
Rodrigo Mora com o companheiro de equipa e amigo Samu
Miguel Pereira
Jogador do FC Porto foi premiado pelos leitores numa votação promovida por O JOGO
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Aos 18 anos, Mora já só engana os adversários com fintas desconcertantes e os guarda-rede com remates teleguiados ao ângulo. A crítica, essa, está conquistada. O ano civil que agora acabou não viu o FC Porto conquistar qualquer troféu coletivo, mas todos assistiram à ascensão de um jovem craque talhado para grandes feitos. Sem receio das responsabilidades, carregou às costas uma equipa moribunda no semestre inicial de 2025, assinando oito golos que foram ajudando a disfarçar os maus resultados.
Só Samu marcou mais do que ele. Com Farioli tem assumido um papel mais corporativo, sem perder o brilho. As bancadas do Dragão idolatram-no e depois do Dragão de Ouro, Mora acaba o ano distinguido como o Jogador do Ano pelos leitores de O JOGO.
Nascido a 5 de maio de 2007. Mora é, sem dúvidas, uma figura incontornável do futebol português e ainda agora está a começar. Tinha apenas 9 anos quando, após impressionar como capitão e melhor jogador num torneio na Figueira da Foz, trocou mesmo o Custóias - bem perto da casa onde cresceu - pelo FC Porto. Estávamos em 2016 e Rodrigo Mora não vestiu outra camisola que não a azul e branca. O "adiantando mental", como o seu treinador nos sub-15 do FC Porto, Nuno Pimentel, apelidou, andou sempre a jogar um escalão acima do seu, acabando por bater vários recordes de precocidade. Após impressionar no Campeonato Europeu de Sub-17 [foi vice-campeão] e numa altura em que era titular na equipa B, passou a ser chamado aos treinos do plantel principal. Em setembro do ano passado, Vítor Bruno estreou-o com apenas 17 anos e quatro meses. Ainda não podia conduzir, mas já jogava como os grandes. O primeiro golo surgiu pouco depois, frente ao Aves SAD, tornando-se no quarto mais jovem da história do clube a marcar. Mas foi já com Martín Anselmi ao leme que o jovem prodígio "explodiu" espalhando o seu perfume por todos os relvados nacionais e internacionais onde atuou. Em maio, quando atingiu a maioridade, renovou contrato até 2030 e ficou com uma cláusula de rescisão de 70 milhões de euros. Acabou a época passada com 10 remates certeiros tornando-se no maior artilheiro entre os sub-20 que atuaram nas sete principais ligas da Europa, à frente, por exemplo, de Lamine Yamal.
As boas exibições rapidamente chamaram à atenção de vários clubes e no verão esteve muito perto de sair para a Arábia Saudita, o que o impedira de vencer a distinção dos nossos leitores. Acabou por não haver acordo com o Al Ittihad e Mora manteve-se no Dragão para regozijo dos adeptos portistas. Farioli começou por colocar alguma água na fervura do entusiasmo reinante, mas aos poucos foi-lhe dando palco. Prova disso são as 11 titularidades. Com um baixo centro de gravidade - tem 1,68 metros -, controlo de bola preciso e visão de jogo para controlar os ritmos, características fazem lembrar Messi, Mora parece que não sabe marcar feios - para ser justo tem um ou outro -, pintando obras de arte que levantam qualquer estádio. "Ele faz estes golos desde pequenino. Quem jogou com ele não se admira. Aquela ginga e as fintas sempre foram assim, é só ir ver os vídeos da formação. A questão é que ele continua a fazê-los nos seniores", descreveu um dia a mãe, Vânia Mora. Também por isso, aquele que é um dos melhores produtos alguma vez formado no Olival, já é representado pela Gestifute.


