
Guimarães, 15/11/2018 - Entrevista a André André, jogador do Vitória Sport Clube, no Estádio D. Afonso Henriques. André André (Miguel Pereira/Global Imagens)
Miguel Pereira/Global Imagens
Na primeira grande entrevista desde que trocou o FC Porto pelo Vitória, André André assumiu não estar arrependido pela decisão. No Minho reencontrou a paixão e o prazer de jogar
Pouco recetivo a falar do FC Porto, clube que representou nas três últimas temporadas, André André não se alongou em explicações quanto à saída do Dragão. "Tomei uma decisão e quando faço isso nunca me arrependo. Não me arrependo de ter saído do FC Porto. Eu sei a qualidade que tenho e tento mostrá-la todos os dias, em todos os treinos e em todos os jogos. Depois, cabe ao treinador fazer escolhas", disse apenas o médio, virando-se depois para o regresso ao Vitória. "Era um namoro antigo e sabia que ia voltar um dia a representar este clube".
https://d3t5avr471xfwf.cloudfront.net/2018/11/oj_andre_andre_2_20181118125905/hls/video.m3u8
André André tem dois títulos conquistados. Em 2012/13 ganhou a Taça de Portugal com o Vitória, tendo jogado os 90 minutos da final, e ganhou o campeonato pelo FC Porto em 2017/18
Qual é o seu "feeling" para a Taça de Portugal?
É ir à final e ganhar. Na conquista de 2013 também estava com "feeling"; aliás, estou sempre convicto que vou ganhar, tenho este bichinho comigo, gosto de ganhar títulos por onde passo e no Vitória também os quero ganhar.
O que será uma boa época?
Ir às competições europeias e ganhar a Taça de Portugal seria fantástico.
Estar no Vitória dificulta mais o regresso à Seleção Nacional?
Todos os dias trabalho com ambição. Continuo a pressionar-me em relação a esse objetivo, mas no bom sentido, isto é, de querer estar sempre a melhorar enquanto jogador. E ser chamado à Seleção é o auge para qualquer atleta.
Como é que um jogador se motiva ao fim de tantos anos a jogar?
Eu não consigo acomodar-me. Se tivesse 35 ou 36 anos continuaria a trabalhar diariamente no máximo; não consigo acomodar-me, nem ir abaixo com algo que me aconteça. Eu até posso não voltar à Seleção, mas vou dar sempre tudo para lá voltar. Quero chegar a casa com a consciência que dei tudo para atingir os meus objetivos. Pode não acontecer, mas eu vou fazer tudo para que aconteça.
Essa mentalidade deve-se a fazer parte de uma família de jogadores?
Se calhar, sim. O meu pai ensinou-me muitas coisas e uma delas é não desistir; algo pode correr mal, mas é preciso tentar sempre a segunda vez.
Se pudesse transportar para si uma característica do seu pai enquanto jogador, qual seria?
Um bocadinho de cabedal.
Mas para isso pode ir ao ginásio...
Não chega. Ele tinha uma estrutura física bem mais forte do que a minha, era cada perna... Temos a mesma mentalidade na vontade de jogar, uma mentalidade vencedora, de nunca desistir e de trabalhar sempre em busca dos objetivos. Quem é o melhor? Não sei. Eu posso achar que sou eu, mas ele tem aqueles títulos todos, por isso...
