Villas-Boas volta e vê registo assustador: FC Porto sem piedade com quem retorna

André Villas-Boas, ex-treinador do FC Porto, atualmente no Marselha
Ivan Del Val / Global Imagens
Registo assustador para os ex-técnicos começou com Quinito e continuou com campeões como Fernando Santos, Jesualdo Ferreira ou Carlos Alberto Silva. Luís Castro e Peseiro foram os últimos a entrar na lista.
Diz a sabedoria popular que não se deve voltar a um sítio onde já se foi feliz. E no caso do regresso de ex-treinadores à casa do FC Porto, o ditado pode mesmo ser levado à letra.
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Afinal, todos os técnicos perderam na primeira vez que regressaram ao estádio portista como adversários durante a era de Pinto da Costa. Nem todos saíram com títulos ou para equipas de nomeada, é um facto, mas mesmo estes tiveram de lidar com o desgosto da derrota na visita às Antas ou ao Dragão. José Mourinho foi o caso mais mediático de todos, por ter trocado os portistas pelo Chelsea na ressaca de duas temporadas em que arrecadou dois campeonatos, uma Taça de Portugal, uma Supertaça, uma Taça UEFA e uma Liga dos Campeões.
André Villas-Boas, que fez o mesmo percurso do ex-chefe de equipa em 2011/12, após conquistar o triplete (campeonato, Taça de Portugal e Liga Europa), pode ser o próximo, já que amanhã estará de visita com o Marselha a uma casa que conhece de cima a baixo, para defrontar um clube do qual sempre se assumiu como adepto ferrenho e que nunca escondeu o desejo de um dia poder vir a presidir. Será o 11.º regresso.
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Esta história de pesadelo para quem volta começou com Quinito, que teve uma passagem fugaz (16 jogos) pelo banco do FC Porto em 1988/89 e, em 1990/91, viria a perder (4-1) nas Antas pelo V. Setúbal. Seguiu-se aquele que conquistou o primeiro título internacional da história do FC Porto. Depois de uma passagem pelo Paris Saint-Germain, Artur Jorge aceitou o convite de Manuel Damásio para orientar o Benfica e, na primeira vez que pisou as Antas como adversário, na segunda metade de 1994/95, perdeu (2-1). O "Rei Artur", como ficou conhecido, podia tê-lo feito antes, mas por altura da segunda mão da Supertaça Cândido de Oliveira (21 de setembro de 1994) encontrava-se a recuperar de uma intervenção cirúrgica a um tumor cerebral, que lhe fora detetado duas semanas antes.
Fernando Santos, o "Engenheiro do Penta", ou Jesualdo Ferreira, que conduziu o FC Porto a um tetracampeonato, foram mais dois campeões que sucumbiram no primeiro regresso à ex-casa com um adversário com o mesmo estatuto de grandeza: o Sporting. Já Carlos Alberto Silva, bicampeão na década de 1990, fê-lo pelo Santa Clara e, atendendo à diferença de valor entre as duas equipas, acabou goleado.
Em matéria de valor do plantel, José Mourinho terá sido aquele que voltou com melhores armas para fazer frente aos dragões. Corria a temporada de 2004/05 quando o então Special One treinava o Chelsea, que havia feito um investimento tremendo para atacar o título inglês, que, diga-se, acabaria por conquistar. Mesmo com todas as estrelas, Ricardo Carvalho e Paulo Ferreira adquiridos na Invicta, perdeu por 2-1 na derradeira jornada da fase de grupos da Liga dos Campeões. Diego e McCarthy fizeram os golos que permitiram aos azuis e brancos apurarem-se para a fase seguinte da prova, como segundos classificados de um grupo que terminou com os londrinos no topo.
José Couceiro, José Peseiro, Paulo Fonseca e Luís Castro, que tiveram uma curta experiência como treinadores da equipa principal do FC Porto, dão mais corpo a esta estatística assustadora para os ex-técnicos do clube.
