
Marega e Danilo são dois dos jogadores que podem sair do FC Porto no verão
Fábio Poço/Global Imagens
Contas do primeiro semestre vão ser apresentadas até segunda-feira e clarificar os valores, mas é certo que vários jogadores vão sair no verão. Liga Europa era sonho de 25 milhões.
As consequências desportivas da saída de cena na Europa ainda estão por perceber, e até há quem defenda que a folga no calendário pode ajudar a ter melhores resultados na Liga.
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As financeiras, porém, têm uma medida exata: sete milhões de euros estimados no orçamento para 2019/20 (estavam previstos 16,7 milhões de euros em prémios da UEFA e só entraram 9,6 nos cofres) foram por água abaixo. E, em última instância, terminou o sonho de vencer a prova e arrecadar quase 25 milhões de euros (entre prémios nesta prova e na Supertaça Europeia, que ficava logo assegurada), suficientes para colmatar algumas das necessidades contabilísticas e financeiras até ao final de junho. Vão ser precisos mais de 100 milhões de euros em receitas extraordinárias para cumprir com o fair play financeiro da UEFA.
Há um ano, o FC Porto encaixou quase 80 M€ em prémios na Liga dos Campeões. Este ano não chegou aos 10 M€ na Liga Europa
O FC Porto informou, em outubro, da necessidade de realizar acima de 65 milhões de euros em mais valias com transferência de passes de jogadores. E o orçamento prevê um encaixe líquido de 77,9 milhões de euros na diferença entre vendas e compras de jogadores. São coisas diferentes. No período contabilístico em questão já entram as compras de Marcano, Marchesín, Uribe, Zé Luís, Nakajima e Luís Díaz (acima dos 50 M€), bem como as vendas de Óliver, Osório e Galeno (rondam os 20 M€). Ou seja, um "défice" suplementar de 30 milhões que aponta ao tal mínimo que será sempre superior a 100 milhões de euros. E tudo até 30 de junho, data limite para fechar as contas 2019/20 e sair do regime de fair play financeiro da UEFA, ainda que a entidade possa continuar a monitorizar os azuis e brancos. O organismo que tutela o futebol europeu não está para brincadeiras e o caso Manchester City é sintomático.
Com a dupla derrota frente ao Bayer Leverkusen, a necessidade agravou-se. É que vencer a Liga Europa, além dos tais 25 milhões de euros, garantia a entrada direta na próxima Liga dos Campeões, valorizava o plantel e capitalizava a imagem da estrutura até em termos comerciais, com reflexos naturalmente muito positivos.
Reforços da casa difíceis e um trio para render
Se a SAD quiser, a partir de julho, ir ao mercado e garantir que as "baixas" de verão são devidamente compensadas, é até possível imaginar que o próximo exercício contabilístico volte a prever a necessidade de vender em boa medida. É claro que a SAD pode sempre optar por avançar para 2020/21 sem reforços de verão, mas isso obrigaria a uma aposta redobrada na formação ou nos jogadores que estão emprestados. E, desses, só Saidy Janko, Diogo Queirós e Fernando Andrade têm feito o suficiente para poderem sonhar com o regresso a casa. Na equipa B e nos sub-19 também não há muitas novidades além das já referenciadas. E o trajeto dos juniores tem sido uma desilusão para todos.
No atual plantel, Alex Telles, Danilo e Marega serão aqueles cujos processos mais facilmente podem andar. O trio tem sido muito cobiçado em mercados recentes e o lateral-esquerdo não pára de se valorizar. Aliás, está a menos de um ano e meio de terminar contrato e isso também pode ser decisivo para a venda do passe. Corona, Otávio e Soares são outros que têm recebido sondagens preliminares por parte de alguns clubes.
