
Tomás Händel
ENTREVISTA, PARTE IV - Tomás Händel, médio do Estrela Vermelha, recorda a passagem pelo Vitória
Que balanço é que faz da sua passagem pelo Vitória de Guimarães? "Saio da minha jornada no Vitória com muito orgulho no que eu fiz. Poder ter representado o Vitória em todos os escalões da formação e, depois, ter chegado à equipa principal, acho que é o sonho de qualquer menino que entra desde pequeno no Vitória. Foi um prazer poder ter feito essas etapas todas. E o facto de poder ter capitaneado o Vitória, não só na equipa principal, mas também em alguns escalões de formação, foi muito importante para mim. Ter chegado à equipa principal valida, o meu exemplo valida todos os outros jovens que estão na Academia do Vitória de que é possível chegar lá, de que o Vitória realmente aposta na formação. E eu acho que melhor motivo que esse não há. É o clube do meu coração."
Saiu triste por não ter conseguido o apuramento às competições europeias? "Saí, saí. A época até janeiro estava a ser uma época de sonho, de recordes, de história. Depois, ficámos sem treinador e ficámos sem alguns jogadores, que faz parte do futebol também. Quando voltámos a "acordar", já era tarde. Por isso, fiquei triste, porque o Vitória é um clube enorme e nós demonstrámos no ano passado que o Vitória é um clube que tem de estar na Liga Conferência, pelo menos. Conseguimos mostrar que conseguimos dar conta do recado. Os clubes respeitaram-nos muito após a nossa caminhada na Liga Conferência, nós respeitámos muito Portugal e acho que demonstramos que o Vitória merece estar nesses palcos. Por isso, infelizmente, foi duro não poder voltar a por lá o Vitória nesta época."
O Vitória teve algumas épocas de mudança de treinadores mas, mesmo assim, deu sempre uma boa reposta. A união do grupo fez a diferença? "Ajuda muito. Acho que isso é o ponto principal. Nos anos em que estive na equipa principal do Vitória, posso estar enganado, mas acho que tivemos 10 ou 11 treinadores, por aí. É muito treinador. Houve muita mudança. Mudámos de direção, o Vitória entrou numa reestruturação total financeira. Por isso, sabíamos que só com a força do grupo, com a união do grupo, com as relações de dia-a-dia, é que podíamos ter sucesso no clube. E foi isso que aconteceu. Acho que todos os anos, mesmo depois de acontecerem tantas coisas, não só no dia-a-dia, como a mudança de treinadores, de jogadores, essas coisas todas, só uma união dessas é que poderia dar resposta à necessidade do clube. Quer queiramos, quer não, os adeptos não querem saber disso. Os adeptos querem é ganhar ao fim de semana. Querem ganhar todos os jogos. Não querem saber se há dinheiro no clube, se não há, se está a ser feita uma reestruturação. As pessoas não querem saber desse aspeto. Por isso, acho que o nosso grupo esteve de parabéns por aquilo que conseguiu conquistar."
Como capitão, que mensagem passava nessa altura? "Primeiro, sempre mostrei logo a toda a gente que era uma responsabilidade muito grande jogar no Vitória. Jogar no Vitória é diferente de jogar em qualquer outro clube, porque vive-se muito intensamente. A cidade é pequena, vive-se muito intensamente naquela bolha, todos os sentimentos que possam existir para o bem e para o mal. Por isso, era passar esse sentimento de responsabilidade de que estávamos a representar um clube diferente. Depois, também preparar um bocadinho os jogadores para que quando as coisas correrem bem, são os melhores adeptos do mundo. Mas se calhar, quando as coisas correrem menos bem, e naturalmente, porque faz parte do futebol, a reação vai ser totalmente oposta. E foi um bocadinho preparar para isso. Depois, agarrar-nos ao trabalho diário. Sempre liderei muito pelo exemplo, nunca foi preciso levantar voz, nunca foi preciso usar outro tipo de discurso, foi muito pelo exemplo, pela ética de trabalho, por o que eu fazia no dia-a-dia. Não só eu, mas todos os grupos de capitães que apanhei na fase em que estive na equipa principal do Vitória, desempenharam um papel fantástico nisso."
Ainda trabalhou com Luís Pinto. O que é que lhe destaca? "Tem muita ambição, é um treinador muito ambicioso, por ser jovem, consegue atrair, persuadir, grande parte do grupo e isso é muito importante, seja qual for a ideia que quer implementa. O mais importante é fazer com que os jogadores acreditem nela e acho que ele tem essa capacidade, apesar de ser jovem. E como é uma pessoa que esteve sempre ligada ao futebol, sabe o que é preciso, sabe o que é que é preciso no dia-a-dia, mesmo a nível de estrutura, as interligações que são precisas entre o treinador e o clube. Acho que ele liga muito bem com isso também. E, lá está, é um treinador muito ambicioso, tal e qual como o clube. Por isso, acho que foram feitos um para o outro nesta fase da carreira."
O que gostava de conquistar na carreira? "O sucesso pode ser medido de muitas formas. Se calhar, para alguns, é ganhar o maior número de títulos possível. Para outros, pode ser ter o maior número de dinheiro possível. Para outros, é outra coisa qualquer. A mim, o que me move no futebol é sentir-me feliz onde estou, sentir-me confiante e sentir que posso ajudar no sítio onde estou. É importante para mim eu sentir-me valorizado no sítio onde estou. Para ser sincero e mais específico, gostava de jogar numa das cinco principais ligas europeias e jogar num clube que me permitisse lutar por títulos nessas cinco ligas. Porque sei que sou capaz disso e gostava de ter a oportunidade de mostrar nesses sítios que sou capaz, ia ficar contente. Até lá, se isso acontecer, muito bem. Se não acontecer, também estou bem comigo porque sei que dou o meu melhor e o meu valor, por isso estou tranquilo."

