"Jamais esqueço quem me ajudou. Serei sempre assim, apenas o Rui de Mirandela como dizem muitas vezes"

Rui Borges
AFP
Declarações de Rui Borges, treinador do Sporting, na antevisão ao jogo decisivo com o Athletic Bilbau (quarta-feira, 20h00), a contar para a oitava e última ronda da fase de liga da Champions.
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Há sete anos era treinador do Mirandela. Hoje está a preparar um jogo de Liga dos Campeões, onde luta para ficar nos oito primeiros. Onde mais evoluiu? "Era mais magro, tinha menos brancas, estava a começar. A evolução faz parte. Tudo o que nos vai acontecendo e os desafios diários fazem parte do crescimento, obriga-nos a crescer. E o crescimento deve ter sido bom, porque chegámos ao Sporting. Por acaso, o Fernando, que é meu adjunto, vinha a mostrar umas fotos desse ano no avião e vínhamos a rir-nos um bocado. Há sete ou oito anos se calhar ninguém diria que iríamos estar no Sporting neste momento a disputar a Liga dos Campeões, num grande estádio, com uma grande equipa e um trajeto fantástico. Cada clube em que passámos foi importante para o nosso crescimento. Todos eles. Agradeço a todos eles, o desafio foi sempre diferente e fez-nos crescer. Estamos num crescendo e sempre a aprender uns com os outros. Tudo começou com 26 anos e comecei a treinar na formação do Mirandela, onde tive a felicidade de trabalhar em todos os escalões, desde sub-6 ou sub-7 aos sub-19. Fez-me crescer e estar preparado para o que foi o nosso caminho."
Valverde disse que o Sporting tem muitos argumentos sobretudo no ataque. Qual pode ser a chave para ganhar? "A chave tem a ver com a nossa humildade, com a capacidade de perceber o momento do jogo e o que teremos de fazer em cada um deles, dado a qualidade do Athletic, dado o ambiente em si, e não deixarmos que mentalmente mexa connosco. É natural que digam que em termos ofensivos temos sido muito fortes, mas também o temos sido em termos defensivos, se não não tínhamos os pontos que temos. Esse equilíbrio que nos trouxe aqui com esta pontuação é o que temos de ter amanhã perante uma equipa que quer ganhar para garantir o play-off. É uma excelente equipa, bem orientada, com um grande treinador. Temos de perceber os momentos do jogo, perceber e lidar com o ambiente. É uma equipa fortíssima nas transições ofensivas, temos de ter algum equilíbrio e cuidado nesse sentido, gostamos de ter bola e temos de estar preparados para esses momentos de perda, para não nos expormos a problemas."
Como se sente a triunfar agora na Champions? "Sinto-me uma pessoa muito simples e o Casio está lá sempre. 19,90 euros. Lembra-me o que foi o meu trajeto, de onde vim e o quanto me custou chegar aqui. Não é por estar aqui agora que vou ter um relógio de mil ou quinhentos euros, o que for. É exatamente a mesma coisa. É um cronómetro. Agora os estádios têm todos cronómetro, nem precisava de relógio. Define bem o que sou. Sou uma pessoa simples, honesta, direta. Vou ser sempre assim, não consigo ser de outra forma. Sou simples e humilde q.b., porque às vezes a humildade em excesso é vaidade, então para mim não funciona. Sou muito honesto e direto com toda a gente, amigo do meu amigo, jamais esqueço quem me ajudou, serei sempre grato a quem me ajuda. Serei sempre assim, apenas o Rui de Mirandela como dizem muitas vezes."

