
Gianluca Prestianni
Mário Vasa
Presidente do Benfica falou aos jornalistas antes da partida para Madrid
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Rui Costa, presidente do Benfica, falou esta terça-feira sobre o caso Prestianni, na partida da comitiva rumo a Madrid, para o jogo da segunda mão do play-off de acesso aos "oitavos" da Champions. O extremo argentino, acusado de racismo por Vinícius Júnior no jogo da Luz, seguiu viagem, apesar de estar suspenso pela UEFA.
O líder encarnado foi questionado sobre as críticas com as quais o clube tem lidado e que chegam de vários lados. "As críticas baseiam-se em quê? Numa situação de jogo. O Benfica ao longo da sua história tem sido um exemplo de inclusão e não ao racismo. Tem um jogador africano como a sua maior bandeira. Há um incidente em campo que está para ser resolvido e o Benfica tem colaborado em tudo. Todos viram a quantidade de escaramuças que houve dentro de campo, num jogo de Liga dos Campeões, e o Benfica nunca se sentirá beliscado em relação à questão do racismo porque é um exemplo social", disse Rui Costa, admitindo que falou com o futebolista.
"É evidente que falámos todos. É evidente que houve uma conversa com toda a gente. É evidente que esta situação é incómoda para toda a gente. Incómoda para o clube e incómoda para o jogador, que está a ser crucificado, e garanto que não se trata de um jogador racista, caso contrário não representaria o Benfica", vincou.
Rui Costa, de resto, reconheceu que se tratou de "uma semana complicada para toda a gente". "Volto a dizer aquilo que eu disse: não desvalorizando uma situação humana, estamos a falar de uma situação de campo, onde vocês assistiram a tudo o que se passou. E, portanto, isso não belisca minimamente aquilo que é o Benfica enquanto clube inclusivo, enquanto clube antirracista, e que não permitiria nunca ter jogadores racistas dentro do plantel. Este é um ponto que eu quero deixar bem claro. Mesmo muitas vezes dentro do campo há muitas ofensas de parte a parte, com certeza que o Prestianni também foi bastante ofendido. Agora, acreditamos no nosso jogador, sobretudo porque garanto que não se trata de uma pessoa racista. Caso contrário, era eu o primeiro a tomar nota disso e a não permitir que um jogador racista representasse um clube da dimensão do Benfica, que tem na sua matriz uma história de tudo aquilo que é antirracista", assegurou. "O Prestianni fez a sua defesa. Falou sobre a sua defesa e depois protege-se o jogador que está a ser massacrado por toda a gente. Volto a dizer o que acabei de dizer: estamos a falar de um jogador, de uma pessoa, que eu garanto que não tem nada de racista. Portanto, é tão simples quanto isto e por isso merece a nossa confiança num caso como este. Volto a dizer também aquilo que eu disse ali há pouco: o Benfica não permitiria ter um jogador racista dentro do plantel", continuou, garantindo que "o Benfica estará ao lado do Prestianni". "É nosso jogador. Mas não só pelo facto de ser nosso jogador. Repito aquilo que me parece a situação mais pertinente numa situação destas: Prestianni não é racista, está a ser condenado por racismo quando não é racista. E, portanto, por isso mesmo merece o nosso apoio", rematou.

