
Treinador esteve esta quarta-feira na embaixada portuguesa
Leia também Derlei admite premiar plantel caso o Fafe vença o Braga: "Eles merecem"
Ricardo Sá Pinto, treinador do Esteghlal, esteve esta quarta-feira na embaixada portuguesa em Teerão, garantindo estar preparado para se pôr a salvo a qualquer momento, caso tal seja necessário.
"Estamos apreensivos para perceber o que se está a passar, ou o que se poderá passar, mas em segurança, com planos de emergência bem preparados e delineados", declarou o técnico, em vídeo publicado nas redes sociais.
As imagens foram gravadas pelas 20h30 locais, assinalando Sá Pinto que está "tudo aparentemente calmo, com pessoas na rua e carros a circular". Explicou depois que se deslocou ao local porque não tem "internet nem rede no telefone". "Estou incomunicável", acrescentou.
"Logicamente gostava de não presenciar uma guerra nesta altura. Novamente. Já cá estive noutra altura, mas depois acalmou e agora está na iminência de... Mas tenho também responsabilidades sobre a minha equipa. Houve jogadores que tiveram que sair porque não estavam confortáveis", disse depois, explicando que, ao mesmo tempo, houve jogadores iranianos que não saíram da cidade porque "não podem deixar as famílias".
"Não interromperam os jogos e ainda ontem [terça-feira} jogámos para a taça. Dia 18 jogamos para a liga, portanto senti-me na obrigação de continuar aqui, a dar os treinos à minha equipa e a perceber se há condições para continuar. Nesta altura é difícil para mim abandonar e espero que tudo se possa resolver pelo melhor. Esse é o meu desejo", concluiu o técnico do Esteghlal, num cenário conturbado, com multidões em protesto contra o regime dos Aiatolás. As pessoas, de forma geral, criticam a falta de liberdade e, ao mesmo tempo, a degradação das condições financeiras, com uma escalada da inflação nos últimos tempos.
Segundo a Iran Human Rights (ONG), pelo menos 3428 manifestantes já foram mortos pelo regime desde o início dos protestos.
Uma intervenção militar no país, por parte dos Estados Unidos, é um cenário que tem sido insistentemente mencionado. O próprio Donald Trump, aliás, já ameaçou que vai "agir com muita firmeza" caso manifestantes detidos nos protestos sejam executados.
O vídeo de Sá Pinto:
