"Não trocaria um título por colocar mais cinco, seis ou sete jogadores na equipa A"

Gil Lameiras
Vitória SC
Gil Lameiras aponta como objetivo fornecer jogadores a Luís Pinto, o que não invalida um trajeto de excelência. O treinador do Vitória B, que está no clube há dez anos, terminou a fase regular da Liga 3 no primeiro lugar, vindo do CdP. Em dezembro, renovou por mais duas temporadas.
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O Vitória B de Gil Lameiras foi uma das grandes surpresas da Liga 3, ao terminar a fase regular no primeiro lugar, após ter competido no CdP. Em entrevista a O JOGO, o treinador fala sobre este sucesso e projeta a próxima fase.
Vindo do CdP, o Vitória B foi líder na fase regular. Surpreendeu-o?
-Pode ter surpreendido muita gente que não acompanha o nosso trabalho, por termos um plantel renovado, muito jovem, uma equipa que não começou da melhor forma o campeonato, fruto dessas alterações e por na época passada termos disputado o CdP. Não me surpreende, pelo que fazemos no dia a dia.
Nos primeiros oito jogos, a equipa só ganhou um. Sentiu algum peso?
-Por acaso, esses primeiros jogos só com uma vitória coincidem com a minha renovação de contrato [oficializada em dezembro], o que demonstra uma confiança grande do clube em mim e na minha equipa técnica. O peso que senti é o que coloco em cima de mim, no sentido da exigência, de querer todos os dias ser melhor. Sabemos que queremos formar bem, com competência, mas também a ganhar, apesar de esse não ser o principal objetivo. A equipa foi a mesma, no início não tivemos sorte num ou noutro jogo, não só nos aspetos técnico-táticos, mas em questões que não controlámos. Depois, a equipa começou a conhecer-se melhor; muitos jogadores vindos da formação e de fora foram a chave.
Há algum jogador que se tenha destacado?
-Às vezes é injusto destacar um jogador porque o coletivo é o grande responsável por este mérito, mas houve jogadores que conseguiram uma consistência maior como o nosso capitão, o Hugo Nunes, que teve lesões noutras épocas, que não lhe permitiram mostrar-se, juntamente com o Ricardo Rocha, que por vezes já integra a equipa A. Os nossos guarda-redes, o José Ribeiro e o Guilherme Cardoso; o Rodrigo Silva, o André Oliveira, o Francisco Dias e o Miguel Nogueira, que nos têm vindo ajudar, mas isto é fruto de um grande trabalho coletivo.
Contra o Varzim, teve uma derrota dura com um adversário a marcar de costas no último lance. Como reagiram a isso?
-Quando somos uma verdadeira família, é nesses momentos menos bons que a equipa se demonstra. Termos apoiado de imediato o guarda-redes foi a grande vitória não neste campeonato, mas pelo que estamos a construir com uma união muito grande. Quando um de nós falha ou está mais em baixo, a demonstração desta família vem ao de cima. Naquele momento, o Guilherme Cardoso colocou o apuramento um bocado em xeque, mas é um jovem, de 19 anos, e preferimos que cometa estes erros na equipa B do que na A. Foi um momento difícil para ele e para a equipa, mas uniu-nos ainda mais e demos uma resposta no jogo seguinte.
Houve algum jogo que sentiu que o apuramento não falharia?
-O jogo com o Fafe deu-nos uma confiança diferente porque sabíamos que dependíamos única e exclusivamente de nós contra um adversário que tinha eliminando o Braga na Taça de Portugal e não representava o lugar que ocupava na tabela. Depois de tudo o que se passou no Varzim, esse foi o momento em que os níveis de confiança colocaram-se um bocadinho mais acima, assim como o jogo em que fomos vencer a casa do líder Trofense.
Vê o Vitória B como um dos favoritos a subir?
-Há várias equipas que partem em vantagem porque têm outros argumentos, fruto de alguma experiência e valores individuais. O Belenenses por todo o trajeto que fez na primeira fase, com o Mafra, que também tem bons valores. O Varzim na nossa série, o Trofense... No fundo, o Vitória, tal como o U. Santarém e o Amarante, partem um bocadinho fora dos favoritos. Não trocaria um título por colocar mais cinco, seis ou sete jogadores na equipa A como aconteceu no ano passado. O que queremos é sermos iguais a nós mesmos, jogarmos olhos nos olhos contra qualquer adversário, com muita personalidade e garra.
Como se define como treinador, o mérito também é seu?
-Também tenho mérito, seria hipócrita se não o dissesse, mas não faço isto sozinho. Há um trabalho grande por parte do clube em termos de investimento em vários departamentos, tenho uma equipa técnica muito forte à minha volta, jogadores que acreditam nas minhas ideias e partilho este mérito com o clube porque sozinho ninguém chega longe. Defino-me como um treinador que gosta de dominar jogos, com personalidade, agressivo em termos de jogo e exigente.
Gozo pela Taça da Liga e olhar aos campeões mundiais de sub-17
A conquista da Taça da Liga por parte do V. Guimarães também deu um gozo especial a Gil Lameiras, visto que Luís Pinto utilizou cinco jogadores que passarem pela equipa B, casos de Noah Saviolo, Rodrigo Duarte, Diogo Sousa, Strata e Gonçalo Nogueira. "É sempre um sentimento especial perceber que houve um pequeno contributo da equipa B, que no ano passado estava no Campeonato de Portugal, um campeonato que muita gente diz que é fraco. Fico muito contente por eles e é para isso que trabalho", revelou Gil, referindo que tem "uma relação diária com Luís Pinto", em que falam da promoção de jogadores. "Não se pode ter medo que errem porque estão a maturar-se". Santiago Verdi e Zeega, campeões mundiais de sub-17 também foram elogiados pelo treinador. "Foram recebidos com muito orgulho e felicidade porque representaram o Vitória. O futuro que lhes prevejo é que têm de trabalhar, pois o facto de serem campeões do mundo não lhes vai dar mais benesses do que a outros".
