
Luís Freire
Explicou que o contacto da FPF com os clubes é determinante para garantir que os jovens jogadores atingem o seu potencial
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Na passada sexta-feira, à margem do 1.º Congresso do Futebol Português, Roberto Martínez afirmou que a taxa de utilização dos jogadores sub-21 nacionais na I Liga portuguesa é de 3,8%, um número que o selecionador considera baixo.
Este sábado, no mesmo evento, Luís Freire, em declarações aos jornalistas, explicou que a colaboração entre clubes é determinante para que as qualidades dos jovens jogadores portugueses sejam potenciadas. O selecionador nacional sub-21 classificou, também, as trajetórias de Mateus Fernandes (West Ham) e Afonso Moreira (Lyon) como casos de sucesso.
Qual é a importância deste congresso? "Primeiro, quero enviar um abraço de solidariedade a toda a região de Leiria que foi afetada por este temporal que se abateu por Portugal. Em relação ao Congresso do Futebol Português, sem dúvidas que é importante, as temáticas são muito pertinentes. Mostra, também, muito do trabalho que é desenvolvido aqui na Federação, a pensar o futebol como um todo. Penso que tem sido muito rico perceber esse mesmo trabalho que as comissões têm feito no desenvolvimento do futebol português, uma integração onde todos dão o seu contributo também nas áreas técnicas, nas áreas que dizem mais respeito também a essas reflexões, tanto nos quadros competitivos, como na formação, e nas seleções. Todas estas reflexões são o trabalho de dia a dia aqui na Federação, não é só quando a bola rola dentro do campo, também há aqui muito trabalho, penso que é importante mostrar isso às pessoas."
Na passada sexta-feira, Roberto Martínez afirmou que a taxa de utilização dos jogadores sub-21 nacionais na I Liga portuguesa é de 3,8%. Por onde poderá passar a solução para esta percentagem subir? "Como Roberto Martínez disse, há um trabalho muito bem feito por parte dos clubes e a formação portuguesa, como ele também disse, é das melhores da Europa, certamente. Nós temos tido grandes resultados a nível europeu e, agora, mundial, até nos sub-17. Portanto, as nossas seleções têm mostrado muito o talento dos nossos jovens jogadores. Penso que o principal é essa coordenação com os clubes, essa comunicação aberta com os clubes, essa preocupação de todos com os jovens talentos, de forma a que eles possam chegar cada vez mais longe, neste caso, às ligas profissionais. Penso que esse debate está a ser feito na Europa toda. Roberto Martínez deu o exemplo da França, mas os outros países procuram apostar nos jovens jogadores e nós também estamos a fazê-lo. A verdade é essa, eles estão a chegar, mas queremos ver chegar cada vez mais. O nosso papel também é tentar potenciar ao máximo estes talentos que vão aparecendo, estes jogadores que são campeões do mundo, que são vice-campeões da Europa de sub-19, por exemplo. Nós temos um papel junto dos clubes. Com o apoio deles, que são fundamentais, queremos procurar soluções, medidas, para que os jogadores possam chegar cada vez mais a patamares mais altos, que permitam, tanto aos clubes, potenciá-los, como às seleções, serem valorizadas."
Existe alguma iniciativa planeada para a integração dos campeões mundiais sub-17, ou trata-se de um processo que terá de ser levado com alguma calma? "Sim, eu penso que o mais importante, antes de anunciar medidas, é ouvir toda a gente, é comunicar com toda a gente como está a ser visto, mas meter os temas em cima da mesa e sempre a favor da potenciação do jovem jogador português. O que é que será melhor para estes miúdos daqui a algum tempo? É importante questionar, perguntar, refletir e depois, então, agir para, todos juntos, conseguirmos boas medidas para impulsionar esses jovens talentos."
Mateus Fernandes e Afonso Moreira são dois exemplos de jogadores portugueses que estão a ter um grande sucesso em ligas do top 5 sem terem sido uma aposta consistente dos clubes portugueses. É importante aproveitar estes talentos para garantir o crescimento do nosso futebol? "Sim, nós sabemos que muitas vezes há jogadores a fazer trajetos diferentes, isso também não é necessariamente mau, os jogadores passam por várias experiências na sua carreira, por vezes o espaço não aparece por muitos motivos, não é só por falta de uma aposta, é por vários motivos que existe. Procuram-se oportunidades de outra forma e isso não tem mal nenhum, e até se revela positivo em alguns casos, como os referidos. Agora, nós temos de tentar, ao máximo, dar diferentes oportunidades a cada um. O estrangeiro também é uma oportunidade, as primeiras ligas também são uma oportunidade, há várias formas de chegar à I Liga. O Mateus Fernandes chegou por empréstimo ao Estoril e regressou ao Sporting, depois foi para fora. Há vários caminhos diferentes. O que nos interessa é que, quanto mais oportunidades houver, de várias formas, mais vamos potenciar essas oportunidades e tentar que eles consigam chegar a patamares cada vez mais altos. São dois bons exemplos, mas penso que temos de procurar cada vez mais esses exemplos."
Anísio Cabral, campeão mundial sub-17, estreou-se recentemente a marcar pela equipa principal do Benfica. Começa a encarar este jogador como uma possível opção para os sub-21? "Tanto eu como Roberto Martínez, e todos os selecionadores aqui na federação, temos a responsabilidade de conhecer os jogadores, os mais novos, os mais velhos, e trabalharmos em conjunto para trocar informações sobre eles. Nós estamos atentos, até conhecemos os jogadores dos Sub-15. Estamos atentos ao trajeto de todos. É importante, na altura certa, procurar impulsionar esse tipo de jogadores, mas há um percurso que todos têm de fazer e nós também não queremos saltar etapas. Queremos acompanhar o desenvolvimento que existe nos clubes e ser, ao máximo, justos, acompanhando esse percurso, e dando as oportunidades na altura certa."

