - com um clima de terror, causador já de mais de 3400 mortes, segundo a ONG Iran Human Rights. Neste momento, todas as comunicações - incluindo o acesso à internet - estão bloqueadas no Irão, o que tem levado à debandada de muitos estrangeiros que lá se encontravam a residir e trabalhar, alguns deles portugueses. Ricardo Sá Pinto, que treina o Esteghlal, é uma das exceções, mas toda a sua equipa técnica já se encontra em Portugal.
Em setembro de 2022, o avançado liderou um protesto público após a morte de Mahsa Amini, mulher iraniana que foi espancada de forma fatal pela polícia religiosa por não usar o véu islâmico de forma adequada: os jogadores da seleção do Irão usaram um casaco preto sobre o equipamento enquanto tocava o hino do país, antes do início de um jogo com o Senegal. A atitude de Taremi, de resto, mereceria elogios públicos de Jorge Nuno Pinto da Costa, então presidente dos dragões: "Revelou o grande homem que é e o grande caráter que tem".
Poucos dias depois, o internacional iraniano não festejaria nenhum dos golos da vitória portista por 4-1 sobre o Braga, apresentando uma justificação em tudo semelhante à concedida agora na Grécia. "Pelo que está a acontecer no Irão, não podia festejar. Não podia por respeito ao meu povo, estou cá também por causa deles", disse então. Já no Mundial"2022, e apesar de um alerta (em tons de ameaça) emitido pela federação iraniana antes do início da prova, Taremi não cantou o hino nacional no jogo inaugural, diante de Inglaterra, além de não festejar nenhum dos dois golos que marcou na derrota por 6-2.
Enquanto decorria o torneio no Catar, de resto, outros antigos internacionais sofreram represálias após assumirem publicamente a oposição ao regime que em vigor no Irão. Por exemplo, Ali Daei, um verdadeiro ídolo do país, viu a família ser impedida de sair do território.
Nottingham Forest é hipótese
Taremi pode estar prestes a deixar o Olympiacos e regressar a uma liga europeia de topo. De acordo com a imprensa inglesa, o iraniano de 33 anos é o escolhido para reforçar o Nottingham Forest, também detido por Evangelos Marinakis, na sequência do empréstimo de Kalimuendo para o Frankfurt e da paragem prolongada de Chris Wood por lesão. O seu sucessor deverá ser o espanhol Jefté Betancor, autor dos dois golos que eliminaram o Real Madrid da Taça do Rei e que se encontra no Albacete por empréstimo do Olympiacos.
