Sadio Mané fez a diferença na final da CAN pela calma e sensatez: "Fiz o que tinha a fazer"

Sadio Mané
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Contra o próprio selecionador, foi o avançado do Al Nassr a convencer os jogadores do Senegal a terminarem o jogo. Pape Thiaw mandou os jogadores para o balneário em protesto por um penálti contra sua equipa já em compensações. Só que estes voltaram ao campo e a sorte acompanhou-os.
O Senegal bem pode agradecer a Sadio Mané a conquista da edição de 2025 da CAN. Não só pelas boas exibições ao longo de um torneio que concluiu com dois golos e três assistências em sete jogos - acabando recompensado com a distinção de Melhor Jogador da competição -, mas principalmente pela decisão que tomou durante a final, ao tomar a iniciativa de, contra a vontade do seu próprio selecionador, apelar à equipa que regressasse ao relvado para concluir o encontro.
Depois de um golo anulado ao Senegal por suposta falta ofensiva e de um penálti assinalado a favor de Marrocos já em compensações, a revolta tomou conta dos Leões de Teranga, com o selecionador Pape Thiaw a dar indicações aos jogadores para recolherem de imediato ao balneário. Depois de grandes confusões no campo e reclamações ao árbitro - que manteve a decisão do penálti -, os senegaleses assim o fizeram. A birra, porém, não demorou muito, uma vez que Sadio Mané conseguiu convencer o grupo a voltar ao campo para se concluir o duelo.
"Teria sido muito triste. Imaginem que o jogo acabava ali. Iria ser transmitida uma imagem muito negativa do nosso futebol. Creio que África não merecia uma coisa destas", explicou Mané, assinalando que "o futebol africano tem crescido de forma incrível" e que a prova é que "o mundo inteiro" acompanhou as incidências desta CAN. "Fiz o que tinha a fazer", sintetizou o avançado do Al Nassr, antigo jogador de Bayern, Liverpool ou Southampton, entre outros. "O árbitro assinala um penálti e nós vamos embora do jogo? Seria uma loucura, a pior atitude a ter. Preferia perder do que ver uma coisa destas acontecer ao nosso futebol", acrescentou Mané.
E em boa hora os jogadores senegaleses seguiram os seus conselhos. Logo no recomeço seriam recompensados com o falhanço de Brahim Díaz no penálti polémico, o que levou o jogo a prolongamento, com 0-0 no placard. No tempo extra, um grande golo de Pape Gueye acabou por fazer a diferença, com os senegaleses a vencerem a CAN pela segunda vez na história.
Castigos em perspetiva
O presidente da FIFA, Gianni Infantino, condenou as "cenas deploráveis" ocorridas na final, considerando "inaceitável o abandono do terreno de jogo", assim como os episódios de violência entre adeptos nas bancadas do estádio de Rabat, apelando às instâncias disciplinares para que "tomem medidas apropriadas". Segundo os regulamentos da Confederação Africana de Futebol (CAF), os jogadores podem ser castigados com suspensões "entre quatro e seis jogos", o que colocaria em risco a utilização no próximo Mundial. "A CAF está a analisar as imagens e encaminhará o assunto aos órgãos competentes para que as medidas adequadas sejam tomadas contra os infratores", informou a CAF em comunicado.
"Para quê 10 Ferraris? Passei fome"
Sadio Mané já ganhou muito dinheiro no futebol, designadamente no Liverpool ou, agora, nas três épocas que já leva no Al Nassr. Mas se é bastante o que já ganhou, também é muito o que tem oferecido para diversas causas sociais, como a construção de escolas ou hospitais no Senegal. "Para que quero dez Ferraris, 20 relógios com diamantes e dois aviões? O que faria isso pelo mundo? Eu passei fome, trabalhei no campo, joguei descalço e não fui à escola. Prefiro construir escolas e dar comida ou roupa às pessoas pobres", chegou a comentar numa entrevista.
Retirada da seleção não é aceite
Mané disse após esta final que vai deixar a seleção do Senegal após o próximo Mundial. "Quanto à CAN, para mim acabou aqui. Fico até ao próximo Mundial, mas depois acabou-se", afirmou, numa frase que mereceu objeções por parte do selecionador Pape Thiaw. "O país não está de acordo e eu também não estou de acordo. Ele representa África, representa o Mundo e quando ele diz que é uma decisão sua, é uma decisão que não lhe cabe apenas a ele. Ele pertence ao povo e eles querem que ele continue", afirmou o técnico.
