O meu 25 de Abril | "Se havia um aproveitamento do futebol por parte dos políticos..."

António Figueiredo (Créditos: Pedro Rocha/Global Imagens)
50 anos do 25 de Abril >> António Figueiredo, antigo dirigente do Benfica, recorda o dia da Revolução dos Cravos e analisa o que mudou no futebol em Portugal ao cabo de 50 anos de democracia
Onde estava no 25 de Abril?
Trabalhava numa companhia de seguros perto de minha casa e no dia 25 de abril ainda não tinha saído para ir trabalhar quando me telefonaram a avisar que estava em marcha o golpe de Estado, a revolução. À tarde ainda fui ver o movimento que se vivia nas ruas, mas estava tudo relativamente calmo. Eu ainda era novo, tinha estado muito tempo na tropa, tanto cá como em Angola, e também na guerra. Mesmo depois do 25 de abril, viveram-se momentos muito complicados porque estava a preparar-se outra ditadura. Não aconteceu, também por causa do movimento do 25 de novembro, caso contrário estaríamos hoje como a Venezuela, mas sem petróleo.
Como analisa a evolução do futebol de então para cá?
No futebol acho que não mudou nada, ficou tudo igual. Se havia um aproveitamento do futebol por parte dos políticos, esse aproveitamento começou a vir mais ao de cima após o 25 de abril. Antes não havia tantas misturas, só se via alguém na final da Taça de Portugal, normalmente o presidente ou um ministro. Havia a ligação do presidente Américo Tomás ao Belenenses, mas não havia uma ligação tão forte como passou a haver depois, com os políticos e o futebol a aproveitarem-se uns dos outros. De resto, é o que todos perceberam, o futebol industrializou-se.
