
Orest Shala
CD Mafra
Orest Shala chegou ao clube esta época, depois de experiências na Alemanha e Suíça, e já garantiu a fase de subida. Treinador alemão já tinha iniciado contactos com o Mafra na época anterior, através do Midtjylland, que é parceiro do clube. Com uma série de três vitórias, vê a equipa atravessar melhor momento.
Aos 34 anos, Orest Shala está a cumprir a primeira temporada em Portugal, depois de experiências na Suíça (St. Gallen) e na Alemanha (Union Berlin). No Mafra, o treinador assume que já cumpriu um dos objetivos, assegurar um lugar entre os quatro primeiros, e agora pretende lutar pelo regresso à II Liga, que é o desejo do clube.
O que o levou a escolher Portugal depois de experiências na Alemanha e na Suíça?
-Este é um projeto muito interessante. A equipa fez algumas mudanças após a descida de divisão e as pessoas que trabalham no clube têm uma visão muito clara. O modo como se querem desenvolver e o estilo de jogo encaixaram-se no meu perfil. No verão, tive algumas propostas da Alemanha [II e III Divisão] e para ficar na Suíça [II Liga], mas achei este projeto mais excitante e optei por aprender uma nova cultura em Portugal, que ao nível do futebol é muito boa. Sinto que tomei a decisão certa.
O que lhe agrada neste país e como ocupa os tempos livres?
-Agrada-me que todos estejam muito focados no futebol. Existem bons treinadores aqui, com equipas técnicas grandes em praticamente todos os clubes, o que torna o futebol mais profissional. Há muitos jogadores talentosos e com a mentalidade correta para evoluir. Não tenho muito tempo livre, mas gosto de ir à praia, adoro a comida portuguesa e a temperatura, claro. Vivo na Ericeira e também gosto de aproveitar algum tempo com a família.
O que sabia sobre o Mafra e quem o convenceu a assinar?
-Já havia contactos com o Mafra há algum tempo. Começaram na época passada, mas primeiro foram na Dinamarca, com o pessoal do Midtjylland [investidor]. Foi tudo acertado com eles. Queriam construir um estilo de jogo especial e um treinador que o conseguisse pôr em prática.
Qual a sua opinião sobre o futebol praticado aqui?
-Para um país com cerca de 11 milhões de habitantes, é uma loucura a quantidade de treinadores e jogadores de classe mundial que existem. Por isso, sabia que o futebol seria muito tático e cada jogo é quase como xadrez. Temos de ver sempre qual o ponto forte do adversário e as suas fraquezas. Toda a gente trabalha da mesma forma e temos de ser muito precisos em relação ao que queremos para a equipa. Isso é fantástico, porque estamos sempre a aprender. Os jogos aqui começam muito devagar, mas quando acontece um golo abrem-se, e as dinâmicas mudam completamente. Isso é interessante, e está a ser uma adaptação positiva.
Como avalia a temporada do Mafra?
-No início foi tudo muito novo, só falo inglês, mudámos muitos jogadores, alguns chegaram mais tarde na pré-época e teve de haver uma adaptação. Por isso, foi muito desafiante. Precisávamos de nos encontrar e as coisas boas precisam de tempo, tem de haver um processo. O arranque não foi tão positivo; em setembro saímos da Taça de Portugal, contra uma equipa da quarta divisão [Celoricense] e esse foi o ponto de viragem na nossa época. Mudámos muito, ficámos mais unidos e focados no grande objetivo, que é subir à II Liga. Agora, estamos no melhor momento [três vitórias seguidas], mas podemos evoluir muito mais. Creio que isso acontecerá nos próximos meses.
Já garantiram a fase de subida. São favoritos?
-Somos uma das duas equipas [Belenenses] que já se qualificaram para a fase de subida, quando ainda faltam disputar três jogos. Por isso, acho que podemos ser um dos favoritos. E claro que o nosso objetivo é subir. Alcançámos o primeiro objetivo, mas isto é apenas o início da época para nós. Teremos de estar preparados para uma campanha muito difícil a partir de fevereiro, e estaremos prontos.
Como se define como treinador e que estilo de jogo gosta de ver nas suas equipas?
-Gosto que as minhas equipas sejam consistentes. O meu modelo passa por fazer pressão alta, dar muita profundidade ao jogo e ser agressivo na reação à perda de bola para defender muito bem a nossa baliza. As bolas paradas também são outra parte importante. Os jogadores precisam de ser muito consistentes e disciplinados. Se um jogador pensar por si próprio e não se adaptar a este estilo, terá um grande problema comigo, pois não se enquadra nos objetivos da equipa. O mais importante é sempre a equipa e o plano de jogo.
Que jogador mais o surpreendeu no Mafra?
-Não posso apontar apenas um jogador. Acho que toda a equipa me surpreendeu pela forma como começámos a época e o nível que temos agora. A nossa intensidade em cada jogo e em cada treino cresceu muito. Temos alguns talentos que se desenvolveram bastante, mas também jogadores mais velhos que estão a crescer. Temos o exemplo do Vítor Gonçalves, um jogador com 33 anos, que se adaptou ao nosso modelo de jogo de uma forma que não é muito habitual para a sua idade. Além dele, há muitos bons jogadores, e a forma como evoluíram surpreendeu-me. Estamos no bom caminho.
Estrelas da Alemanha e as boas hipóteses de Portugal no Mundial
Desafiado a eleger o melhor jogador alemão da atualidade, Orest Shala apontou alguns nomes. "Atualmente não temos nenhum jogador top, mas gosto muito do Musiala. No Bayern, o defesa Jonathan Tah também está em bom nível e, claro, o Florian Wirtz, que joga no Liverpool", destacou o treinador, antecipando que Portugal e Alemanha poderão brilhar no Mundial. "Espero que a Alemanha faça um grande Mundial. Não sei se será campeã, porque temos Portugal, França, Inglaterra... No Euro, calhámos com a Espanha, uma das melhores do mundo, nos quartos e fomos eliminados", recordou. Sobre Portugal, também teceu elogios. "Em todas as posições têm jogadores de classe mundial. A qualidade de Portugal subiu muito, especialmente com jogadores como o Vitinha. O desafio é juntar essas individualidades e formar uma grande equipa", explicou.
