"Não olhem para nós como os patinhos feios, ainda vamos fazer coisas muito boas"

João Henriques
Lusa
Declarações de João Henriques, treinador do Aves SAD, na antevisão ao jogo com o Casa Pia
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Casa Pia: "O Casa Pia teve uma alteração técnica. O Álvaro Pacheco é um treinador que gosta de colocar intensidade nas equipas e isso acaba por funcionar como uma terapia emocional para os jogadores, o que é normal. É uma equipa da qual se esperava um campeonato mais tranquilo, porque tem um conjunto de jogadores de qualidade, mas isso não aconteceu como desejariam. Vamos encontrar um adversário com esse balão de oxigénio diferente. Tem bons jogadores e um treinador que conhece bem o nosso campeonato."
Pressão? "Não sinto pressão extra nenhuma. É a mesma pressão desde que entrei, mas temos consciência de que cada semana que passa vai encurtando a possibilidade de fazer mais pontos. O que vejo são os comentários das pessoas que acompanham os treinos: nem parece que o grupo está na posição em que está, pela forma como trabalha e pelo otimismo com que encara o jogo. Vamos com o mesmo sentimento, acreditando muito que a qualquer momento possamos ser mais felizes do que anteriormente. Os erros individuais são uma questão que temos de tentar controlar. Temos de estar 11 contra 11 o tempo inteiro, errar menos do que o adversário e fazer aquilo que trabalhamos durante a semana. Se conseguirmos isso, acredito que podemos trazer pontos deste jogo com o Casa Pia."
Peso emocional e justiça: "Era muito bom para todos os rapazes que estão desde o início. Tem sido muito pesado para eles. Os jogadores acreditam, veem que têm capacidade, mas depois acaba o jogo e a frustração é enorme. É muito tempo sem vencer, já vem da época anterior. Os jogadores que transitam da época passada sentem uma frustração enorme. Merecem ser felizes. São profissionais extraordinários, querem muito mudar o rumo dos acontecimentos e merecem essa felicidade. Uma vitória vai libertar mais o grupo e permitir fazer coisas muito boas neste campeonato. Olham para nós como condenados, mas aqui ninguém atirou a toalha ao chão."
Parabéns após jogo com o Arouca: "Depois do jogo com o Arouca dei os parabéns aos jogadores. Fizemos um jogo fantástico e, mesmo com menos um jogador, merecíamos mais. O que fizemos na segunda parte, não permitindo situações claras ao adversário, é demonstrativo do caráter da equipa. Ficámos com a sensação de que, 11 contra 11, teríamos uma grande possibilidade de ganhar o jogo. Jogar com menos um condiciona muito. Mesmo assim, remetemos o adversário para situações desconfortáveis por mérito dos nossos jogadores. Mesmo a jogar com mais um, o Arouca mostrou muito receio. Estava mais preocupado com a possibilidade de sofrermos um golo. Se o tivéssemos conseguido, iríamos claramente à procura do golo da vitória. Em condições normais, teríamos tirado coisas muito mais positivas desse jogo."
Não são patinhos feios: "Continuo a acreditar muito. Até ao último apito da época vamos estar presentes em todos os jogos, competitivos e sempre a lutar pelos três pontos. Não ando a enrolar ninguém. Os jogadores sabem exatamente para que posição estão a trabalhar, é tudo muito claro. Existem incertezas sobre quem chega, mas quem chega é apresentado como alguém que vem para lutar pelo lugar, porque ninguém tem o lugar garantido. É muito tempo a levar pancada. Por vezes é responsabilidade dos jogadores, outras vezes de quem está à volta deles. As expulsões pesam muito, como aconteceu com o Nacional e com o Arouca. Fomos penalizados fortemente por erros individuais que prejudicaram a equipa e que foram assumidos pelos próprios. Não olhem para nós como os patinhos feios, porque ainda vamos fazer coisas muito boas nesta época."
Momento: "Olhando para o contexto, é um desafio que nunca tinha tido desta forma, nunca com uma diferença tão grande. Apenas no Marítimo, quando cheguei à sexta jornada com zero pontos. Depois, quem veio a seguir a mim ainda conseguiu chegar ao play-off. Continuamos muito confiantes de que as vitórias vão aparecer. Não vamos olhar para a parte final da tabela. Vamos tentar manter uma média de cinco jogos, sete pontos. Não há outra forma. Isto são ciclos. Este está a ser demasiado longo, mas são momentos que mudam. Acredito muito nas premissas que a vida nos vai dar."
