Vítor Hugo, de vilão a herói no Pevidém: "A Liga 3 é mais exigente e sofremos de forma justa"

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Miguel Pereira/Global Imagens
Oito jogos após o arranque da época, o Pevidém alcançou o primeiro triunfo, beneficiando também de duas expulsões do Felgueiras. Já se respira melhor, mas ainda estão em último
No espaço de uma semana, Vítor Hugo passou de vilão a herói no Pevidém. O avançado falhou um penálti contra o Canelas (1-2), que poderia ter dado um ponto, mas redimiu-se diante do Felgueiras, ao fazer o golo que deu a primeira vitória à equipa de João Pedro Coelho.
Ao oitavo jogo, o Pevidém alcançou a primeira vitória. Como foi estar ligado a esse momento?
-Já precisávamos desta vitamina, desta injeção, foram muitos jogos sem vencer, muitas derrotas e apenas um empate. Precisávamos de um estímulo diferente para andarmos com outro tipo de confiança.
Houve brincadeiras consigo depois do golo?
-Na semana passada entrei, falhei um penálti e perdemos 2-1 com o Canelas. Foi importante vir logo este tónico na semana seguinte. Foi bom ter sido eu a garantir os três pontos. Foi um fim de semana em cheio! Quando perdes seis jogos, começas a desconfiar de ti próprio e esta vitória vale mais de três pontos por causa disso.
O que faltou nas outras jornadas para a vitória só ter aparecido agora?
-Tivemos alguns jogos em que perdemos porque faltou a estrelinha. Contra Montalegre e Sanjoanense fomos melhores e só não ganhámos no pormenor. Noutros jogos, há que admitir que os adversários foram mais agressivos e não estávamos a conseguir mostrar o nível que a Liga 3 exige. Neste, foi no pormenor também: beneficiámos das expulsões do Felgueiras e vencemos. Agora, há que acender duas velinhas para continuarmos nesta senda...
Sentiam que o treinador poderia estar em causa, face aos resultados negativos?
-Aqui, em Portugal, o treinador está sempre em causa, mas não senti isso. Já estamos com este treinador há algum tempo e não senti que estivesse debilitado. Senti que estávamos todos com a seta para baixo e zangados connosco. A exigência não é de subida, não há uma arma apontada à cabeça para andar lá em cima, mas tínhamos de reverter isto.
O que prevê que venha a acontecer no futuro, depois de o Pevidém aliviar um pouco a pressão?
-Continuamos em último, nós e o Anadia. Acho que a nível de confiança será diferente. Vamos ter um jogo dificílimo, contra o Braga B; os miúdos jogam muito bem, são intensos, vêm de algumas vitórias seguidas, mas vamos ter um Pevidém diferente, ou pelo menos a respirar um ar melhor.
Na época passada, o clube foi uma das surpresas, tendo estado perto de subir à II Liga. Como se explica este mau arranque?
-A fasquia ficou tão elevada que sofremos um bocadinho com isso. Com o sucesso, a malta tem tendência a facilitar e achávamos que quase sem trabalhar íamos conseguir ganhar jogos, estar como no ano passado. Tirámos um bocadinho o pé. A Liga 3 é mais exigente e sofremos de forma justa, porque fomos inferiores à grande maioria dos adversários.
Qual o objetivo traçado para esta época?
-Foi uma surpresa termos conseguido a subida. Este ano, era importante para o clube manter-se nesta liga semiprofissional. O nível de exigência é muito alto, até para a própria Direção, que tem sentido esta diferença em relação ao CdP. Temos de carregar um bocadinho, senão vamos ter mais dificuldades. Nem em casa jogamos, porque o estádio está em obras; jogamos no Gémeos Castro, e nem se pensa noutra coisa que não seja a permanência.
Administrativo no ramo têxtil já tirou curso nível II de treinador
Há quatro épocas no Pevidém, sendo o clube ao qual esteve mais tempo ligado, Vítor Hugo revelou que sente dificuldades em conciliar o futebol com a outra profissão, mas admite que "quem corre por gosto não cansa".
"Sou administrativo de uma empresa no ramo têxtil, perto de Guimarães. É isso que dá sustento para as minhas duas filhas. É difícil conciliar a nível de horários, pois saio de casa às 7H30 e só chego às 21H30", desabafou o avançado, 35 anos, acrescentando: "No futuro, quero continuar ligado ao futebol. Já tirei o nível II de treinador, mas, para já, quero apenas divertir-me como jogador e desfrutar. Enquanto puder ajudar, vou fazê-lo, quando sentir que já não consigo acompanhar o autocarro, serei o primeiro a dizer", frisou, definindo-se como "um número 9 mais fixo, agressivo e bom no jogo aéreo".
