
Oskar Pietuszeswki em criança, já com as cores do Jagiellonia Bialystok
Viagem às origens e formação do reforço portista, habituado desde pequenino a desafios. Ex-treinadores destacam o virtuosismo do segundo reforço de inverno dos dragões. Criado só pela mãe, Pietuszewski teve um problema que o obrigou a usar óculos como o mítico neerlandês. Destacou-se cedo, reforçou o caráter a cada curva sinuosa e nem uma lesão grave o travou.
Oskar Pietuszewski protagonizou uma transferência sonante para o FC Porto, quase a bater o recorde de vendas da liga polaca, apesar de ter apenas 17 anos. O potencial, no entanto, é enorme e reconhecido por todos os que com ele se cruzaram, num caminho que teve vários obstáculos para o jogador, desde pequenino.
Criado apenas pela mãe, em Bialystok, Oskar começou a destacar-se com a bola nos pés mais ou menos pela mesma altura em que aprendeu a ler e escrever, apesar de ter um pequeno problema de visão. "Ele usava uns óculos do estilo Edgar Davids. Quando não vencíamos, ficavam embaciados, mas dava para ver o Oskar a chorar. Tinha uma sede de vitória e zangava-se quando as coisas não corriam como ele queria", contou Rafal Muczynski, primeiro treinador de Pietuszewski, citado pelo portal polaco "Weszlo". Rafal treinou Oskar durante sete anos, entre uma academia na terra natal e o Jagiellonia, e desde cedo que o miúdo jogava acima do escalão. "Destacava-se logo de início. Podia pegar na bola, ultrapassar vários adversários e ganhar-nos o jogo. Mas quando as coisas não corriam bem, parecia que queria destruir o mundo", completou o ex-treinador. Coisas da idade... e da vida.
Pessoas ligadas ao clube testemunharam o amadurecimento de Oskar com o passar do tempo, normalizando os traços de rebeldia com os desafios demasiados difíceis para uma criança, que deu a volta por cima e, à custa das curvas sinuosas, ganhou coragem e moldou a personalidade. Ryszard Karalus, lenda do Jagiellonia e muito ligado ao clube, deixou um comentário curioso: "Quando analiso os jogadores, destaco coisa como velocidade, um para um, etc., no caso do Oskar, sublinhei a palavra caráter. Vi muitos talentos perderem-se porque lhes faltava isto e ele tem, sem dúvida".
Já Kamil Stanislawski apanhou Oskar já mais perto do período de formação, no Jagiellonia. "Era incrivelmente confiante. Quando o conheci, em 2017, não tinha inibições. Assumia a responsabilidade, liderava o ataque e era raríssimo perder a bola. Lembro-me de ele marcar um golo a partir do nada, recuou até à linha de meio-campo para receber um lançamento lateral, driblou toda a gente e, de forma brilhante, bateu o guarda-redes. Por vezes, ficávamos chocados ao vê-lo acelerar ou como tão bem recebia a bola dos centrais. Ficava era muito afetado quando uma jogada lhe corria mal e tínhamos de reagir para que recuperasse", detalhou o treinador, que viu o miúdo encontrar outra pedra no caminho. No outono de 2022, Oskar Pietuszewski sofreu uma lesão grave no joelho, rotura do ligamento cruzado anterior, mas não teve outra reação que não a de dedicar-se à recuperação e regressar tão depressa quanto possível. "Estava desesperado por voltar a jogar. Uma vez estava a dar treino e vi o Oskar colado à linha com aqueles olhos vidrados no relvado", contou Stanislawski, para quem o reforço portista "deve ter a maior liberdade possível num modelo de jogo", mas idealmente atrás do ponta-de-lança.


