Entrevista a Francesco Farioli: Jorge Costa, as mensagens de AVB, os jogadores-soldado e a arbitragem. Recorde tudo o que disse
Francesco Farioli é protagonista de uma extensa entrevista a O JOGO e Sport TV. Uma versão mais longa, com declarações exclusivas a O JOGO, estará disponível na edição impressa e digital desta terça-feira.
Já se sente em casa no Dragão?
Sim, com certeza. O meu primeiro jogo no estádio, há alguns anos, contra o Inter, estava sentado aqui perto. É bom estar também nesta parte do estádio, ter uma perspetiva diferente, mas com certeza é um lugar onde me sinto em casa.
Como se explicar a energia dos adeptos e do Dragão?
Quando estás aqui no estádio, a energia, o ruído e o apoio são sempre fantásticos. Mas, especialmente, acho que sentes a paixão pelo futebol e, sobretudo, pelo clube quando caminhas na rua, se estás num restaurante... Vês como as pessoas se comprometem com o clube e fazem-te sentir realmente a importância do que estamos a fazer, a responsabilidade. E esse é, acho eu, o melhor sentimento e o melhor privilégio.
Costuma ter a família na bancada? A minha mulher, a minha filha e o meu filho estão sempre aqui. Especialmente a minha filha, que é uma verdadeira portista. Agora ela diz a toda a hora: "La familia Portista, la familia Portista". É engraçado porque ela repete isso; se perguntares quem somos, ela responde: "La familia Portista". É algo profundo. Em casa temos o canal do Porto no youtube ligado quase 12 horas por dia, ela já sabe todos os cânticos e hinos, as músicas que os adeptos cantam. É uma imersão total, o que é um sentimento ótimo.
Já canta a música do míster Farioli?
Sim, já começou na época passada. Mudou rapidamente para as músicas do FC Porto
Quais são os critérios para se pertencer à "Família Portista"?
Mencionei isto na minha primeira conferência de imprensa sobre a primeira reunião que tive com o presidente [André Villas-Boas], ele partilhou comigo os valores do clube, o que ele sentia que era importante trazer de volta. Basicamente, falamos de trabalho árduo, dedicação, compromisso, paixão, o desejo de colocar bravura e coragem no campo. São elementos que fazem parte de quem eu sou e do futebol que gosto de ver. Senti imediatamente que este era o passo certo para mim. Já passaram seis meses, muitas coisas aconteceram, mas o sentimento é de me sentir em casa muito rápido.
Qual é o seu estilo de liderança? É pelo grito, pela conversa, pela partilha?
Acho que tens de ser quem és. Desde que comecei, sempre disse que era muito jovem - e ainda sou, mas há cinco anos ainda mais. Agora temos um jogador que é mais velho do que eu [Thiago Silva], mas tem sido a minha rotina trabalhar com pessoas mais velhas. Acredito muito em ser eu próprio. Não sou bom a esconder emoções ou a usar uma máscara. As pessoas veem como me sinto. A minha liderança baseia-se em elementos não negociáveis: os elementos que fizeram o FC Porto ser o FC Porto. Sou uma pessoa direta. Se há algo que não gosto, tento ir pelo bom caminho primeiro, se não for suficiente, procuramos outras opções. Se construires a relação com honestidade e transparência, os jogadores apreciam isso muito mais do que um sorriso ou uma palmada nas costas.
Quando chegou fez mudanças estruturais no Olival e na sua primeira palestra, falou de uma época difícil para o FC Porto no ano passado e também um ano difícil para si [no Ajax]. Essas feridas promoveu um casamento perfeito de vontades?
Perfeito" não sei, veremos daqui a uns tempos, mas com certeza foi especial. Na primeira reunião com o presidente, conectamos imediatamente. As últimas épocas do FC Porto não foram as mais fáceis, e do meu lado, eu vinha de uma época que, na minha opinião, foi positiva, mas com algo difícil de descrever no último mês. A dor do que aconteceu no último mês [no Ajax] ficará comigo para sempre. A frio, refleti muito, analisei e tentei encontrar respostas. Às vezes tens de aceitar e não questionar tanto. Mas aprendi. No FC Porto, as minhas primeiras palavras para a equipa foram claras: falamos sobre as "cicatrizes" que tínhamos. Não é algo para ter vergonha, mas algo para ter na pele como memória, para entender que faz parte da vida e do desporto. Tem de ser uma motivação extra, o combustível para a nossa fome constante de melhorar.
