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Miguel Pereira/Global Imagens
ENTREVISTA - Responsável pelo regresso do Chaves ao escalão maior, o treinador diz que o presidente da SAD lhe garantiu que a equipa estará ao nível das exigências dos flavienses e de todos os transmontanos.
Vítor Campelos ficará na história do Chaves como o treinador que conduziu o clube à 17.ª presença na I Liga. Na primeira entrevista após a subida, o técnico de 47 anos diz, por exemplo, que o sucesso da equipa técnica dependerá do plantel que tiver à disposição.
Tem 15 jogos na I Liga, 14 no Moreirense e um no V. Guimarães. É o suficiente para ter êxito num clube que poderá andar com a corda ao pescoço?
-Esses jogos deram-me experiência, mas não ditarão o que vai acontecer no Chaves. Eu já trabalho há 23 anos, fui do Distrital à Liga dos Campeões da Ásia, já trabalhei na II Liga e na I Liga, tenho inúmeros jogos. Não há treinadores de primeira ou de segunda, é uma questão de oportunidade. Estou mais do que preparado para voltar a treinar na I Liga.
Sente que terá condições para ter sucesso?
-Como é óbvio, muito do que um treinador pode fazer depende muito do material humano que tem. Acredito muito no meu trabalho e no da minha equipa técnica. O plantel que vamos ter à nossa disposição também terá muita influência naquilo que vamos fazer durante a época.
Tem garantias de que terá os jogadores que pretende?
-Antes de assinar fiz questão de realçar isso. Tive muitas conversas com o presidente sobre eu ser uma voz ativa nas contratações. Como é óbvio, dentro do orçamento que há, temos que ser realistas, mas dentro deste realismo também temos de perceber que temos de ir à luta e ter as mesmas armas dos nossos adversários.
Terá peças para lutar de igual para igual com os concorrentes diretos?
-Tive a palavra do presidente que isso iria acontecer e que íamos preparar uma equipa para estar ao nível das exigências do adeptos flavienses e dos transmontanos em geral. Até ao início do campeonato vamos ser criteriosos nas nossas escolhas, espero que isso aconteça e que possamos formar um plantel para corresponder às exigências dos adeptos do Chaves.
Qual é o grande objetivo para a próxima época?
-O nosso objetivo primordial é jogar bem, por sabermos que quando jogamos bem estamos mais perto de ganhar. Para além de querer garantir a manutenção na I Liga, o Chaves também tem de potenciar e vender jogadores para que o clube possa continuar a sua caminhada.
Conta com os jogadores que mais se destacaram e valorizaram na época passada?
-Todos os treinadores gostam de contar com os jogadores que lhes dão mais garantias e que fizeram boas épocas. Também percebo o lado do clube. O Chaves também tem de vender, mas gostava de ficar com todos os que jogaram mais vezes e que tiveram um impacto maior na equipa, se bem que todos foram importantes. Os que jogaram menos vezes também mostraram ser excelentes profissionais. Nas subidas de divisão é normal que haja jogadores apetecíveis para outras equipas.
Mas vai manter a base, não haverá uma sangria?
-Temos alguns jogadores com contrato e por isso estamos a analisar as diversas situações. A maioria dos jogadores que tem contrato vai continuar, alguns não têm contrato e possivelmente vão renovar. E depois, mediante as saídas de jogadores que são apetecíveis no mercado nacional e estrangeiro, pode ser que seja necessário trazer mais jogadores.
"Teríamos subido diretamente com VAR na II Liga"
Na última Assembleia Geral da Liga foi discutida a possibilidade de ser implementado o VAR na Liga SABSEG. Vítor Campelos assume que notou "muito" a falta desta ferramenta. "Se houvesse VAR na II Liga teríamos subido de divisão diretamente, nem tínhamos precisado de ir ao play-off", garante.
"Não posso dizer que fui prejudicado, porque tenho a certeza que os árbitros fizeram o melhor que estava ao seu alcance, mas, com a ajuda do VAR, provavelmente determinadas decisões tinham sido mais assertivas", salienta o técnico.
