Ex-jogador da Chapecoense recorda tragédia: "De repente, apagaram-se as luzes..."

Alan Ruschel com os dois filhos
Instagram/Reprodução
Alan Ruschel, atualmente com 36 anos, foi um de apenas seis sobreviventes, três deles jogadores, do trágico acidente de avião que vitimou a Chapecoense em 2016. Quase uma década depois, recordou a forma como quase perdeu a vida
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Alan Ruschel, que aos 36 anos capitaneia o Juventude, foi um dos seis sobreviventes do trágico acidente de avião da Chapecoense em 2016, que vitimou 71 pessoas, incluindo 19 dos 22 jogadores que viajavam do Brasil para Medellín, Colômbia, para a disputa de uma final da Taça Sul-Americana.
Quase uma década depois dessa tragédia, em entrevista ao jornal Marca, o lateral-esquerdo brasileiro recordou a forma como tudo aconteceu, incluindo o momento em que o avião começou a cair.
"Eu lembro-me de tudo até ao momento do impacto. Lembro-me que o piloto avisou que íamos aterrar, fizemos uma volta, outra volta e nada... não aterrávamos. De repente, numa dessas voltas, todas as luzes do avião apagaram-se e ficou tudo em silêncio. Ninguém gritou, não houve pânico, só essa sensação de: 'O que se está a passar?'. Depois veio uma turbulência muito forte e soou o alarme dentro do avião. A partir daí, não me lembro de mais nada. Suponho que tenha sido o momento do impacto", relatou, acrescentando: "Ninguém pensou que podia acontecer o que aconteceu. Passámos todo o voo a conversar, a ouvir música, alguns a cantar samba... tudo muito tranquilo. O avião não tinha nenhum problema".
Após a queda do avião, as equipas de resgate encontraram Ruschel gravemente ferido, mas vivo, sendo este outro momento de que o veterano não se recorda, devido ao seu estado de choque na altura.
"Não me recordo de absolutamente nada. As pessoas que me resgataram contaram-me depois que eu estava num estado de choque, que pedi que ligassem ao meu pai e que lhes entreguei os meus documentos, a minha aliança... Eles contaram-me que eu não parava de repetir que tinha frio e que me doíam as costas e o braço. Eu tinha um pau encravado no braço, por isso é que tenho uma cicatriz enorme lá. Doíam muito as costas e tive de ser operado, porque tinha várias vértebras fraturadas", detalhou.
No que toca à sua recuperação do acidente, Alan Ruschel surpreendeu ao precisar de pouco mais de uma semana para se levantar pelo próprio pé, superando até as previsões mais otimistas.
"Quando o médico da Chapecoense viu as imagens, contou-me depois que pensou que eu tinha perdido a mobilidade para sempre, que não voltaria a andar. Ele disse que a lesão na minha coluna era tão grave que provavelmente tinha afetado a medula [espinhal]. Quando chegou ao hospital, ele fez-me um teste: pegou numa agulha e começou a espetar-me no pé, para ver se eu sentia algo. Eu senti e ele disse: 'Vale, então há uma grande possibilidade de voltares a andar'. No final, foi incrível, porque com uma lesão destas levas normalmente 50 a 60 dias para começares a andar outra vez. Eu, em uma semana, dez dias, estava de pé", revelou.