Tanto no Nice como no Ajax teve o melhor registo defensivo. Há uns tempos, Cristiano Bacci disse que o Farioli não era um treinador italiano. Considera-se um treinador italiano?
Acho que é uma mistura de experiências. Cada país tem o seu selo, mas eu viajei por tantos países e treinei em tantas ligas diferentes que me tornei um "globetrotter". O meu staff vem de todo o mundo. Somos um staff realmente internacional. Vejo isso como uma força. Temos culturas e línguas diferentes, mas ganhamos por ter abordagens e sensibilidades diferentes. Isso torna-nos um grupo mais completo e complementar. Conto-lhe uma história: no meu primeiro clube, na negociação, propuseram-me um valor para mim e para trazer um assistente. Decidi não receber nem um euro no meu primeiro trabalho e dividir esse montante para trazer cinco ou seis pessoas comigo. Isso diz o suficiente sobre o quanto o staff pode afetar e impactar. O trabalho que o staff técnico, de performance, médico e de apoio está a fazer aqui é inacreditável. Para ter sucesso, muitas coisas têm de estar alinhadas e todos têm o seu contributo. Desde o Jardel [roupeiro], que é tão enérgico e apaixonado, até ao presidente.
Como é a sua relação com o presidente André Villas-Boas? Ele evita ou gosta de falar de futebol consigo?
É uma situação muito estranha. Ele tem, de longe, o maior conhecimento de futebol de qualquer diretor ou presidente. O que ele fez na carreira como treinador fala por si. Curiosamente, é a pessoa com quem falo menos sobre tática. Na nossa primeira reunião, eu preparei coisas para mostrar, mas ele já sabia tudo. Falámos mais sobre a situação, o ambiente, como gerir as coisas. A primeira vez que abri o computador para lhe mostrar alguma coisa foi já aqui no Dragão. Ele respeita muito o trabalho. A nossa comunicação é muito aberta e direta. Ele está muito presente no Olival, uma ou duas vezes por semana. No dia antes do jogo ele aparece sempre, cumprimenta todos com uma energia importante. Não podia pedir um presidente melhor ou mais presente. Trocamos mensagens tarde à noite ou às 6 da manhã, quando acordo, já tenho uma mensagem dele a falar de um jogador ou de como fazer as coisas melhor. Eu vim com o rótulo de ser um treinador que trabalha muito, mas aqui encontrei pessoas que trabalham o mesmo ou mais, como o presidente e o Tiago [Madureira] e o Henrique [Monteiro]. Sabemos para onde queremos ir. A melhor forma de liderar é pelo exemplo. Ele tem a tentação de lhe dar opiniões sobre a prestação da equipa? Falamos sobre o desempenho, sensações, o que melhorar. Sou uma pessoa que gosta de ouvir e receber feedback. Um exemplo: numa das primeiras reuniões, o presidente disse-me que, para ele, o Samu não podia defender no primeiro poste em marcação zonal no canto. Eu fui analisar, aceitei o conselho e, como sabem, o Samu nunca mais esteve lá. Quando acreditas nas pessoas e tens fé no que te dizem, isso ajuda a acelerar o processo. Gosto de criar um ambiente colaborativo e de ouvir conselhos.
A questão física é muito importante, a sua ideia de jogo é exigente. É uma preocupação para a segunda volta?
É fundamental no trabalho a parte física, no perfil dos jogadores que pretendemos, no desenvolvimento dos que já estão cá. Sou um bocado paranoico com a parte física do jogo e a trajetória para onde o futebol vai é clara. Em todos os jogos corremos sempre mais do que o adversário. Às vezes superamos o adversário por três, quatro, cinco ou até oito e nove quilómetros. É quase como jogar com mais um jogador. Rimo-nos muito sobre o facto de que, quando jogas com o Vítor [Froholdt], tens uma produção incrível. Mas a realidade é que esses números vem do trabalho de todos. Os centrais correm muitas vezes mais de 11km para espremer a equipa e estar alto no terreno. Os avançados pressionam muito e quando é preciso recuar trabalham sem bola. Por isso, acredito na rotação do plantel para manter todos frescos e competitivos.
