Luisão: "Nunca me calarei diante da discriminação de uma minoria que não representa o clube que amo"

Luisão, ex-jogador do Benfica
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Ex-jogador dos encarnados reagiu novamente aos alegados comentários racistas de Prestanni contra Vinícius
Indignado contra os alegados comentários racistas proferidos por Prestianni a Vinícis Jr. no jogo do Benfica frente ao Real Madrid, Luisão voltou a falar sobre o tema depois de ter saído em defesa do extremo madridista.
Desta vez, o antigo jogador deixou claro que continua a apoiar o Benfica, clube que diz "amar".
"Passei grande parte da minha vida no Benfica. Cresci como jogador, como homem e como capitão. Conquistei títulos, vivi noites inesquecíveis e defendi aquela camisola com tudo o que tinha. O Benfica é parte da minha história. E é exatamente por isso, e não apesar disso, que me sinto na obrigação de falar. Nos últimos dias, posicionei-me contra qualquer forma de racismo no caso que envolve o Vini Jr. Não por nacionalidade, nem por polémica, mas por princípio. Racismo não tem clube, não tem camisola, não tem lado. E não pode ser relativizado", começou por escrever nas redes sociais, apontando que dançar para celebrar um golo - gesto que terá dado origem ao comentário "macaco" contra o jogador - é um festejo amplamente utilizado no futebol.
"Tudo começou com uma comemoração, um gesto de alegria após um golo. E é preciso dizer o óbvio: dançar não é desrespeito, é expressão. O futebol sempre foi emoção. A alegria de uns é o lamento de outros. Sempre foi assim. Grandes jogadores celebraram a dançar: Cristiano, Ronaldo Fenômeno, Ronaldinho... A dança nunca foi o problema. O que não pode ser aceitável é transformar uma comemoração em justificativa para ofensas racistas. Nada justifica isso. Nem provocação, nem rivalidade, nem o calor do jogo. Um estádio não é um território sem valores. O respeito continua a valer dentro dele", acrescentou.
Na publicação, Luisão recorda também os tempos em que jogava e escolheu ignorar provocações como esta. Depois de ter apoiado Vinícius, anotou, foi alvo de uma nova onda de racismo. "Também fui alvo de ofensas, inclusive racistas, depois de me manifestar. Isso dói, mas não me fará recuar. Posso ter ignorado provocações desportivas ao longo da carreira, mas nunca me calarei diante da discriminação de uma minoria que não representa o clube que amo. O Benfica tem uma história enorme, respeitada no mundo inteiro. Uma história maior do que qualquer episódio isolado. É isso que precisa de prevalecer. O meu amor pelo clube permanece intacto, assim como o respeito e a gratidão pelos seus adeptos. O meu apoio é inegociável, na Luz ou em qualquer estádio. O futebol é paixão e intensidade. Mas, antes de tudo, é humanidade. E humanidade não admite racismo. Que saiamos deste episódio melhores. Como clube, como adeptos, como sociedade. Porque jogos passam. Títulos passam. Mas caráter e valores ficam", lê-se.

