
Está de regresso a Portugal, após quatro experiências no estrangeiro
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Tomás Podstawski é um reforço sonante da Sanjoanense para a segunda metade da época, na qual a equipa procura garantir a permanência na Liga 3. O médio, de 31 anos, acredita que pode ajudar a salvar o clube, que vai num ciclo de oito derrotas consecutivas.
O que o levou a escolher a Sanjoanense para prosseguir a carreira, depois de seis anos fora de Portugal?
-Estava a jogar na I Liga da Polónia [Ruch Chorzów] e, quando regressei a Portugal, tive um momento de paragem na carreira. A minha filha nasceu em junho [2024] e também não tive ofertas a um nível competitivo europeu que ambicionava, apenas houve de mercados periféricos e estava habituado a outros contextos. Quando me mantive este tempo todo sem competir, andei a treinar de maneira muito profissional acompanhado por duas empresas distintas. A Sanjoanense entrou em contacto comigo e mostrei-me interessado por ser um nível competitivo de Liga 3 cada vez melhor. Achei que era um passo certo a dar neste momento e estou contente por pertencer a este grupo.
Já não joga há mais de dois anos, como se sente fisicamente?
-Estive sempre a treinar de maneira séria, com a esperança de poder integrar um grupo de trabalho e diminuir todas as diferenças que pudesse do ponto de vista físico. Já estou quase há três semanas na Sanjoanense e estou a sentir-me muito bem a nível de adaptação das necessidades e exigências físicas por parte do grupo. Claro que não tenho competição, isso só se ganha jogando, mas a única maneira de poder fazer é treinar à intensidade mais elevada possível. Agora preciso é de jogar e quero jogar. Tenho a esperança e convicção que posso ajudar este clube.
Esteve na Polónia, Noruega, Israel e Chipre. Qual das experiências gostou mais e o que retirou de cada país?
-Quando fui do V. Setúbal para a Polónia [Pogon Szczecin], gostei imenso do clube, tem infraestruturas excelentes, com grandes condições de trabalho e um orçamento interessante. A liga polaca tem vindo a crescer, nota-se que os clubes querem ser mais competitivos e aparecer também na Europa. Os estádios na sua generalidade têm boa lotação e adeptos fervorosos. Joga-se sempre com 20 mil ou 30 mil pessoas. Tive essa experiência tanto no primeiro clube como no último onde joguei e adorei. Na Noruega, foi um bocadinho diferente, a maioria dos campos são sintéticos, com um sentimento diferente do futebol no próprio país, mas estão a crescer muito com equipas interessantes como o Molde e Bodo/Glimt. Fui muito bem tratado e foi uma grande aprendizagem. Em Israel e Chipre, foram duas experiências que não correram bem, e por isso, no meu passado recente, não consegui acumular uma grande quantidade de jogos e tive dificuldades no mercado. Nesses dois países não se comportaram de maneira profissional e tive de apelar aos serviços jurídicos da FIFA. Rescindiram um contrato sem justa causa comigo duas vezes, mas ganhei os dois casos. A nível desportivo não correu bem, ainda assim gostei da experiência, joguei Liga Europa e Liga Conferência, o que é bom, mas senti que as equipas não estavam orientadas para a verdade desportiva e isso prejudicou-me.
Já conhecia alguém da Sanjoanense? O que sabe desta Liga 3?
-É uma liga cada mais competitiva. Houve um filtro das melhores equipas do Campeonato de Portugal e nota-se que os jogadores, fazendo boas épocas, podem saltar para patamares superiores, o que me deixa contente. Sabia de jogadores e treinadores que tinham passado pela Sanjoanense que foram da formação do FC Porto, como o Edu Pinheiro e Vasco Gomes e, por isso, tive ali alguma ligação. De resto, estou a gostar muito desta estrutura.
A equipa vai num ciclo de oito derrotas consecutivas. Acredita que é possível salvar o clube da descida?
-Acredito, porque a diferença pontual permite que, com a conquista de pontos de forma consecutiva, possamos saltar posições. São dez jogos difíceis. É um ciclo que tem sido negativo, mas pode ser revertido pela qualidade da equipa, da equipa técnica e individual dos jogadores, que se pode transformar numa força coletiva para atingir o objetivo. Há uma grande motivação de todos e remos o exemplo do ano anterior, em que a Sanjoanense começou muito em baixo e terminou esta fase no segundo lugar.
Em que aspetos pode ajudar esta equipa?
-O que a equipa precisa é de ganhar confiança. Nestes momentos difíceis, tem de haver jogadores que possam liderar. É preciso reerguer uma equipa para patamares de vitórias ou, pelo menos, de não perder e somar pontos, que é importante. O sentido de liderança, capacidade de posicionamento, experiência e qualidade individual vai ser fundamental, porque precisamos de ganhar. Não estamos num momento de desenvolver grande especificidade a nível de jogo, até porque as condições dos campos são difíceis, vai ser uma luta muito grande.
Campeão na II Liga e a coleção de craques com quem jogou
Com passagens pela formação do Boavista e FC Porto, foi nos dragões que Tomás Podstawski passou os melhores períodos da carreira, tendo conquistado o título de campeão da II Liga, em 2015/16. "É sempre importante passar pela formação do FC Porto. Estive lá nove anos, fomos campeões da II Liga e ganhei grande experiência a nível profissional, que mais tarde consolidei nos clubes da I Liga e no estrangeiro", revelou o médio, recordando alguns jogadores com quem trabalhou: "Lembro-me do André Silva, Ivo Rodrigues, Rafa Soares, Gonçalo Paciência, Francisco Ramos, entre outros". O internacional sub-21 português também falou dos tempos da seleção. "Trabalhei com o Bernardo Silva, João Cancelo, Bruno Fernandes e Bruma, que conseguiram chegar a patamares de excelência. Já eram jogadores muito talentosos e demonstraram uma grande capacidade de chegar ao topo", sublinhou.