O FC Porto tem uma vantagem de sete pontos para um rival, dez para outro. O maior risco é as pessoas olharem para a vantagem como definitiva? Não, acho que o apoio que recebemos no aeroporto antes de partirmos para os Açores e quando voltamos. não é sobre celebrar algo, é sobre dar-nos o impulso certo. É um lembrete das "cicatrizes" que todos temos. Não sinto que haja uma celebração antecipada. Todos sabemos para onde queremos ir e estamos todos ligados. O entusiasmo e a adrenalina na cidade é algo que temos de fazer crescer e tornar especial. Os nossos adeptos estão a fazer um trabalho fantástico no Dragão e fora.
José Mourinho [Benfica] falou de uma primeira volta anormal do FC Port. Rui Borges [Sporting] também falou do mérito do FC Porto. Como recebe estes elogios?
As palavras de Mourinho são factos, o que estamos a fazer é especial. Mas os recordes de meio de época não dão troféus. O que está feito, está feito. Não há nada para celebrar. Agora olhamos para o futuro. Janeiro será um mês muito importante: um jogo de Taça, um clássico aqui em casa a eliminar, jogos importantes na Liga onde não podemos vacilar, porque mesmo com um trajeto extraordinário tudo está em aberto. Os rivais estão aí e vão competir até ao fim-. E dois jogos cruciais na Liga Europa. O objetivo é ficar no top 8 para evitar o playoff num calendário apertado. Temos muito trabalho e não há tempo para auto-celebrações. Vamos para o Algarve para trabalhar a condição física, refrescar a mente e estar com as famílias. "La familia portista" são os adeptos, os jogadores, mas também as pessoas que estão connosco diariamente e esperam por nós em casa.
Que opinião tem destes dois rivais?
São dois grandes treinadores. Rui Borges é o atual campeão, o trabalho que fizeram na liga e na Europa é ótimo. E sobre Mourinho, ele é uma das principais referências para qualquer treinador de futebol. O número de títulos que ganhou, como mudou o futebol, a sua capacidade de reinventar o jogo e o seu impacto na indústria... ele é e será sempre um dos melhores do mundo.
No início a equipa tinha uma intensidade maior, mas recentemente tem tido algumas dificuldades quando o adversário bloqueia o "6" ou os médios interiores. Está a criar novas dinâmicas?
Sim, enfrentamos jogos difíceis, o que é normal. Jogamos numa liga muito competitiva com bons treinadores. As equipas que jogam na Europa não têm muito tempo para treinar. Às vezes preparamos jogos apenas por vídeo ou numa sessão de 15 minutos no campo. Tens de ser eficiente a passar a mensagem quando treinas num clube grande. Tornou-se uma história engraçada a duração das nossas reuniões, o Eustáquio diz que fazemos séries da Netflix na sala de reuniões. No início reuníamos no ginásio, mas o clube seguiu o meu pedido e construiu uma sala bem agradável, onde passamos muito tempo. É um dos lugares mais importantes para nós, onde construímos e corrigimos as nossas ideias. Esta época mudámos mais de 10 jogadores e integrar as pessoas rápido foi bom, mas temos de melhorar. Mas também não baixar o nível e a paciência quando os jogos ficam complicados, manter o foco e fazer as coisas bem aumentando o ritmo.
A questão defensiva tem sido importante. A dupla Kiwior-Bednarek tem sido fundamental?
O registo defensivo é impressionante. Mas não é só porque defendemos bem, é porque atacamos de uma certa forma que requer paciência e eficiência técnica. A coordenação e o sincronismo entre os jogadores é a chave. Esta estabilidade resulta também da forma como atacamos. Neste jogo com o Santa Clara, nos últimos minutos quando ficou mais aberto e defendemos mais na área, a atitude do Bednarek e do Kiwior foi importante e será assim no futuro também com o Thiago. No avião, estava a rever uma das poucas chances que concedemos e vi o Borja e o Deniz Gul a atirarem-se para parar a bola e quatro ou cinco jogadores a colocarem o corpo à frente da baliza. Esse esforço e sacrifício são elementos chave porque um golo a mais ou a menos pode fazer a diferença.
Thiago Silva já chegou. Pelo palmarés que tem receia que ele possa criar ruído numa estabilidade defensiva que já existe?
