
José Mourinho
AFP
Declarações do treinador do Benfica após a derrota (2-0) em casa da Juventus, na sétima ronda da Champions
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Qualificação é impossível? "Mesmo que seja praticamente impossível, o praticamente não é impossível. A cultura que temos neste grupo é que, independentemente dos objetivos, quando o Benfica joga tu tens de dar o que tens, tens de jogar com a responsabilidade de seres Benfica e dares o teu máximo. Portanto, não muda muita coisa o facto de ser praticamente impossível. Sabemos que é o Real Madrid, sabemos que somos neste momento um Benfica com limitações, mas vamos com tudo, como fomos hoje. Tínhamos de fazer golo. A jogar como jogámos, a criar como criámos, a dominar como dominámos, a ter a coragem que tivemos. O perfil de equipa com que jogámos, em que, tirando os quatro defesas, não havia nenhum jogador de cariz defensivo, temos de fazer golo e ganhar. Quando isso não acontece, abres a porta para poder sofrer, principalmente quando jogas com equipas com jogadores deste nível. Eu, infelizmente, estava no banco com o meu olfato de quem tem 1250 jogos e estava a dizer aos meus colegas que, da maneira como o jogo estava, se não fizéssemos golo iríamos acabar por sofrer. A equipa joga bem, constrói, sai de zonas de pressão com beleza. Chegamos à segunda fase com grande qualidade e depois nos últimos 20 metros é difícil fazer golos. Contra o Rio Ave, se matas sais dali com o saco cheio, mas ganhámos 2-0 e com um autogolo. Temos dificuldades para fazer golos, os nossos alas cada vez jogam melhor, mas não fazem golos, a segunda linha não são, por características, jogadores de fazerem golos, e hoje nem de penálti fizemos. É um bom jogo do Benfica, não tenho dúvidas disso, mesmo perdendo o jogo. Os jogadores deram o que têm e deram muito. Há aqui gente que acumula minutos... Aursnes, Barreiro, Dedic, Dahl, Pavlidis. Dão tudo aquilo que têm, mas já está e agora é pensar no Estrela da Amadora."
Rafa pode ser solução? "Não lhe posso responder, porque não é jogador do Benfica."
Faltaram armas no banco? "Sem dúvida. O nosso banco tinha o Enzo [Barrenechea] com um braço, o Manu ainda com alguns problemas, o Bruma que ainda não está em verdadeiras condições para jogar. Na linha defensiva, um António Silva com condições para ser titular, mas depois [José] Neto, Banjaqui, Gonçalo Oliveira, Rodrigo Rêgo. João Rego já num estado diferente, pode-se ver que entra e está já num habitat que domina, já está numa fase diferente. Num plantel como o nosso é muito coisa... Bah o ano inteiro, Lukebakio, Ríos [todos lesionados], limita-nos bastante. Prefiro, obviamente, ganhar, mas a perder que seja com este sentimento de que os rapazes fizeram tudo aquilo que podiam em vez de como perdemos contra o Braga na Taça da Liga, por exemplo."

