"O Cristiano Ronaldo em Portugal é o que eu chamo de tema de elevador"

Cristiano Ronaldo
AFP
O selecionador Roberto Martínez elogia a inteligência de alguns jogadores, garantindo que alguns serão treinadores, entre eles Bruno e Fernandes e Bernardo Silva.
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O capitão da Seleção Nacional serve para furar defesas, mas também para desbloquear conversas. "O Cristiano em Portugal é o que eu chamo de tema de elevador. Falas do tempo e depois do Cristiano Ronaldo. Toda a gente tem uma opinião", declarou Roberto Martínez, no mais recente episódio do programa "Stick to Football", contando até "uma situação engraçada num táxi, em Lisboa". "O motorista disse-me: 'com Ronaldo em campo, como é que vamos ganhar um jogo?'. Passados uns dias, ganhámos nos penáltis e o mesmo motorista disse-me: 'a experiência do Ronaldo deu-nos a vitória!'. Se ganhamos, é a experiência; se perdemos, perguntam como é que vamos jogar com ele. Os números não mentem: marcou 25 golos nos últimos 30 jogos. É um finalizador de elite, sabe onde a bola vai cair. Jogou cinco Mundiais, cinco Europeus, ninguém tem a experiência dele", lembrou.
Roberto Martínez fala ainda de um Ronaldo mais altruísta. "Tem uma atitude incrível e apetite para ajudar os mais jovens. Teve fases em que queria ser o melhor marcador; agora mudou. Lembro-me do jogo no Euro, contra a Turquia [22 de junho de 2024]: esteve na cara do guarda-redes. Ainda não tinha marcado, havia barulho, mas assistiu o Bruno Fernandes. O poder daquela assistência foi maior do que marcar um golo", recordou.
O selecionador explicou ainda a gestão que terá de ser feita com o avançado de 41 anos, contando até um caso que teve na seleção da Bélgica. "Antes do Mundial, o departamento médico da Bélgica disse-me que o Kompany não podia jogar três jogos numa semana. Depois lesionou-se no primeiro de três particulares que fizemos e disseram-me que ia falhar a fase de grupos por lesão. O Vincent [Kompany] olhou-me nos olhos e disse: 'há dois mundiais: a fase de grupos e o resto. Vou estar pronto para o resto do torneio'. Foi tão convincente que não podia dizer que não. Jogou 10 minutos na terceira jornada da fase de grupos e jogou todos os minutos da fase a eliminar. Não há explicação científica para isto. Podes fazer num período curto quando tens um cérebro de elite", frisou.
A liderança e a coragem de Bruno Fernandes também mereceram elogios. "Ser capitão do Manchester United nos últimos três ou quatro anos deve ter sido incrivelmente difícil. O que admiro nele é o facto de nunca se esconder, dá sempre a cara; é um líder. É muito emocional, mas de uma forma que os colegas respeitam muito. Quando os companheiros veem o Bruno chateado, reagem. O que valorizo é a sua consistência. Na época passada, foi o jogador com o maior número de minutos na Europa", lembrou, considerando que estão na forja novos treinadores. "Taticamente, é muito inteligente. Temos jogadores que vão ser treinadores no futuro. O Bruno é um deles; o Bernardo Silva é outro", perspetivou.