Não, ele vai acrescentar experiência e qualidade. Acredito na gestão do jogo, misturar os recursos físicos e mentais. Ninguém discute o palmarés do Thiago. Ele não estaria aqui se os seus últimos jogos não fossem de alto nível. Na nossa conversa, ele provou que vem para ajudar e apoiar a equipa. Não lhe fiz qualquer promessa, quero que ajude a equipa quer jogue todos os jogos ou cinco minutos. Ele está consciente disso. Ele quer fechar um ciclo porque começou a sua carreira europeia aqui no FC Porto B e ganhou a Liga dos Campeões aqui no Dragão [com o Chelsea]. Ele tem o grande objetivo de jogar o Mundial no verão e estar em forma. Quando o vi pela primeira vez, ontem [anteontem] vi nele um grande sorriso e energia. É o que precisamos, curioso para começar a trabalhar com um jogador que é um dos top 5 defesas na história do futebol.
Samu cresceu muito, sobretudo na forma como liga com a equipa. Em que fase está esse trabalho?
Ele está a melhorar muito graças à sua mentalidade e compromisso. No início tivemos dificuldades em fazê-lo sentir os benefícios do que estávamos a fazer. O Samu é incrível a atacar o espaço e na área já é um avançado de elite. Mas para uma equipa dominante, havia coisas que ele precisava de melhorar. Ele entendeu o benefício, o que o tornará um avançado mais completo. No futuro, ele pode jogar nas três melhores equipas do mundo. Ter estas ambições é preciso melhorar e trabalhar. Ele está aberto a isso, aceita o trabalho individual que talvez seja feito com os sub-13, isso requer humildade e autoconsciência. Surpreendeu-me nisso. Trabalha muito bem, está melhor fisicamente. Ele pressiona como uma besta, corre para trás quando é necessário. Quero mencionar também a importância do Luuk, com a sua experiência conversou muito com ele, explicou coisas. Tem tido um papel especial e em 2026 poderá melhorar.
Froholdt ainda o surpreende?
Eu não o conhecia. O presidente e o departamento de prospeção mencionaram-no, vi alguns jogos e fiquei impressionado. Mas vê-lo ao vivo e ver a sua capacidade de se desenvolver tão rápido superou as minhas expectativas. Feliz com a sua evolução, está a crescer em liderança. Nunca esquecerei o primeiro jogo dele no Dragão quando saiu e o estádio todo o aplaudiu. Ele tem o ADN puro do FC Porto.
Rodrigo Mora cresceu como homem e jogador depois de uma fase difícil no início da época onde se falava da sua saída?
O Rodrigo foi outra surpresa positiva. Na época passada ele era o "Golden Boy", a superestrela. Fez coisas irreais para um jogador da idade dele. Esta época, com novos jogadores e uma nova forma de jogar, exigiu adaptação. Foi difícil para todos percebeu o que se passava. Iniciou esta época com o estatuto de superestrela, mas não teve um papel principal. Sabemos o que se passou no mercado, os rumores da Arábia Saudita e as quantias envolvidas para o clube e para ele. Mas no final fomos muito claros um com o outro. Chegámos a um acordo sobre como devíamos fazer as coisas. O meu papel é trazer as pessoas juntas para o bem do clube. Idealmente queres ter 25 jogadores como soldados na mesma linha e direção, é o sonho de qualquer treinador., O difícil é encontrar jogadores capazes de aceitar decisões, o seu papel e desenvolver em áreas onde são mais fracos. Não é algo que se progrida do 0 ao 100 de um dia para o outro. O nível dele no treino é fantástico, nunca faz má cara, aceita jogar poucos minutos ou começar a titular. O impacto dele nos últimos jogos foi fantástico. A palavra para ele é maturidade. Sabe o que pretende e o que necessita melhorar. Quase que não precisámos de lhe mostrar os vídeos de resumo dos seus jogos porque ele faz isso em casa e partilha com o meu staff. E analisa com os nossos filtros. Estou grato e orgulhoso por ter um jogador desta qualidade que se coloca ao serviço do clube e a responsabilidade de ter um dos maiores talentos portugueses que quer fazer algo especial pelo FC Porto. A carreira dele vai ser fantástica. Tem a ambição de celebrar títulos aqui.
Já disse que o clima está a tornar-se insustentável nas arbitragens. Receia que a segunda volta possa ser pior? O problema são os árbitros ou o ruído dos grandes?
