Roberto Martínez parabeniza clubes portugueses na Europa e aborda Mundial'2026

Roberto Martínez
LUSA
Declarações do selecionador nacional Roberto Martínez na zona mista, à margem do 1º Congresso do Futebol Português:
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Nota: "Antes de tudo, queria deixar as minhas condolências às famílias das vítimas da catástrofe. [Kristin], toda a força e energia. Será um recomeçar com toda a força, com a energia portuguesa que temos."
O que podemos esperar do futuro do futebol português? "Gosto de falar sempre dos quadros competitivos e do trabalho feito na formação. Portugal, a nível europeu, é o melhor país no trabalho na formação, mas temos um desafio para o futuro. Dentro do futebol profissional, na I Liga, temos uma percentagem muito baixa de jogadores Sub-21 nacionais a jogar minutos na I Liga [3,8%]. Estamos a criar e desenvolver talento muito bem, mas os primeiros 50 jogos dos jogadores a nível profissional fazem parte da formação. Precisamos de olhar para a situação com responsabilidade, desde a FPF aos clubes, que estão a fazer um trabalho fantástico. Agora, precisamos de encontrar espaço para os jogadores Sub-21 poderem jogar na I Liga. É um aspeto para melhorar, para encarar com autocrítica. Quando estamos a fazer um trabalho muito bom, é importante progredir."
Estes números, no entanto, surgem após uma semana fantástica para o futebol português, nas competições europeias... "Foi, parabéns aos clubes portugueses, os desempenhos foram excecionais. Ao nível das competições profissionais, e competições na Europa, temos um futuro muito bom, e foi uma semana espetacular, que mostra o trabalho fantástico dos clubes durante toda a época."
Vamos ter, novamente, um duelo ibérico, entre Benfica e Real Madrid, na próxima fase da Liga dos Campeões... "São jogos que os adeptos adoram, fazem parte da história dos clubes. Neste formato, das oito equipas já apuradas, cinco são da Premier League, duas ibéricas, e o Bayern de Munique. Agora, vamos poder avaliar muito bem o trabalho dos clubes, certamente que os clubes portugueses que se apuraram diretamente na Liga Europa, FC Porto e Braga, e na Liga dos Campeões, o Sporting, são um exemplo que temos de celebrar."
Como selecionador, é importante ver que os jogadores portugueses estão a dar resposta? "Faz parte, é muito importante, para os nossos jogadores, estar nos balneários mais exigentes, para jogarem minutos e ganharem torneios. Ter a experiência de controlar os momentos chave durante os jogos, para os jogadores, é essencial, para que possam trazer isso para a Seleção. Vimos isso com Nuno Mendes, Gonçalo Ramos, Vitinha e João Neves, que ganharam a Liga dos Campeões. O nível de confiança e experiência é maior, isso faz com que a Seleção também ganhe."
As prestações dos clubes portugueses vão dar-lhe mais dores de cabeça quando elaborar a convocatória para o estágio de março? "O nosso processo é muito rigoroso, com muita responsabilidade. Acompanhamos todos os jogadores que fazem a diferença, nas equipas portuguesas e no estrangeiro. Março é um estágio para começarmos a preparar as condições de altitude e logística, para jogarmos em estádios fechados, os horários. Faz parte da nossa preparação abrir a possibilidade a todos os jogadores para entrarem na lista de convocados. Temos uma lista maior do que a do Europeu, isso mostra um bom processo, estamos a crescer. A posição da equipa técnica nas próximas seis ou sete semanas é mais cruel e difícil."
O estágio de março é decisivo para a lista final? "Utilizámos mais de 30 jogadores. No Mundial, podemos escolher entre convocar 23 ou 26 jogadores, vamos levar 26 jogadores. Acho que vamos precisar desse número, mas vamos ter de reduzir a lista. Temos 10 jogadores num bom momento de forma que não andam, agora, nas convocatórias. Vamos tentar, em março, utilizar todos os jogadores que temos na pré-lista. É um estágio essencial para a preparação da equipa, mas também a nível individual, para poder fazer a convocatória. A lista será de 26+1, mas não será, necessariamente, a lista para o Mundial. Vamos para o estágio de março com a ideia de abrir uma competitividade para preparar as opções, a polivalência, tudo o que precisamos de fazer contra as equipas quem vamos defrontar no Mundial. O Uzbequistão é uma equipa muito diferente da Colômbia, que é uma equipa muito diferente do Congo, e da Nova Caledónia. Faz parte da nossa preparação."
Quais são os setores que lhe deixam mais dúvidas para elaborar a lista final? "Temos dois jogadores lesionados, a única dúvida é ver o momento de forma deles quando formos ao Estádio Azteca (México). No resto, não há dúvidas, são jogadores muito importantes na Seleção, precisamos de um equilíbrio na continuação das nossas ideias, dos nossos conceitos e dinâmicas dentro do balneário, e abrir a porta a jogadores num bom momento, que possam trazer qualquer coisa para ajudar."
O quartel-general para o Mundial já está definido? "Já. Não posso confirmar, porque a FIFA tem de confirmar, mas a nossa ideia é ficar em Miami, Flórida. Temos dois jogos em Houston, mas é um estádio fechado, a ideia não é treinar em Houston, é treinar as condições para o terceiro jogo, com a Colômbia, em Miami. Por isso, faz sentido que a nossa base seja em Miami, depois deslocamo-nos a Houston para os dois primeiros jogos, voltamos, e trabalhamos as condições para o terceiro jogo."
Encara esse jogo como o mais exigente da fase de grupos, então? "Não, podemos falar disso noutros momentos, mas acho que não existem equipas que chegam aos torneios prontas. As equipas crescem, e os três jogos são essenciais para tentar ganhar o jogo, mas também para preparar a equipa e tentar atingir a qualificação para a próxima fase. Não é para nos focarmos no adversário, mas sim no período que temos. Desde o dia 12, quando viajamos para o Mundial, até ao dia 17, do primeiro jogo, temos um período muito importante para tentarmos chegar ao nosso nível máximo."

