
Treinador do Leicester, líder da Premier League, revelou segredos do sucesso. "Damos esperança a todos", sublinha
"Numa época em que o dinheiro conta para tudo, nós demos esperanças a todos", declarou Claudio Ranieri, treinador do Leicester. E, falando de dinheiro, os 93 milhões recebidos fazem do clube o 14.º na distribuição das verbas do novo acordo televisivo do futebol inglês; mas isso não o impediu de prolongar o efeito-surpresa e manter-se na frente.
"Quando cheguei em agosto e comecei a ver os jogos da temporada anterior, reparei que a equipa tinha feito um grande final de temporada, corria muito. Quando falei com os jogadores percebi que tinham receio das táticas italianas... Disse-lhes que confiava neles e que falaríamos muito pouco de táticas", revelou o técnico italiano de 64 anos numa entrevista ao jornal "Corriere della Sera". E essa confiança nos jogadores e o espírito aguerrido e competitivo com que eles a devolvem explica parte do êxito. "Os exercícios [nos treinos] são sempre renhidos. A minha ideia é que em primeiro lugar os jogadores precisam de recuperar e depois treinar. Os meus rapazes treinam muito mas não demasiadas vezes", refere o transalpino, acrescentando que quando jogam ao sábado têm o domingo e a quarta-feira livres, fazendo um treino ligeiro à segunda e intensos à terça e à quinta-feira.
"Quando cheguei a Leicester disse-lhes: confio em vocês, mas têm de dar tudo. Não penso que seja a fórmula perfeita, porque o futebol não é como a química, não há regras universais. Tens de extrair o melhor do grupo que tens. Aqui em Leicester, todos sentem que participam, por isso jogar mal é sinónimo de trair os companheiros. São homens livres, conscientes da sua responsabilidade", resume o treinador, que revelou ter recebido um pedido do presidente do clube quando assumiu o comando: "Pediu-me que fizéssemos 24 pontos até ao Natal. Fizemos 37 ou 39, já não recordo. E agora continuamos na frente", sublinha Ranieri, para quem o melhor da pergunta sobre se poderão ser campeões é o facto de lha fazerem...
Comparando o futebol italiano com o inglês, Ranieri destaca o facto de os jogadores britânicos estarem conscientes de que têm um "grande trabalho". "Aqui divertem-se. Em Itália, é difícil e treinam com menos convicção", aponta, referindo um detalhe que o deixou estupefacto no Leicester: "Às vezes estou à mesa e fico assustado com a quantidade de comida que comem. Nunca tinha visto jogadores tão esfomeados. Das primeiras vezes surpreendeu-me, mas tive de aprender a vê-lo e sorrir. Se correm tanto, podem comer o que quiserem..."
