Mourinho: "Tomás Araújo jogou porque ele e o doutor fizeram uma coisa que amo..."

Declarações de José Mourinho depois do Benfica-Famalicão da 15.ª jornada da I Liga
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Tomás Araújo foi titular e controlou bem a profundidade na primeira parte, passou à frente de António Silva na hierarquia? "Como deu para ver, ou se calhar é difícil de ver, mas quando tive de o substituir, foi fácil para mim. Nenhum tipo de receio porque vamos perder um central que está a jogar bem, com Otamendi, Tomás e António Silva, estou tranquilo. Têm caraterísticas diferentes, o Tomás se calhar é mais rápido ainda e tem caraterísticas diferentes do António, mas o António também é bom nos duelos frontais e nós em centrais estamos muito bem. A equipa B, até nos sub-23, o Rui Silva é outro com grande potencial, aí estamos tranquilos".
A partir dos 70 minutos temeu que o Famalicão empatasse? O adversário sentiu dificuldades a sair da pressão: "Ou não quis, ou o treinador disse para não sair. Receio, sou honesto, quando se ganha 1-0 se alguém lhe diz que não tem receio, ou é ultraconfiante ou é mentiroso. Tenho receio porque às vezes o golo aparece sem que nada o fizesse prever. O que disse à equipa quando meti o Rêgo foi que não vamos, num jogo que temos completamente controlado, fazer construção baixa, contra uma equipa que finalmente nos está a apertar mais. Não vamos dar bola ao Trubin e criar-lhe dificuldades, vamos criar jogo. A intenção com Rêgo e Manu foi mesmo essa, com perna e motor e jogo controlado. Obviamente que há sempre receio".
Disse que a equipa não tremeu e soube controlar a vantagem. Este é um dos principais sinais de evolução desde que chegou? Este tipo de vitória, que impacto tem? "O impacto é os jogadores perceberem que quando cumprem rigorosamente e jogam concentrados, com humildade, empatia funcional entre eles, mesmo quando não se joga de maneira brilhante, com um resultado que deixa sempre aberto, a equipa sente-se confortável. Se preferia ter ganho 2-0 ou 3-0 com um jogo brilhante, sim, mas quando não se pode fazer isso, há que dar mérito a quem te impediu de fazer um jogo brilhante. Acho que é importante ganhar e ganhámos no fundo por sofrer, não pelo jogo, mas pelo resultado. Eles fizeram um remate à baliza, num lance em que perdemos a bola em zona frontal, mas estava controlado".
Disse que é indiferente jogar com Tomás Araújo ou António Silva, porquê o Tomás a titular se depois teve de sair? E ausência de Barreiro: "O Tomás jogou por uma razão muito simples, porque ele e o doutor fizeram uma coisa que amo: não disseram nada. Ele quis jogar mesmo não estando bem e o doutor foi com tudo. Pensaram que era possível ele jogar o jogo todo, não disseram nada para influenciar essa decisão e amo isso. Gosto muito de trabalhar com doutores desses, que sentem empatia com o jogador e depois o treinador logo sabe. Sobre Barreiro, a minha conferência de ontem - não sabia que tinham tantas saudades minhas, aí sim criou-se um tsunami - mas ele antes do treino sentiu [uma lesão] e não foi convocado".