É um tema. Nas minhas experiências anteriores criei anticorpos porque em Itália os árbitros são sempre um tema quente e na Turquia podem imaginar o que acontece. Em quase 200 jogos como treinador principal, tive dois ou três cartões amarelos. Respeito os árbitros e recebo respeito deles. Mas em Portugal é um tema desde o primeiro dia. Vi nas redes sociais, a Supertaça... Já disse que que é responsabilidade de todos baixar o tom. Isso terá de acontecer com decisões a vários níveis. Não é possível que assim que o jogo acaba haja logo dois ou três programas de TV a analisar o árbitro em vez do jogo. Nos jornais há páginas e páginas com análises de árbitros. Num país com tão bons jogadores, treinadores e equipas seria bom falar mais de futebol. Todos queremos justiça na competição. Sobre o VAR, acho que se tornou um instrumento para julgar o árbitro em vez de o ajudar e de tornar o jogo com menos erros. Em vez de facilitar a vida dos árbitros, estamos a criar "monstros" e pânico sobre cada decisão. O jogo está cada vez mais rápido, há ações a 37-38 km/h, não é fácil estar lá. O sistema (árbitro, assistentes, VAR) deve servir para minimizar erros e ter uma competição honesta.
Em Portugal é possível ganhar sem falar de arbitragem?
Vamos desejar que isso aconteça. Mas há casos difíceis de compreender. Dou um exemplo: num dos últimos jogos no Dragão, houve uma ação do Pepê que foi falta fora da área, mas na realidade foi dentro. Fui ao quarto árbitro e disse: "Vai ao VAR, porque se é falta, é dentro e é penálti; se não é falta, é falta contra nós e amarelo para o Pepê". Sem problema. Não posso aceitar um livre direto fora da área quando todos viram que a falta foi dentro. Prefiro o cartão amarelo contra nós do que um erro destes. Justiça é isto.
Erros resultam da qualidade ou do condicionamento?
São muitas coisas, não é fácil ser árbitro em Portugal, a pressão é demasiado alta. Já tenho muito para fazer como treinador e não é esse o meu trabalho. Mas o VAR, não apenas em Portugal, deve ser discutido e usado de forma diferente. E libertar a pressão no sistema e ter mais justiça e uma competição mais honesta.
Como é que mantém viva a presença de Jorge Costa no dia a dia do plantel?
Embora, infelizmente, não tenha tido muito tempo com ele, o que o Jorge foi, é e será para o FC porto é muito claro. Sente-se a presença dele em todo o lado. O legado dele estará sempre aqui, não apenas na camisola número 2, mas na forma de ser e de se comportar. O tributo que o futebol português e internacional lhe deu diz tudo sobre um capitão eterno. No dia 31 de dezembro, estava em casa a ver as imagens da minha apresentação e o Jorge estava em quase todas as imagens, a tentar ajudar-me e a passar-me o que é o FC Porto. Ele falava-me da mentalidade de trabalho, da ligação com a cidade, que suar a camisola é inegociável. Ele estava connosco todos os dias nos treinos, a ver os jogaodres a sofrer, quase a vomitar no relvado. É por isso que ele continua connosco. Depois do jogo com o Atlético de Madrid, ele disse algo ao Tiago Madureira e ao Henrique Monteiro, que me contaram no dia em que tudo aconteceu: Ele disse: "temos uma equipa outra vez". Este é o nosso slogan, o nosso compromisso e responsabilidade pela memória do Jorge. Haverá sempre uma bandeira no Dragão par ao manter connosco. Pela sua família e pela família portista. Ele estará sempre connosco. A luta pelo título é também por ele.
Já falou de renovação de contrato com o presidente?
Não. Agora a prioridade é fazer as coisas bem pela equipa. É a primeira vez na minha curta carreira que sinto que posso construir algo em cima de algo. No ano passado sentia que era impossível lidar com as exigências, mas aqui temos uma equipa jovem, um capitão [Diogo Costa] que renovou recentemente e é um líder e profissional de topo, jogadores do FC Porto B que podem ajudar... estamos no caminho certo. Continuar a trabalhar juntos e continuar conectados com o próximo passo que é o Algarve com uma semana de bom trabalho. Os jogadores não ficarão satisfeitos com algum trabalho extra. Queremos fazer uma boa época e fazer os nossos adeptos felizes


