
Rakip notabilizou-se no Malmo
Instagram do jogador
Erdal Rakip não tem boas lembranças da passagem por Portugal
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Erdal Rakip chegou a Lisboa em 2018 para reforçar o Benfica, mas acabou por não somar qualquer minuto de águia ao peito. O jogador internacional pela Macedónia do Norte, mas nascido na Suécia, contou, ao podcast Lundh, pormenores sobre o que aconteceu e garante não guardar boas recordações do clube da Luz.
"Quando cheguei ao Benfica percebi que as coisas não eram como eu tinha imaginado. Fui contratado como jogador livre após terminar época no Malmo, mas senti que não havia um plano desportivo para mim. Mal tive tempo de conhecer as instalações e já se falava em emprestar-me. O Benfica decidiu que eu devia ir para o Crystal Palace para ganhar experiência. Eu aceitei porque queria jogar, mas a verdade é que o Benfica apenas me enviou para lá porque queriam colocar-me em algum lado. Quando o empréstimo em Inglaterra terminou e eu não joguei, o meu regresso ao Benfica foi um pesadelo", lembrou.
"Quando voltei de Londres, fui colocado de parte. Eu não treinava com a equipa principal, mandavam-me treinar sozinho ou com jogadores que eles também queriam despachar. Foi uma situação muito difícil. Tu sentes-te um prisioneiro, estás num grande clube, numa cidade fantástica, mas não te deixam ser aquilo que queres: um jogador de futebol. Foi trágico. Eu e mais uns cinco ou seis jogadores fomos colocados à parte. Não podíamos treinar com a equipa principal, nem com a equipa B. Treinávamos em horários diferentes, às vezes sozinhos ou com um treinador que nem sequer era do clube. Não podíamos usar o balneário principal nem comer no refeitório ao mesmo tempo que os outros. Queriam que nos sentíssemos mal para forçar uma saída", acusou Rakip.
O jogador de 29 anos prosseguiu, falando em "jogo sujo" e lamentando a falta de comunicação. "Tentavam quebrar-te psicologicamente. Diziam: 'Tens esta oferta deste clube, tens de aceitar'. Se eu dizia que não era um bom passo para a minha carreira, a resposta era: 'Então vais continuar a treinar à parte'. É uma forma de jogo sujo. No Benfica, se não estás nos planos, passas de estrela a ninguém num segundo. Ninguém falava comigo. Não havia uma explicação do treinador [Rui Vitória] ou dos diretores. Eu estava lá, cumpria o meu horário, mas era como se eu fosse invisível. Eles queriam que eu abrisse mão do dinheiro para me deixarem sair. É um lado muito frio do futebol profissional que as pessoas não veem. Nunca tive uma oportunidade real de mostrar o que valia nos treinos com o grupo. O treinador nem sequer falava connosco. Estávamos ali apenas para cumprir contrato até que alguém cedesse. É um clube enorme, com uma estrutura fantástica, mas a forma como tratam os jogadores que não querem é muito dura", lamentou.
"Tive de abdicar de uma parte considerável do que tinha a receber. Foi o preço a pagar pela minha liberdade e para poder voltar a jogar e ser feliz no Malmo. Foi uma lição cara, mas necessária. Arrependido? É difícil dizer. O Benfica é um dos maiores clubes do mundo, era um sonho. Mas vendo como as coisas correram e a forma como fui tratado, claro que gostaria que tivesse sido diferente. Aprendi muito sobre o lado obscuro do futebol", rematou.
Rakip está atualmente sem clube depois de três temporadas na Turquia, ao serviço do Antalyaspor.

