Mourinho: "De táticas e dinâmicas não sei nada. Têm de perguntar a quem fala..."

José Mourinho
SL Benfica
Declarações de José Mourinho na sala de imprensa depois do triunfo (2-0) do Benfica frente ao Rio Ave, na ronda 18 da I Liga
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A melhor primeira parte do Benfica na I Liga? "Sinto que seja, mas temos feito alguns bons jogos e outros não tão convincentes. A nossa carreira fora de casa tem sido muito convincente, a maneira como se ganhou em Guimarães, como se ganhou em Moreira de Cónegos, neste jogo. Não quero falar do empate no Dragão e em Braga, porque são empates e não vitórias. Tem sido muito convincente. Uma primeira parte muito boa, muito forte. 0 2-0 era curto para aquilo que tínhamos feito contra uma boa equipa. Estou super satisfeito com aquilo que os jogadores fizeram."
Muito se tem falado de que o Benfica joga sem extremos, de que Barreiro não é o melhor 10 e que Sudakov joga melhor no meio. Essas críticas tiveram efeito para desenhar o onze? "Têm de perguntar a quem fala, de táticas e dinâmicas não sei nada. Quem fala dessas coisas, é gente que sabe muito. É melhor falarem com eles."
O que guarda deste jogo, a primeira parte ou as pequenas alterações táticas? "A coisa mais importante depois da tristeza de uma derrota, conseguir ter energia mental, crença e autoestima para chegar aqui e se fazer o que se fez. Jogando 90 e tal minutos na quarta-feira passada no norte, uma viagem triste e longa. Decidimos viajar só hoje e de avião no dia do jogo, o que é contranatura, ter ficado em casa mais um dia e tentar transformar a tristeza e frustração de uma derrota em positividade, ao invés de se agarrar à derrota, agarram-se ao que se fizeram, que foi tudo menos merecedor de uma derrota. Foram capazes de o fazer. Depois a dificuldade acrescida em função de tantas lesões que temos. A presença do Enzo [Barrenechea] no banco é duvidosa, o Manu ainda não está bem, o Bruma está longe de estar bem. Fizemos dois jogos fora de casa, contra duas equipas difíceis, depois de viagem para baixo e para cima, praticamente com os mesmos jogadores e mudando um ou dois, mas tendo pouca coisa para mudar. Os jogadores também merecem palavras positivas e da minha parte um respeito tremendo por aquilo que fizeram nos últimos dois jogos. Neste jogo, com gente fatigada e conseguir chegar aqui e ganhar de maneira expressiva. O resultado pode não ser expressivo, mas o modo como eles jogaram e controlaram o jogo é expressivo."
Como é que conseguiu contornar as derrotas e as dificuldades? "A forma de motivar e preparar a equipa para este jogo é seguindo um princípio básico, que é pessoas que não percebem, não querem perceber ou se divertem a criticar, é um princípio muito básico que é da justiça. Quem joga como se jogou no Dragão, com a entrega que os jogadores tiveram, com coragem... e tratei-os com justiça. Justiça é carinho, empatia e compartir, conversar, dialogar. Não ir para o lado de resultado, derrota, eliminação. Ir para o lado de grande jogo, grande personalidade, grande domínio. Ir pelo lado da justiça. Analisado o Rio Ave, tentámos encontrar um modo, com os jogadores que tínhamos à disposição, tentar encontrar um modo de dominar o jogo e criar perigo, porque com os jogadores que tínhamos em campo e os que tínhamos no banco, onde estavam três jogadores limitados [Manu, Bruma e Enzo]. O miúdo Rego e o miúdo Neto, e o senhor António Silva, que é daquela posição em que estamos tranquilos também com o senhor Tomás Araújo e o senhor Otamendi, que são uma grande dupla de centrais. Com estas limitações, tentar ir para um jogo onde é importante ter muito equilíbrio também. Dominar, mas equilibrar e ter atenção no momento em que podemos perder a bola. Não perdemos muitas, porque a equipa estava organizadinha, os jogadores foram muito bravos. Não foi feito nada de especial, não só da minha parte. O presidente falou com os jogadores alguns minutos antes do jogo, o Mário Branco ontem, o Simão Sabrosa há dois dias, toda a gente foi justa com os jogadores e eles responderam a essa justiça com uma grande performance."
