Paulo Martins a guiar a nova chama sadina: "Vamos retirar o Vitória desta situação"

Paulo Martins comanda o Vitória de Setúbal, que aposta no regresso aos nacionais
Vitória FC
Depois da queda nos distritais, festejou-se uma subida e a atual liderança da primeira divisão antecipa um possível novo capítulo de sucesso na história. Técnico trabalha para devolver o Vitória nos nacionais. Vínculos com o passado e com os adeptos pressionam o sucesso. "Ainda não ganhamos nada", alerta o timoneiro da nova vaga de esperança.
Numa missão especial, afetiva como poucas podem ser, Paulo Martins é o técnico do Vitória de Setúbal, tentando produzir um efeito transformador, uma devolução dos sadinos a patamares nacionais, isto depois de contratempos financeiros e descalabros administrativos que foram hipotecando o lugar do histórico português em espaço competitivo mais decente.
No Sado, festejou-se uma subida na época passada e acalenta-se outra em 2025/26, face à liderança na 1.ª divisão da AF Setúbal. Mitigam-se, por ora, os estragos da sentença cruel no final de 2023/24, quando o Vitória conquistou no campo o direito de disputar a Liga 3, falhando tal concretização por problemas no seu licenciamento que implicaram queda abrupta da 2.ª divisão Distrital.
Líder destacado com apenas dois empates em 12 jogos, deixando bem atrás Olímpico de Montijo, Grandolense, Barreirense e Moitense, o Vitória prossegue firme na sua estrada vitoriosa, sem guinadas desastrosas na sua segurança. Na época passada, só concedeu três empates e uma derrota, impondo a força da sua história. Este presente luminoso tem a chancela de Paulo Martins no banco, ele que havia sido adjunto no Campeonato de Portugal.
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"Descrevo um Vitória a reorganizar-se, de pés bem assentes no chão, sabendo que está num patamar que tem de ser ultrapassado rapidamente. Até aqui, tem corrido tudo bem, porque sabemos onde estamos e para onde queremos ir", afirma o técnico, de 48 anos, antigo jogador da formação dos sadinos. "Já estou no clube desde a equipa B, conheço por dentro o Vitória de o ter representado como jogador. Aqui, as competições em que se entra só têm um propósito, que passa pelo espírito de vitória. Se as coisas não correm tão bem, em momento algum pode faltar essa crença. Foi essa imagem que foi imposta na equipa principal, toda uma cultura de vitória. É esse o estímulo que temos diariamente. A exigência dos adeptos também reforça este pensamento", assinala Paulo Martins, analisando todo o contexto que envolve o Vitória e uma luta que não poupa ninguém na resistência e resiliência. "Temos de manter a chama acesa. Com triunfos trabalha-se muito melhor, este é um caminho árduo, mas temos uma ligação que não se corta com os adeptos, que têm acompanhado a equipa em diferentes campeonatos. Mesmo nestes cinco anos na sombra, essa é a nossa realidade, e devemos enaltecer tantos que nos apoiam. A crença deles é a nossa crença", revela o treinador, que junta a paixão do Vitória aos resultados, e ainda com um conforto paralelo: a presença do irmão, Carlos André, na direção desportiva. "Apanhei a reestruturação, a estrutura está muito forte, tudo temos feito ao longo dos anos para ajudar o Vitória na sua escalada. Quando subimos ao Campeonato de Portugal sem que isso se tenha repercutido, eu fazia parte da equipa técnica. A estrutura não abalou nesse momento, estamos a gosto pelas condições à nossa volta. Há que juntar forças para mudar este ciclo muito rapidamente", atesta Paulo Martins, medindo o caudal de vitórias que empurram a embarcação sadina até aos mares onde deseja navegar.
"Estou muito contente porque, em 47 jogos, só tivemos cinco empates e duas derrotas, o resto é um saldo que exibe a nossa cultura de vitórias. Há uma comunhão entre quem lidera e os jogadores. Estamos muito focados no que queremos conquistar. Mas é preciso perceber que ainda não ganhamos nada!", alerta Paulo Martins, lembrando um pouco do seu passado e do seu encontro com a história dos sadinos.
"A minha relação com o clube vem da infância, da minha formação no Vitória, da oportunidade de ter pertencido a um plantel A. Depois tive os empréstimos. Marcaram-me o Yekini, o Vítor Madeira, o Hernâni, mas também colegas de balneário, como Hélio, Chiquinho Conde ou Kasumov. Também colegas de formação, como Frechaut, Carlos Manuel, Sandro e Marco Tábuas. São referências do Vitória, de antigamente! Todos deram muito ao clube. Custa ver o Vitória nestas andanças, mas não podemos lastimar-nos. É uma passagem e, juntos, vamos retirar o Vitória desta situação", augura Paulo Martins, rendido a um clube que consegue manter uma média de 2000 a 3000 espectadores, em palcos da distrital.

