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Tony Dias/Global Imagens
Papalelé, cabo-verdiano, 23 anos, brilhou no Mindelense, onde foi campeão, e em 2019 mudou-se para o FC Porto B. Pandemia e operação a apendicite atrapalharam a afirmação. Não vai a casa há dois anos
Papalelé já sabe o que é faturar com a camisola do Montalegre. Abriu caminho para a vitória, por 2-0, em Anadia e devolveu os transmontanos aos triunfos, depois de quatro derrotas seguidas, sendo uma para a Taça de Portugal.
"É um peso que me saiu de cima. Tinha muita vontade de marcar e esta também foi uma vitória importante, que nós precisávamos", afirmou. "Depois da eliminação na Taça, colocámos na cabeça que tínhamos de dar tudo no campeonato. Continuámos sempre a trabalhar e esta jornada foi importante", reforçou o cabo-verdiano, 23 anos, que resume os objetivos dos homens do Barroso à luta pelos quatro primeiros lugares.
Foi em novembro de 2019 que a vida de Hélio Alberto Delgado da Silva deu uma volta. Papalelé brilhava no Mindelense e chamou a atenção de vários clubes. Assinou pelo FC Porto, foi integrado na equipa B, no entanto, a pandemia trocou-lhe as voltas. "O primeiro ano foi muito difícil. Ficar longe da família abalou-me. Comecei a jogar em janeiro, mas depois fui operado por causa de uma apendicite. Fiquei de fora um mês e quando estava a voltar apareceu a covid-19, que suspendeu os campeonatos. Inicialmente, fiquei no Porto, mas depois fui para Lisboa e passei a quarentena com família que tenho lá, o que me ajudou bastante", contou.
Para trás ficou a infância a jogar à bola nas ruas de Cabo Verde. "Saía de casa às 9h00 e só chegava às 20h00 ou 21h00. Passava a vida a jogar com os meus amigos. Puxões de orelhas? Ui, levei tantos...", sorri. "Aconteceu tudo muito rápido na minha carreira. Consegui ser campeão nacional, fui chamado à seleção e tudo foi relevante para o meu crescimento. Desejo trabalhar forte para um dia voltar à seleção", explica Papalelé, que não vai a casa há dois anos e espera matar as saudades no Natal ou no verão.
