
João Cancelo
AFP
Deco garante que o Barça não contratou o lateral-direito português "para fazer número", mas porque a qualidade do plantel subiu com a chegada do jogador emprestado pelo Al Hilal
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Deco, diretor desportivo do Barcelona, voltou a fazer elogios a João Cancelo, dizendo que o nível de qualidade no plantel aumentou com a contratação do lateral português, que está emprestado pelo Al Hilal até ao final da época.
"Para ter mais um jogador apenas para fazer número, sinceramente, não valia a pena. Acreditávamos que poderíamos encontrar soluções dentro da equipa e na formação. Com o João acreditávamos que podíamos melhorar realmente o nível do plantel. Se pudéssemos elevar o nível com um jogador que pode atuar como lateral direito e esquerdo e até mesmo como extremo, que conhece o clube, que sente o Barcelona, que tem experiência e é um jogador de altíssimo nível... então sim, fazia sentido. Além disso, em caso de necessidade, temos soluções internas. O Jules [Koundé] pode jogar como central, o Gerard [Martín] pode jogar como central... vimos que o problema não era esse. Por isso, trazer por trazer não era uma opção. Acreditamos que o João melhora muito o nosso plantel e dá-nos mais soluções. É uma decisão de bom senso, em consenso com o treinador. Analisámos o mercado e não encontrámos nenhum defesa central melhor do que os que já temos em casa. Não fazia sentido contratar alguém só para aumentar o número de jogadores no plantel. Além da qualidade, procurávamos também versatilidade, um jogador multifuncional. Por isso tomámos esta decisão", afirmou, em entrevista ao jornal espanhol Sport.
O antigo médio abordou também o problema de saúde mental que Ronald Araújo enfrentou, gabando-lhe a coragem que teve.
"Talvez antigamente não se falasse sobre essas coisas. Acredito que todos nós já passámos por momentos difíceis na vida, cada um à sua maneira. Certamente, no passado, muitos jogadores passaram por situações semelhantes. Se olharmos para trás, vemos que há muitos jogadores que desapareceram de repente, cujas carreiras foram interrompidas sem que se soubesse realmente o que tinha acontecido. No caso do Ronald é fundamental destacar que quando uma pessoa tem um problema, uma dificuldade mental ou está a passar por um momento complicado, o facto de reconhecer isso, pedir ajuda e tomar uma decisão já o faz percorrer 50% do caminho. A maioria das pessoas não tem essa capacidade. Vimos casos de desportistas muito conhecidos que não foram capazes de superar situações de depressão ou outros problemas e acabaram por abandonar o desporto. Para mim, ele merece um grande respeito. Teve a coragem de dizer 'não estou bem, preciso de ajuda e vou resolver isso'. Isso é o mais importante e, sinceramente, surpreendeu-me muito positivamente nesse sentido. Para mim, quando alguém passa por um episódio assim, o mais importante é que possa ser tratado. Hoje em dia, são coisas que podem ser tratadas e consolidadas. É como um jogador que está lesionado: recupera, volta a treinar e volta a estar disponível. Ronald hoje está disponível, é um jogador recuperado e tem de continuar a fazer o seu trabalho como qualquer outro futebolista. Estou muito feliz por ele, por ter superado um momento difícil e complicado, algo que todos nós, em algum momento das nossas vidas, já passámos. No caso dele, o futebol tem uma dimensão pública muito grande e é positivo que essa dimensão também sirva para que as pessoas compreendam e respeitem estas situações. Estou feliz por ele e feliz por nós. Precisamos dele, mas para além do futebol e de qualquer outra coisa, o mais importante é que ele esteja bem", adiantou.

