Farioli: "A minha liderança baseia-se no que fez o FC Porto ser o FC Porto. Sou uma pessoa direta"

Francesco Farioli
Pedro Granadeiro / Global Imagens
Francesco Farioli é protagonista de uma extensa entrevista a O JOGO e Sport TV. Uma versão mais longa, com declarações exclusivas a O JOGO, estará disponível na edição impressa e digital desta terça-feira.
Qual é o seu estilo de liderança? É pelo grito, pela conversa, pela partilha? Acho que tens de ser quem és. Desde que comecei, sempre disse que era muito jovem - e ainda sou, mas há cinco anos ainda mais. Agora temos um jogador que é mais velho do que eu [Thiago Silva], mas tem sido a minha rotina trabalhar com pessoas mais velhas. Acredito muito em ser eu próprio. Não sou bom a esconder emoções ou a usar uma máscara. As pessoas veem como me sinto. A minha liderança baseia-se em elementos não negociáveis: os elementos que fizeram o FC Porto ser o FC Porto. Sou uma pessoa direta. Se há algo que não gosto, tento ir pelo bom caminho primeiro, se não for suficiente, procuramos outras opções. Se construires a relação com honestidade e transparência, os jogadores apreciam isso muito mais do que um sorriso ou uma palmada nas costas.
Quando chegou fez mudanças estruturais no Olival e na sua primeira palestra, falou de uma época difícil para o FC Porto no ano passado e também um ano difícil para si [no Ajax]. Essas feridas promoveu um casamento perfeito de vontades? Perfeito" não sei, veremos daqui a uns tempos, mas com certeza foi especial. Na primeira reunião com o presidente, conectamos imediatamente. As últimas épocas do FC Porto não foram as mais fáceis, e do meu lado, eu vinha de uma época que, na minha opinião, foi positiva, mas com algo difícil de descrever no último mês. A dor do que aconteceu no último mês [no Ajax] ficará comigo para sempre. A frio, refleti muito, analisei e tentei encontrar respostas. Às vezes tens de aceitar e não questionar tanto. Mas aprendi. No FC Porto, as minhas primeiras palavras para a equipa foram claras: falamos sobre as "cicatrizes" que tínhamos. Não é algo para ter vergonha, mas algo para ter na pele como memória, para entender que faz parte da vida e do desporto. Tem de ser uma motivação extra, o combustível para a nossa fome constante de melhorar.
Tanto no Nice como no Ajax teve o melhor registo defensivo. Há uns tempos, Cristiano Bacci disse que o Farioli não era um treinador italiano. Considera-se um treinador italiano? Acho que é uma mistura de experiências. Cada país tem o seu selo, mas eu viajei por tantos países e treinei em tantas ligas diferentes que me tornei um "globetrotter". O meu staff vem de todo o mundo. Somos um staff realmente internacional. Vejo isso como uma força. Temos culturas e línguas diferentes, mas ganhamos por ter abordagens e sensibilidades diferentes. Isso torna-nos um grupo mais completo e complementar. Conto-lhe uma história: no meu primeiro clube, na negociação, propuseram-me um valor para mim e para trazer um assistente. Decidi não receber nem um euro no meu primeiro trabalho e dividir esse montante para trazer cinco ou seis pessoas comigo. Isso diz o suficiente sobre o quanto o staff pode afetar e impactar. O trabalho que o staff técnico, de performance, médico e de apoio está a fazer aqui é inacreditável. Para ter sucesso, muitas coisas têm de estar alinhadas e todos têm o seu contributo. Desde o Jardel [roupeiro], que é tão enérgico e apaixonado, até ao presidente.


