"Iraque no Mundial'2026 deixaria a população tão feliz que nem dá para imaginar"

osama rashid
Iraque olha para Bolívia e Suriname como derradeiras barreiras no regresso aos Mundiais, após 1986
Osama Rashid é uma figura destacada da seleção do Iraque e, nos dias de hoje, prossegue a carreira dentro do seu país, alentando uma premiação inaudita que seria a presença no Mundial de 2026. O antigo médio do Farense, Santa Clara e Vizela, com 33 anos, mantém presença nos eleitos iraquianos, embora já não com o peso de outrora, que se avalia pelas suas 45 internacionalizações.
O sucesso alcançado na zona asiática e no play-off com os Emirados Árabes Unidos, foi um feito aclamado por toda a geografia, espreitando cada iraquiano o regresso à prova maior do planeta, depois da experiência de 1986. Dependendo, agora, de um cruzamento com Bolívia ou Suriname, o Iraque retoma sonhos tanto tempo proibidos, ou praticamente vedados, enclausurado para o exterior e esmagado por guerras.
Rashid exultou à conversa com O JOGO, resumindo "um jogo de profundas emoções". "Foi o nosso vigésimo nesta caminhada. Nenhum outro país jogou tanto como nós. Viemos de muito longe e chegar a esta final foi muito bonito. Vimos uma alegria que se espalhou por todo o país. Até os adeptos dos Emirados ficaram contentes com a nossa celebração", regista o médio, lembrado por grandes golos em Portugal.
O presente no Iraque envolve reflexão em nome da história. "Conseguirmos a qualificação seria algo de muito importante para um país ainda em reconstrução. Deixaria a população tão feliz que nem dá para imaginar", confidencia, atravessando 40 anos em que o Iraque esteve, muitas vezes, nas bocas do mundo, por um regime sanguinário e uma invasão norte-americana. "Há essa distância de 40 anos para a nossa última participação numa prova desta dimensão. O atual presidente da Federação era jogador dessa equipa e ele trouxe uma grande mudança para o futebol iraquiano. O campeonato tem tido veloz desenvolvimento, há euforia à volta do futebol e uma qualificação para o Mundial seria o derradeiro impulso", conta Rashid.
"Tem sido um grande investimento no desporto. Foram construídos muitos estádios e o campeonato tornou-se muito mais profissional", regista um médio que cresceu futebolisticamente nos Países Baixos, na formação do Feyenoord, chegando a Portugal para representar o Farense. "Passaram 14 anos desde que me estreei na seleção. Não há lugares garantidos, mas seria maravilhoso para mim poder jogar um Mundial nesta fase final da minha carreira. Os jogadores iraquianos subiram de nível pela melhoria da nossa liga, só nos faltam melhores academias para que os atletas apresentem uma melhor base associada ao seu talento. Acho que é possível comparar o iraquiano ao jogador sul-americano, pela forma como emprega paixão e muito coração", evidencia.
Saciando a nossa curiosidade, sinalizando forças iraquianas nesta campanha para o Mundial de 2026, Osama Rashid explana a sua visão já misturada com um sentimento de esperança. "Temos muitos jovens e, recentemente, vivemos a pressão de não falhar. O treinador Arnold Graham e a sua equipa técnica souberam gerir isso muito bem, com toda a sua experiência. Depois do apito final a alegria explodiu, tanto entre os jogadores como entre os adeptos. Mas ainda falta o bilhete para o Mundial. Teremos o jogo decisivo em março, provavelmente contra um adversário forte. Depois de disputarmos 20 jogos para chegar onde queremos, vamos fazer de tudo para que esse esforço não tenha sido em vão", invoca.
Lenda na Federação
Iraque aguarda despique entre Bolívia e Suriname para tentar lograr o passaporte, à distância de um jogo. Procurando recuperar os créditos da década de 80, onde era potência na Ásia, jogando o Mundial de 1986, o Iraque pode integrar um grupo com França, Noruega e Senegal. Adjan Dirjal, presidente da Federação, competiu nos Jogos Olímpicos de 1980, 1984 e 1988.

