"O Varzim está muito ligado à minha família, desde pequeno me foi incutido o amor pelo clube"

Varzim SC
Central viveu um dia especial, ajudando os poveiros a vencerem o Braga B com o seu primeiro golo como profissional. Sendo um caso de sucesso de um menino da casa que singrou, o central de 19 anos é igualmente um exemplo pela forma como consegue conciliar os estudos na faculdade com o futebol profissional.
Com apenas três anos, Miguel Vila Cova já brincava nos treinos das escolinhas do Varzim e nunca mais deixou o clube. Herdou da família a paixão pelos alvinegros, tendo como expoente máximo o tio, Alexandre Vila Cova, uma grande figura dos lobos do mar. Sempre foi um líder na formação e um aluno exemplar. Em maio de 2024, com 17 anos, o central estreou-se na equipa principal e, na época atual, marcou o primeiro golo pelo clube de coração, na vitória frente ao Braga B (3-1).
Estreou-se em casa a titular e logo a marcar um golo. Como foi viver este momento?
-Este era um jogo muito importante para a equipa e, obviamente, para mim. Jogar neste estádio, perante os nossos adeptos, era algo que ambicionava desde os primeiros treinos nas camadas jovens. Tive esta oportunidade de cumprir um sonho de criança e ainda consegui aliar uma boa exibição com um golo importante. Não podia estar mais feliz.
Tem sangue varzinista a correr nas veias com o exemplo do seu pai, que jogou nas camadas jovens, e principalmente do seu tio, grande figura do clube. Pretende seguir esses passos?
-Sim, adorava seguir os passos do meu tio. O Varzim está muito ligado à minha família e desde pequeno que me foi incutido o amor pelo clube. Quero seguir os passos deles, principalmente do meu tio, que foi uma referência do clube. Se conseguir ter o mesmo nome que ele teve no Varzim, sei que irei ter uma excelente carreira na minha cidade e no meu clube de coração.
Foi especial marcar o primeiro golo como profissional com tantos amigos e família nas bancadas?
-Não poderia ter sido mais especial, foi o concretizar de um sonho. Foi um momento incrível poder partilhar a alegria com os adeptos varzinistas. Nunca mais o irei esquecer.
Álvaro Milhazes, um dos capitães de equipa, sofreu uma lesão muito grave e fizeram questão de dedicar-lhe a vitória. Isso deu força ao grupo?
-Claro que sim. O Álvaro Milhazes é poveiro, sente o Varzim e procura sempre promover a união entre o grupo. Queríamos muito dedicar-lhe esta vitória num momento complicado e conseguimos dar essa resposta. Tenho a certeza de que ele vibrou muito com a nossa vitória.
Tem jogado algumas vezes pela equipa B, nos distritais. Há muitas diferenças?
-Sinto que, na distrital, o jogo é mais físico e direto, enquanto na Liga 3 o ritmo é mais elevado e há um maior rigor tático, porque todos os detalhes são importantes. Sem dúvida que os jogos na equipa B ajudaram-me bastante a evoluir e a crescer. Considero-me um jogador resiliente, que gosta de aprender.
Sente-se preparado para singrar ao mais alto nível?
-Sinto que estou a evoluir. Com os treinos fui-me preparando para este momento e o tempo de jogo ajuda a melhorar e a evoluir a minha capacidade dentro de campo. Ainda estou no início e o caminho é longo, mas a ideia é crescer para ser um jogador mais forte.
Como tem sido a época do Varzim até ao momento? Esperavam mais?
-Tem sido uma época de muito trabalho e de muita aprendizagem. Não diria que esperávamos mais, mas sabemos o nosso potencial e queremos mostrá-lo de forma mais consistente até ao final da época.
Pelo que tem visto dos adversários, o objetivo da subida de divisão é possível?
-Sabemos que o campeonato é competitivo, mas também sabemos o valor que temos. Com trabalho, consistência e o apoio dos nossos adeptos, acredito que a subida está ao nosso alcance.
Mesmo estando a estudar, quais os seus sonhos no futebol?
-O meu sonho passa por chegar ao mais alto nível do futebol. Para isso é preciso muito trabalho e crescer passo a passo. No futuro próximo, ambiciono afirmar-me no Varzim.
Sonha jogar com o Varzim na I Liga?
-Claro que sonho em jogar na I Liga pelo Varzim. Ficaria muito feliz como jogador e também como adepto que sou do clube. A minha família conta-me várias histórias do Varzim na I Liga e tenho esse sonho para concretizar.
Concilia alta competição com curso de gestão de empresas
Convicto de que o futebol e os estudos podem andar de mãos dadas, Miguel Vila Cova apostou na vida académica, ao ingressar este ano no Instituto Politécnico do Cávado e do Ave (IPCA), em Barcelos, entrando no curso de Gestão de Empresas com a melhor nota (18,6 valores). "Acredito que o futebol e os estudos podem caminhar juntos. Desta forma, estou a lutar diariamente pelo meu sonho no futebol, mas também a preparar um plano B e o pós-carreira", disse o jogador natural da Póvoa de Varzim, que estuda em regime pós-laboral, tendo aulas entre as 18h00 e as 21h40. "Tenho conseguido conciliar as duas coisas muito bem, até porque, desta forma, consigo abstrair a cabeça do futebol, e tornar o dia mais produtivo", garantiu Miguel Vila Cova, que dá prioridade à carreira de jogar sem nunca descurar a vida académica.
