
Cidade de Barcelos recebe o Gil Vicente-Famalicão da ronda 20
Gil Vicente e Famalicão unidos por vários jogadores, destinos parecidos e firmes no assalto ao topo. Vestir as duas camisolas tem sido sina de muitos, como testemunham Lito e Cacioli
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É uma viagem curta, de 18 quilómetros, que envolve muitas freguesias, sabores e histórias, desaforos e receitas minhotas. Barcelos e Famalicão constituem pura essência do Minho, nunca quiseram viver à sombra de Braga e Guimarães, pintaram expressão própria, a exemplo do que acontece no futebol. Barcelos, com o seu Gil, honra ao autor de Auto da Barca do Inferno, o Famalicão com o seu Fama, sempre num ardente Amor de Perdição.
Os rivais vivem épocas promissoras em 2025/26, íntimos na linha da frente, 5.º e 7.º na tabela, e unidos pelo passado: entraram juntos na liga em 90/91, então a primeira presença gilista, para o Fama era a segunda. O Gil impôs maior lastro na elite, e quis o destino que retomassem o convívio dos grandes pela última vez em igual sintonia, em 19/20. De Sá Pereira e José Albino, passando por Berto Silva, Djair, Lito, Lila e Cacioli, agora Pablo, muitos desfilaram pelos dois clubes. Toca-nos viagem aos anos 90, Drulovic e Menad eram expoentes do brilhantismo.
"É um jogo emotivo para adeptos e jogadores, onde se junta paixão, festa e uma rivalidade saudável", atira Lito, médio que trocou Famalicão por Barcelos em 93/94. Colega nas duas casas, com intervalo em Braga, Cacioli corrobora, relevando a "preponderância dos adeptos do Famalicão, que se deslocavam em maior número". As memórias seguem cristalinas da boca do Lombardo de Barcelos. "Em Famalicão, recordo um raio num treino que nos fez fugir para o balneário e não esqueço os dois golos que marquei, num 3-0 ao Belenenses. Deu a permanência e fiz assistência para o Menad. Passou toda a época pela minha cabeça num penálti", documenta Cacioli, que inscreveu pelo Gil um golo ao Marítimo entre os melhores de 93/94.
"Saudoso" de Vítor Oliveira, recorda a primeira ida a Famalicão como rival. "Quase fiz um golo de livre. Caso tivesse marcado, podia ter provocado uma despromoção. Um amigo ficou um ano sem me falar, achou que queria que eles descessem", recua. Lito mergulha também no baú. "Eram jogos rasgadinhos, que geravam bocas, risos e disputas mais fortes com alguém que tivesse jogado em ambos. São duas cidades que vivem o futebol. Os anos 90 traçaram o caminho, reapareceram e mostram hoje ótimas condições, são os clubes que mais cresceram", atesta Lito, que recorda vários craques que o acompanharam, elegendo a ave rara. "O Careca, cedido pelo Sporting. Só queria noite, copos e mulheres! Treinar, nada!" Cacioli carimba a visão: "Ambos criaram sustentabilidade económica, fazendo de atletas de menor expressão apetecíveis aos tubarões, como o Lino, Andrew e Pablo; Pedro Gonçalves, Ugarte e Iván Jaime".

