"Há uma queda de quem está na política de se tentar encavalitar nos êxitos futebolísticos"

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Manuel Fernando Araújo/LUSA
Rui Rio responsabiliza o aproveitamento político dos êxitos desportivos pelo ambiente "absolutamente insuportável" no futebol português.
O presidente do PSD, Rui Rio, responsabilizou esta quarta-feira o aproveitamento político dos êxitos desportivos pelo ambiente "absolutamente insuportável" em torno do futebol, e aconselhou a classe política a guardar distâncias para encontrar soluções.
"Quando as pessoas que estão na política e na vida pública aproveitam, muitas vezes, os êxitos do futebol para se promoverem a si próprios, eu acho que naturalmente estão a criar dificuldades a tentar resolver o problema. Resolver o problema é guardar distâncias e, com essa distância guardada, ter a autoridade moral e a autoridade ética para encontrar soluções", defendeu o líder social-democrata, à entrada para a reunião do Partido Popular Europeu, em Sófia (Bulgária).
Rui Rio esclareceu não estar a falar especificamente do primeiro-ministro, António Costa, mas sim "dos agentes políticos dos partidos quase todos".
"Há uma queda natural de quem está na política de se tentar encavalitar nos êxitos futebolísticos. Misturam-se com essa componente extraordinariamente emocional e nada racional, quando nós na política temos de fazer um esforço de racionalidade", acrescentou.
O presidente do Partido Social Democrata lembrou o seu exemplo enquanto presidente Câmara Municipal do Porto, quando "vetou" a presença do FC Porto na varanda dos Paços do Concelho, nas nove vezes em que o clube foi campeão durante os cerca de 12 anos do seu mandato (entre 2002 e 2013).
"Acho que havia uma promiscuidade [entre política e futebol] muito grande antigamente. Depois, no início do século XXI, admito que o meu exemplo possa ter sido positivo e houve uma certa separação. Tenho notado que, nos últimos anos, tem havido outra vez a tendência dessa ligação e a tentação de ganhar popularidade política à custa do futebol, que eu acho uma coisa perigosíssima. E depois dá nisto", analisou.
O presidente do PSD alertou para uma "escalada" que é "absolutamente insuportável", e acrescentou que, se nada for feito, um episódio como o da Academia de Alcochete se vai repetir.
Questionado sobre que medidas poderia o Governo aplicar para evitar novos casos de violência no futebol português, Rui Rio não quis pronunciar-se. "Deve ser debatida, por agentes políticos e desportivos, uma atitude que acabe com isto", concluiu.
O Governo já repudiou os incidentes na Academia, que considerou atos de vandalismo e criminosos e o próprio Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, manifestou-se "vexado porque Portugal é uma potência, nomeadamente no futebol profissional, e vexado pela gravidade do que aconteceu",
